Morte de abelhas preocupa produtores de mel

Dois apiários na região da Faxina estão com milhares de abelhas mortas. Produtores desconfiam que a utilização de agrotóxico em lavouras possa ser a causa da morte dos insetos

Não é de hoje que se ouve falar na importância das abelhas na vida do homem, uma vez que esses insetos são fundamentais para o bom funcionamento do nosso meio ambiente. São as abelhas as responsáveis pela polinização das plantas, processo fundamental para o desenvolvimento da nossa vida, sem elas, afirmam os especialistas, a vida na terra não seria viável e a falta de alimento uma realidade, dada a importância da sua atividade na natureza.

Mas nos últimos anos os relatos do aparecimento desses insetos mortos por influência da ação humana estão cada vez mais frequentes. Um problema silencioso que afeta a vida de todos e é percebido, diretamente, por quem se dedica a sua criação. Nesta semana, mais um caso de mortandade de abelhas foi diagnosticada por apicultores que possuem apiário na região do assentamento Fidel Castro na Faxina.
Milhares de abelhas apareceram mortas de uma semana para a outra, afirmam os proprietários que tiveram um verdadeiro choque ao chegar para trabalhar e encontraram os insetos mortos em frente às caixas. Segundo Aldoir Lopes, que mora na localidade há quase 14 anos e trabalha produzindo mel há 12 anos, é a primeira vez que isso acontece. “Nunca tinha acontecido isso e dessa vez nós estamos perdendo abelhas por causa do mau uso de agrotóxicos em lavouras. É lamentável. Neste apiário, nós temos em média de 35 caixas de abelhas, e perdemos a sua totalidade. Aquelas abelhas que não morreram ainda estão “tontas”, possivelmente com o efeito do veneno” diz o apicultor que, quando esteve no local no dia 8 de novembro, tudo estava bem, segundo ele não havia nenhum inseto morto. No entanto, na semana seguinte encontrou todas as abelhas mortas.

O presidente da Associação Santanense de Apicultores, Sipriano Silva, tomou um susto quando foi efetuar o manejo de seu apiário, que fica muito próximo ao local já mencionado nesta reportagem. Abelhas mortas no chão e outras lentas, voando desorientadas foi o que encontrou. Como ele explica. “Quando nós chegamos aqui encontramos muitas abelhas mortas, outras caixas sem rainha e, provavelmente, aquelas abelhas que estão vivas vão morrer em seguida. A gente nota pelo comportamento delas. É lamentável que isso ocorra, porque o que a gente mais fala e busca é uma convivência pacífica com o setor produtivo rural da agricultura. A apicultura, neste sentido, vem para somar porque estudos científicos provam que onde existem abelhas as lavouras se desenvolvem 30% mais do que em outros lugares”, desabafou.
O produtor comenta que esteve no apiário na semana passada, no mesmo período de Aldoir e os insetos estavam trabalhando normalmente. “Estava tudo ok. Estive aqui na quarta-feira passada. O veneno deve ter sido colocado no final de semana. Porque o Aldoir veio aqui na segunda-feira e as abelhas já estavam morrendo. Aqui nós temos 40 caixas com uma média de 40 mil abelhas por caixa. Estamos falando em aproximadamente 1 milhão e 600 mil abelhas e não existe o modo desses insetos estarem morrendo desse jeito se não for por meio de veneno”, comentou.

O produtor calcula um prejuízo de 1.200 quilos de mel para a safra de primavera além de outras perdas que serão contabilizadas para o remanejado dos enxames.
Assim que identificou o problema, Sipriano foi até à Polícia para o Registro de Ocorrência e, em seguida, à Inspetoria de Defesa Agropecuária do Município, que enviou técnicos até os apiários para a coleta dos insetos mortos que serão encaminhados para Porto Alegre para exames com a finalidade de descobrir a causa da morte. Caso a motivação seja uso indevido, ou mau uso, de agrotóxicos os proprietários de lavouras que forem identificados irão responder criminalmente. A reportagem do Jornal A Plateia esteve no local juntamente com os técnicos e com uma equipe da Defesa Agropecuária Estadual, responsável pela fiscalização nas propriedades que imediatamente começou a visitação dos locais onde os produtos podem ter sidos aplicados. O resultado dos exames deverão sair em breve. “A gente espera que se for por envenenamento que as abelhas morreram, que as pessoas que fizeram isso sejam responsabilizadas. Porque além de prejudicar o nosso trabalho estão sendo responsáveis de exterminar esses insetos que são fundamentais para a nossa vida” encerrou.

Grupo Aplateia