Da Proclamação da República à eleição de 2026

A história dos presidentes do Brasil

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A história da Presidência da República acompanha as principais transformações políticas do Brasil. Desde 1889, quando a monarquia chegou ao fim, o país teve diferentes presidentes, atravessou crises institucionais, viveu um regime militar e restabeleceu as eleições diretas para a escolha do chefe do Executivo federal.

Neste domingo, 25 de outubro de 2026, os brasileiros participam do segundo turno das eleições presidenciais. Para compreender o cenário político atual, é importante conhecer os períodos e os governantes que marcaram a trajetória republicana do país.

Os primeiros presidentes da República

A República foi proclamada em 15 de novembro de 1889, em um movimento liderado pelo marechal Deodoro da Fonseca, que se tornou o primeiro presidente do Brasil. Seu governo enfrentou dificuldades para consolidar o novo regime e terminou com sua renúncia, em 1891. O vice-presidente Floriano Peixoto assumiu o cargo.

Nas décadas seguintes, o país foi governado por presidentes como Prudente de Morais, Campos Sales, Rodrigues Alves, Afonso Pena, Nilo Peçanha, Hermes da Fonseca, Venceslau Brás, Delfim Moreira, Epitácio Pessoa, Artur Bernardes e Washington Luís.

Esse período, conhecido como República Velha, estendeu-se até 1930 e teve forte influência das oligarquias estaduais, especialmente de São Paulo e Minas Gerais. As disputas pelo poder e a insatisfação de diferentes setores da sociedade contribuíram para a crise política que levou à Revolução de 1930.

Getúlio Vargas e a reorganização do Estado

Getúlio Vargas chegou ao poder em 1930 e permaneceu até 1945, inicialmente como chefe de um governo provisório. Em 1937, instaurou o Estado Novo, regime autoritário que concentrou poderes no Executivo e restringiu as liberdades políticas.

Seu período de governo também foi marcado pela ampliação da legislação trabalhista e pela atuação mais direta do Estado na economia.

Após deixar o poder em 1945, Vargas voltou à Presidência em 1951, eleito pelo voto popular. Seu segundo governo enfrentou uma grave crise política, que terminou com sua morte por suicídio, em agosto de 1954.

A trajetória de Vargas permanece como um dos capítulos centrais da história brasileira, tanto pelas mudanças institucionais e trabalhistas quanto pelo caráter autoritário de parte de sua administração.

Desenvolvimento e crise política

Após a morte de Vargas, o Brasil atravessou um período de instabilidade até a posse de Juscelino Kubitschek, em 1956. Seu governo priorizou a industrialização e a construção de infraestrutura. Uma de suas principais realizações foi a construção de Brasília, inaugurada em 1960.

Em 1961, Jânio Quadros renunciou à Presidência poucos meses depois de assumir. Seu vice, João Goulart, enfrentou resistência de setores políticos e militares e governou em meio a uma crescente crise institucional.

Em 1964, um golpe militar depôs Goulart e deu início a um regime que durou 21 anos.

A ditadura militar

Entre 1964 e 1985, o Brasil foi governado por presidentes militares: Humberto de Alencar Castello Branco, Artur da Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo. O período também teve governos interinos, em momentos de transição.

A ditadura foi marcada pela restrição de direitos políticos, censura, perseguição a opositores e violações de direitos humanos. As eleições presidenciais diretas foram suspensas, e a escolha do presidente ocorreu por mecanismos indiretos.

Na década de 1980, a abertura política e a mobilização popular ganharam força. O movimento Diretas Já reuniu manifestações em diversas cidades brasileiras em defesa do voto direto para presidente.

A volta da democracia

Em 1985, Tancredo Neves foi eleito presidente pelo Colégio Eleitoral, mas adoeceu antes da posse e morreu em abril daquele ano. José Sarney, seu vice, assumiu a Presidência.

Durante o governo Sarney, o país avançou na reorganização democrática e promulgou a Constituição Federal de 1988, que estabeleceu as bases do atual sistema constitucional.

Em 1989, os brasileiros voltaram a escolher diretamente o presidente, após quase três décadas sem eleições presidenciais diretas. Fernando Collor de Mello venceu o pleito, mas deixou o cargo em 1992, durante um processo de impeachment. Seu vice, Itamar Franco, concluiu o mandato.

O governo Itamar ficou marcado pelo lançamento do Plano Real, em 1994, que contribuiu para controlar a inflação. Fernando Henrique Cardoso, ministro da Fazenda durante a implantação do plano, venceu a eleição presidencial daquele ano e assumiu em 1995. Reeleito em 1998, permaneceu no cargo até 2002.

Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro

Em 2003, Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a Presidência após vencer a eleição de 2002. Reeleito em 2006, governou até 2010. Seus mandatos tiveram como características a ampliação de programas sociais, mudanças na renda de parte da população e a expansão do consumo.

Em 2011, Dilma Rousseff tornou-se a primeira mulher a assumir a Presidência da República. Reeleita em 2014, teve seu segundo mandato interrompido em 2016, após um processo de impeachment aprovado pelo Congresso Nacional. Michel Temer, então vice-presidente, assumiu o cargo e permaneceu até o fim do mandato, em 2018.

Jair Bolsonaro venceu a eleição de 2018 e governou de 2019 a 2022. Seu período foi marcado pela pandemia de Covid-19, por debates sobre a condução das políticas sanitárias, pela economia e por conflitos entre instituições e setores políticos.

Em 2022, Lula venceu Bolsonaro no segundo turno e retornou à Presidência em janeiro de 2023, iniciando seu terceiro mandato não consecutivo. Entre os temas de sua administração estão os programas sociais, a economia, o meio ambiente e as relações institucionais.

Eleições de 2026: uma nova etapa política

O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 ocorre neste domingo, 25 de outubro. A disputa coloca frente a frente o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

O resultado definirá quem comandará o Executivo federal no próximo mandato, com impactos sobre a composição política do governo e as prioridades da administração pública.

Ao longo de mais de um século, a história republicana brasileira reuniu diferentes projetos políticos, períodos de crescimento econômico, crises e mudanças institucionais. Conhecer essa trajetória permite compreender como as instituições foram construídas e transformadas e qual é o papel das eleições na escolha dos representantes.

A sucessão presidencial faz parte de um processo histórico que continua em andamento e cujo próximo capítulo será definido pelo voto dos brasileiros.

Fontes de referência: Biblioteca da Presidência da República, Tribunal Superior Eleitoral e registros históricos do Senado Federal.

 

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