Direção da Coperforte renova pedido por melhorias nas estradas

Com mais de 4 milhões de litros de leite já produzidos em 2019, produtores temem que perdas sejam irreparáveis com as novas regras de transporte

Rosi Lima (Foto: Matias Moura/AP)

Esperando por uma solução que possa ser considerada razoável, a direção da Coperforte – Cooperativa Regional dos Assentados da Fronteira Oeste Ltda. – entidade com 1.300 associados e com cerca de 350 famílias trabalhando diariamente na produção e fomento da cadeia leiteira em Sant´Ana do Livramento, tenta fazer soar mais alto o seu pedido junto ao executivo municipal para que a situação das estradas tenha uma resposta definitiva. Com dificuldades para escoar sua produção e tendo que se adequar às novas normas que exigem um controle cada vez maior do produto leite, a cooperativa busca, outra vez o diálogo. “Parece que este problema não é do poder público. Parece que nós, os produtores, é que vamos ter que fazer as estradas para poder retirar das propriedades toda a nossa produção. Já foi feito um acordo há um tempo com a Diretoria de Estradas Rurais, mas, a responsabilidade pelas estradas não é nossa, é do poder público, da Prefeitura. Nossa obrigação é produzir, exportar a produção e, aí mais essa carga nas nossas costas, não é admissível. Desde a última vez que sentamos com o Prefeito e que nos mandaram produzir leite na Serra, não tivemos mais nenhuma oportunidade de diálogo, ou seja, tudo continua na mesma. Dias de chuva nos trazem muitos problemas, a exemplo de outros períodos chuvosos quando alguns produtores não puderam entregar a produção, e agora essa situação se repete”, afirmou Rosi Lima diretora da cooperativa. Ainda, segundo ela, a maior preocupação, hoje, da direção e associados da Coperforte é a normativa 7677 que diz, no seu Artigo 3º que na refrigeração do leite e no seu transporte até o estabelecimento devem ser observados os seguintes limites máximos de temperatura. Além disso, segundo a normativa, o recebimento do leite no estabelecimento deve se dar a uma temperatura de 7,0° C (sete graus Celsius), admitindo-se, excepcionalmente, o recebimento até 9,0° C (nove graus Celsius). A mesma normativa ainda diz que a conservação e expedição do leite no posto de refrigeração tem que se dar a 4,0° C (quatro graus Celsius) e conservação do leite na usina de beneficiamento ou fábrica de laticínios antes da pasteurização tem que ser em 4,0°C (quatro graus Celsius). A normativa diz, já no seu artigo primeiro, que ficam aprovados os Regulamentos Técnicos que fixam a identidade e as características de qualidade que devem apresentar o leite cru refrigerado, o leite pasteurizado e o leite pasteurizado tipo A. Assim, os produtores que estão instalados nas localidades mais distantes e com as estradas em estado mais precário de conservação, sabem, que correm diariamente o risco de perder toda a carga simplesmente por não poder atender ao requisito de temperatura. “Com certeza os motoristas não poderão fazer mágica. As estradas não oferecem a menor condição de trafegabilidade e parece que não somos vistos. Será que é por que somos uma cooperativa de assentados?”, questiona ela. Atualmente a Coperforte possui uma folha de pagamentos para os produtores que gira em torno de R$ 800 mil reais e uma folha de funcionários de aproximadamente R$ 50 mil. “Estamos falando desses valores nesse momento em que a produção não é tão grande assim, mas a partir de novembro e dezembro a produção ultrapassa um milhão de litros de leite. Todo esse recurso fica dentro do município, mas as autoridades ainda não entenderam o quão essencial é para o movimento da economia local”, desabafou. Rosi Lima lembra ainda que desde a última reunião ocorrida acerca de 60 dias atrás nenhuma outra resposta com relação a obras de recuperação das estradas foi dada. “Eles poderiam ter um pouco mais de consideração, vir até aqui para conversar, mas, ao contrário, nos viram às costas”, frisou ela. Rosi Lima diz que a intenção era chamar o Prefeito e sua equipe para conhecer a estrutura da Cooperativa porque, segundo eles, essa seria uma forma de sensibilizar as autoridades. “Vamos seguir tentando trazer o Prefeito aqui, sim, junto com outros núcleos de produtores. O leite é perecível e estamos cada vez mais preocupados a partir deste normativa. Assim, vamos tentar, sim, esse novo encontro para equalizar da melhor maneira possível essa situação”, disse. Somente no mês de setembro de 2019, foram 590.984 litros de leite produzidos entre os associados da Coperforte. No ano, o acumulado já atinge a marca de 4 milhões e setecentos mil litros de leite que foram disponibilizados para o mercado e que saíram das propriedades instaladas em Livramento. De 2014 a 2018, o total de leite produzido, apenas pela Coperforte, foi de 39 milhões e 800 mil litros cujo recurso proveniente da venda foi completamente revertido no comércio local. A estimativa para 2019 é que de mais de 7 milhões de litros se mantenha, ou se perca, dependendo das respostas que precisam ser dadas de maneira imediata pelo Executivo Municipal.

Matias Moura
contatomatiasmoura@hotmail.com

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