Familiares, amigos e integrantes da comunidade de Sant’Ana do Livramento participaram, na tarde desta segunda-feira, 26, de uma caminhada em homenagem a Lineker Coelho Oliveira, de 34 anos, morto a tiros na noite de 21 de outubro. A mobilização teve início no Parque Internacional e seguiu até o Fórum da cidade, com o objetivo de cobrar justiça, esclarecimentos sobre a investigação e a responsabilização dos envolvidos no crime.
Vestidos de branco e carregando balões e cartazes com mensagens como “Justiça por Lineker”, “Foi crime, não foi acidente, queremos justiça” e “Não queremos vingança, queremos justiça”, os participantes percorreram as ruas centrais do município entoando pedidos de justiça. A caminhada foi acompanhada por agentes da Secretaria de Trânsito, que auxiliaram na organização do fluxo de veículos durante o trajeto.
A manifestação foi motivada, principalmente, pela indignação dos familiares com a informação de que o suspeito de efetuar o disparo teria sido colocado em liberdade após se apresentar às autoridades e passar pela prisão. A família cobra esclarecimentos sobre as circunstâncias da soltura e pede que o caso tenha o devido encaminhamento pelas autoridades competentes.
Lineker foi morto com um disparo de arma de fogo no tórax, em uma residência na Rua Serafim Garcia dos Santos, no bairro Armour, conforme informações apresentadas durante a cobertura do caso. Segundo os relatos divulgados pela família, o crime aconteceu na presença da esposa e de um dos filhos da vítima. “Eu quero justiça pelo meu filho”, diz a mãe, Jurema Oliveira.
Emocionada, Jurema, participou da mobilização e falou sobre a perda do filho. Ela o descreveu como um homem trabalhador, dedicado à família e empenhado em construir o próprio futuro. Durante o relato, destacou os planos que ele tinha e o esforço para concluir a construção de sua casa. “Vocês não fazem ideia do filho maravilhoso que ele era. Uma pessoa especial, um marido maravilhoso, um pai zeloso”, afirmou Jurema.
A mãe também ressaltou que o filho trabalhava para conquistar seus objetivos e construir uma vida ao lado da esposa e dos filhos. Ao lembrar da trajetória dele, disse que não pretende permanecer em silêncio diante da morte e pediu apoio à comunidade para que o caso não seja esquecido. “Eu não posso mais me calar e deixar passar isso em branco. Eu quero justiça pelo meu filho”, declarou.
Jurema, que havia passado por uma cirurgia cardíaca cerca de dois meses antes, enfrentou momentos de forte emoção durante o percurso. Mesmo precisando de apoio e acolhimento dos familiares em alguns momentos, manifestou a determinação de acompanhar a caminhada até o destino final. A dor da mãe também se tornou um dos momentos mais marcantes do ato, que reuniu pessoas próximas à família e moradores sensibilizados com o caso.
A irmã de Lineker, Angélica Coelho, também participou do ato e agradeceu às pessoas que se reuniram para apoiar a família. Em sua fala, destacou a importância da mobilização diante da perda e questionou a soltura do suspeito, manifestando indignação com a situação. “Eu quero agradecer a todos que estão presentes aqui, que estão também pedindo justiça pelo meu irmão, que foi morto brutalmente”, afirmou Angélica.
Ao longo da caminhada, ela relatou episódios que demonstram a relação de proximidade com o irmão e o auxílio que recebia dele. Segundo Angélica, Lineker estava sempre disposto a ajudar os familiares, mesmo quando precisava conciliar o apoio à família com o próprio trabalho.
Em um dos momentos mais fortes de seu pronunciamento, a irmã reforçou que a mobilização tem como objetivo cobrar providências das autoridades, sem incentivar atos de violência ou retaliação. “Eu não quero xingamento, eu não quero vingança. Eu só quero justiça”, declarou.
Angélica também chamou a atenção para a situação dos filhos de Lineker, que perderam o pai, e para as consequências da morte na vida da família. Durante a manifestação, ela pediu que os participantes seguissem juntos até o Fórum e mantivessem o foco na reivindicação por justiça.
Além dos familiares, amigos de Lineker participaram da caminhada e destacaram as lembranças que guardam dele. Entre os relatos, foram mencionadas a dedicação ao trabalho, a relação com os filhos e a disposição para ajudar as pessoas próximas.
Um dos amigos que acompanhou a mobilização descreveu a perda como uma experiência dolorosa, especialmente ao observar o sofrimento dos familiares. “Eu acho que a pior dor é ver uma família destruída e ver os responsáveis estando soltos neste momento”, afirmou.
Outros participantes também demonstraram preocupação com o futuro dos filhos da vítima e cobraram respostas sobre as circunstâncias do caso. A manifestação contou, ainda, com pessoas que não tinham convivência direta com Lineker, mas decidiram se somar ao pedido apresentado pela família.
Durante o percurso, os manifestantes fizeram paradas para falar sobre o caso e chamar a atenção de quem circulava pelo centro da cidade. Os pedidos de justiça foram acompanhados por cartazes com fotografias de Lineker e mensagens contra a impunidade.
Após percorrer ruas centrais de Livramento, o grupo chegou ao Fórum do município, destino final da mobilização. No local, familiares e amigos mantiveram as manifestações e reiteraram o pedido de esclarecimentos e responsabilização pelo homicídio.
Aos 34 anos, Lineker Coelho Oliveira deixou a esposa, os filhos, a mãe, a irmã, amigos e outros familiares. A caminhada realizada nesta segunda-feira transformou o luto em uma mobilização pública, levando às ruas de Sant’Ana do Livramento o pedido por esclarecimentos, responsabilização e uma resposta das autoridades sobre o caso.

