Carne imprópria para consumo apreendida em açougue foi encaminhada para fábrica de rações

Sant’Ana do Livramento vem se destacando nos últimos anos pelo seu crescimento na agroindústria, que está produzindo todos os tipos de produtos alimentícios, que vão desde as tradicionais linguiças, a queijos, charque, sucos, geleias e doces, entre outros. Fato esse que é exatamente positivo, pois acaba não só proporcionado a circulação de dinheiro com a venda dos produtos em nosso município, mas, também gerando emprego e renda.
Mas, é necessário que os produtores e proprietários dessas empresas tenham consciência da sua responsabilidade na comercialização de produtos alimentícios buscando sempre a regularização junto aos órgãos competentes.
Um desses órgãos é o Serviço de Inspeção Municipal (SIM) que é responsável pela fiscalização dessas empresas juntamente com a Vigilância Sanitária. Nesta semana, com o apoio da Brigada Militar, os dois órgãos realizaram uma ação conjunta em um açougue localizado na região central do município onde foram apreendidas 1.122 kg quilos de carne irregular e sem procedência.
Durante o trabalho de fiscalização, os agentes encontraram o produto que estava em duas câmaras frias no estabelecimento. O açougue estava com a sua autorização para a produção própria de charque e linguiça, suspensa, e mesmo assim continuava produzindo os alimentos. Além disso, várias irregularidades foram apontadas no local.
A carne aprendida foi encaminhada à Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento. As mercadorias serão encaminhadas para uma empresa que produz ração para cachorros no município. Porém, o empresário, que já havia sido notificado várias vezes, foi preso em flagrante, encaminhado à penitenciária local e deverá responder por crime contra a saúde pública.

A reportagem do Jornal A Plateia conversou com o chefe do Serviço de Inspeção Municipal, Ariel Duarte Lima, para mais esclarecimentos sobre essa ação. Segundo o profissional que é médico veterinário, o trabalho do órgão é, justamente, este de fiscalizar aquilo que as pessoas estão consumindo. “Nosso papel é esse. E nós recebemos uma denúncia que determinado estabelecimento estava trabalhando de maneira irregular e fomos lá conferir e foram apreendidos esses 1.122 quilos de produtos que estavam ou fora da legislação, ou fora do prazo de validade e sem procedência. Neste caso, a legislação determina que estes produtos devem ser apreendidos e retirados de consumo, pois isso é uma transgressão às relações de consumo. Porque o consumidor não sabe, neste caso, o que está havendo atrás do balcão, quem vê isso somos nós e a vigilância sanitária”.
Após a apreensão e repercussão do assunto nas redes sociais, muitos comentários sobre o que poderia ser feito com os produtos surgiram, entre eles sobre a possibilidade de doação para pessoas ou entidades. Ariel esclarece que, neste tipo de caso, não há está possibilidade porque não há como comprovar a questão sanitária desses produtos sem procedência. “As pessoas falam em doação. Infelizmente por uma questão de saúde pública e legislação não podemos doar os produtos apreendidos. Não há como atestar como esses produtos foram manipulados, por exemplo, seu prazo de validade, e principalmente a sua procedência.
Este estabelecimento estava com seu registro junto ao SIM cancelado para a produção deste tipo de alimento e mesmo assim ele continuava produzindo e, pior, colocando o selo da fiscalização nos produtos. Ele não podia usar rótulos ou carimbo do Serviço de Inspeção Municipal”, disse.
Ariel Duarte agradeceu ainda a todas as pessoas pela colaboração com as denúncias sobre irregularidades e diz que as equipes tanto do SIM quanto da Vigilância Sanitária estão trabalhando sempre visando a saúde dos consumidores.

Matias Moura
contatomatiasmoura@hotmail.com

Grupo Aplateia

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