O futuro da Medicina

Estudante de Medicina na Ulbra, em Canoas, Larissa Clavijo Nunes projeta o futuro profissional no interior e busca aliar conhecimento científico, empatia e cuidado humanizado.

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A decisão de cursar Medicina nasceu do desejo de compreender o ser humano para além das doenças. Para a santanense Larissa Clavijo Nunes, cuidar envolve conhecimento científico, mas também escuta, empatia e acolhimento. No quinto semestre do curso na Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em Canoas, ela vive os desafios da graduação longe de casa e se prepara para uma profissão que exige dedicação dentro e fora da sala de aula.

A mudança para outra cidade trouxe uma rotina de estudos intensa e a necessidade de aprender a lidar com a distância da família, dos amigos e do namorado. Apesar da saudade, a experiência também contribuiu para o amadurecimento e para a conquista de maior autonomia. “Apesar das dificuldades e das renúncias, a certeza de estar seguindo o caminho que escolhi e de ter um propósito tão importante em mente me dá forças para continuar”, relata.

Ao longo da graduação, Larissa percebeu que os desafios vão além do conteúdo acadêmico. A carga horária e as responsabilidades exigem organização e dedicação, mas também levantam uma questão importante para quem escolhe a área da saúde: como cuidar dos outros sem deixar de cuidar de si mesma?

Para ela, manter hábitos saudáveis e preservar a saúde mental são aprendizados que precisam acompanhar a formação médica. Outro desafio está em desenvolver o equilíbrio emocional necessário para lidar com o sofrimento dos pacientes. Larissa se considera uma pessoa sensível e reconhece que aprender a acolher a dor do outro sem levá-la para a vida pessoal faz parte de seu crescimento profissional.

Uma experiência que marcou a formação

Entre as vivências que já teve na faculdade, uma permanece especialmente viva na memória: o primeiro atendimento ambulatorial realizado sozinha. No início, o medo e a ansiedade deram lugar, aos poucos, à segurança para conduzir a consulta.

Ao final do atendimento, a estudante recebeu um agradecimento inesperado. A paciente elogiou sua atuação e disse que aquela havia sido uma das melhores consultas de sua vida. A experiência reforçou a importância da escuta e do vínculo entre médico e paciente, além de representar um momento de reconhecimento em meio a uma trajetória ainda em construção.

A pediatria, área que despertou seu interesse pela Medicina, continua entre suas principais possibilidades de especialização. Larissa, no entanto, prefere não antecipar a decisão. Cardiologia, pneumologia e cirurgia geral também estão entre as áreas que chamaram sua atenção durante o curso.

Mais do que definir uma especialidade, ela afirma que a graduação tem ampliado sua compreensão sobre a responsabilidade envolvida no cuidado. Cada paciente tem uma história e uma realidade próprias, e reconhecer essas diferenças é parte essencial da formação. Para Larissa, a técnica precisa caminhar junto à ética, à humildade para aprender e à sensibilidade para enxergar a pessoa para além do diagnóstico.

O futuro perto de casa

Depois de concluir a graduação e seguir a formação médica, Larissa pretende voltar ao interior. Sant’Ana do Livramento é sua primeira opção, mas ela também considera outras cidades próximas que oferecem um estilo de vida semelhante.

O desejo é contribuir para ampliar o acesso à saúde de qualidade em regiões afastadas dos grandes centros urbanos, onde as dificuldades de assistência ainda representam um obstáculo para muitos pacientes. Ao mesmo tempo, retornar significa estar mais perto de casa e construir o futuro profissional e familiar mantendo os valores com os quais cresceu.

Para a estudante, realizar o sonho de ser médica vai muito além de conquistar um diploma. É transformar anos de dedicação e renúncias em uma oportunidade de fazer a diferença na vida das pessoas. Ainda no início da caminhada, Larissa já reconhece a dimensão da responsabilidade que escolheu assumir e pretende levar para a profissão aquilo que considera essencial: competência, ética e sensibilidade.

A formação segue em andamento, assim como as descobertas sobre a especialidade que pretende seguir. Mas um objetivo já está definido: exercer a Medicina com atenção às pessoas e, se possível, fazer isso perto da cidade onde sua história começou.

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