Ao escrever, após o primeiro turno, que a direita precisava reconhecer a mudança, defendi a necessidade de compreender uma nova realidade política. Entre o primeiro e o segundo turno, ficou evidente como essa reflexão era urgente. Os ajustes que eu apontava precisaram ser enfrentados muito mais rapidamente do que se imaginava.
No primeiro artigo, defendi ajustes dos dois lados: a velha direita deveria reconhecer que a política mudou, enquanto a nova direita bolsonarista precisava compreender que sua força de mobilização ainda exigia mais maturidade, diálogo e capacidade de ampliar apoios.
Eleição só se ganha quando termina. Um resultado favorável no primeiro turno exige responsabilidade para chegar ao segundo. A nova direita bolsonarista deveria ter mantido até o fim a postura que adotou na primeira etapa, com mobilização, foco e disposição para conquistar o eleitor. A confiança no próprio campo não dispensa o esforço de conversar com quem ainda precisa ser convencido.
A direita tradicional precisa reconhecer que a política mudou. As redes sociais, os movimentos espontâneos e a participação direta do cidadão transformaram a relação entre eleitores e lideranças. Trajetórias e estruturas partidárias continuam tendo valor, mas já não asseguram, sozinhas, representatividade. É preciso ouvir, compreender novas demandas e aceitar o protagonismo de quem passou a ocupar esse espaço.
A nova direita também precisa fazer sua autocrítica. Sua capacidade de mobilização é uma força, mas ainda precisa ser acompanhada da maturidade necessária para ampliar alianças, administrar divergências e sustentar uma estratégia até o último voto. Liderar exige compreender que o eleitor tem autonomia e que conquistar sua confiança demanda mais do que falar para os próprios apoiadores.
Minha defesa da liberdade econômica nasce dessa compreensão: precisamos apresentar respostas concretas para a vida das pessoas. Como relator da Lei da Liberdade Econômica, trabalhei para reduzir obstáculos a quem produz, empreende e gera empregos. Essa agenda precisa ocupar o centro do debate, com propostas que aproximem nossas convicções das necessidades do país.
O intervalo entre os dois turnos reforçou o argumento do artigo: há mudanças a fazer dos dois lados. A velha direita precisa assimilar a transformação política. A nova precisa reconhecer os limites que ainda deve superar.
A construção de uma maioria exige renovação, experiência, diálogo e responsabilidade. Nenhum grupo reúne sozinho todas essas condições. A direita terá mais força quando compreender que amadurecer também significa mudar — e que uma eleição precisa ser disputada até o fim.
Jerônimo Goergen
Advogado e presidente do Instituto Liberdade Econômica
