Jornalismo esportivo gaúcho perde Guerrinha, aos 70 anos

Profissional passou por diferentes veículos de comunicação e ficou conhecido pela versatilidade e estilo próprio de comentar o esporte

Crédito: Reprodução/Redes sociais
O texto abaixo está em

O jornalista e comentarista esportivo Adroaldo Guerra Filho, conhecido como Guerrinha, faleceu nesta quarta-feira, 28 de outubro, aos 70 anos, em Porto Alegre. Ele estava internado no Instituto de Cardiologia, onde recebia atendimento por uma infecção pulmonar que evoluiu para um quadro generalizado.

Integrante do Grupo RBS, Guerrinha tornou-se uma das vozes conhecidas da crônica esportiva do Rio Grande do Sul. Ao longo da carreira, atuou em jornais, rádio e televisão, construindo uma identidade profissional marcada pela versatilidade, pelo carisma e por comentários que combinavam análise esportiva, humor e sarcasmo.

Nascido em Porto Alegre, em 21 de novembro de 1955, era filho do radialista Adroaldo Guerra, conhecido como Vovô Guerra. A proximidade com o universo da comunicação e a paixão pelas corridas de cavalos contribuíram para o início de sua trajetória profissional no turfe, modalidade que acompanhou nos primeiros anos de carreira.

Guerrinha escreveu para veículos como Jornal Hoje, Folha da Manhã e Correio do Povo. Em 1983, passou a integrar o jornal Zero Hora, do Grupo RBS, dando continuidade ao trabalho na cobertura esportiva.

Do turfe ao futebol

Em 1993, Guerrinha deixou a cobertura das corridas de cavalos para se dedicar ao futebol, tornando-se setorista e cronista do Sport Club Internacional em Zero Hora. A mudança ampliou sua presença no jornalismo esportivo e consolidou sua atuação na cobertura do futebol gaúcho.

A carreira também ganhou espaço no rádio. Em 1999, estreou no programa Falcão na Gaúcha, ao lado de Paulo Roberto Falcão. No ano seguinte, lançou a coluna Guerra Total, no Diário Gaúcho.

Em 2004, passou a integrar a bancada do Sala de Redação, tradicional programa da Rádio Gaúcha, no qual se destacou pelos comentários diretos e pelo estilo particular de analisar o futebol. Também participou de atrações da RBS TV, como o Lance Final, e criou, em 2014, o quadro Paredão do Guerrinha.

Humor e identidade própria

Uma das marcas de Guerrinha era a capacidade de transformar análises esportivas em expressões que ultrapassavam o espaço dos programas e chegavam ao cotidiano dos torcedores. Seu humor ácido e suas frases de efeito ajudaram a consolidar uma identidade própria na comunicação esportiva do Estado.

Entre as expressões associadas ao comentarista está a chamada “Lei Guerrinha”, resumida na ideia de que, quando algo dá certo, é preciso mudar. A frase, utilizada com ironia, tornou-se uma de suas marcas mais conhecidas.

Embora declarasse sua identificação com o Internacional, Guerrinha conquistou espaço entre torcedores de diferentes clubes. Sua atuação se caracterizava pela combinação de opinião, análise e humor, elementos que o acompanharam ao longo de décadas de trabalho.

Família

Guerrinha era casado com Kathia e deixa as filhas Michelle e Karine, além de três netos.

Sua trajetória profissional esteve ligada a diferentes gerações de ouvintes, telespectadores e leitores que acompanharam sua participação no jornalismo esportivo gaúcho, e hoje lamentam a perda.

NO AR
Rádio RCC