Por: Gilberto Jasper
Jornalista/gilbertojasper@gmail.com
Dentro da rotina de check-up anual, há poucos dias fui ao Instituto de Cardiologia, em Porto Alegre, para fazer o que popularmen-te se chama de “teste da esteira”. Consiste em caminhar em uma esteira ergométrica para determinar como anda o coração. Não se trata de amores, desilusões e afetos não correspondidos. O teste aufere o funcionamento do órgão responsável por bombear o sangue e garantir a circulação de oxigênio e nutrientes por todo o corpo.
Os exames foram considerados bons aos 66 anos de idade. Além do check-up anual, iniciei um processo (tentativa) de reeducação alimentar sob a supervisão de uma nutricionista. Para realizar os testes cardíacos – com dia e hora marcados e com excelente atendimento! – peguei uma senha de “prioritário”.
Enquanto aguardava o chamado constatei que a esmagadora maioria era formada pelos ditos “prioritários”. E ao observar meus colegas na sala de espera, notei o grande número de pessoas obesas e com dificuldades para caminhar.
No fim de semana li a crônica do médico J.J. Camargo sob o título “A insubordinação do espalho”. Ele relata que, ao invés de aproveitarmos as benesses da velhice, usamos a energia restante para enfrentar as restrições e mudanças de rotina motivadas pela idade avançada.
Em determinado trecho, ele escreve “Pena que o tempo não para, e a relação com o mundo, mais cedo ou mais tarde, é coloca-da em termos realistas: ficamos velhos, e há nessa fase, mais des-vantagens do que compensações”.
Nas raras viagens aéreas que faço, costumo usufruir da fila dos “prioritários por lei” no momento do embarque. Muito antes da primeira chamada, me posto junto ao totem indicado para embarcar cedo. O objetivo é evitar os tradicionais transtornos com bagagem, poltrona marcada e mobilidade restrita no apertado corredor do avião.
Vejo, a cada viagem, o aumento do contingente de colegas “prioritários” que reforça a certeza de que a população está, de verdade, envelhecendo e vivendo mais. As restrições na velhice não se restringem às questões físicas. Apesar de ser um assunto cons-tante na imprensa, o respeito a nós, jovens há muito tempo, continua raro no cotidiano.
O que se vê é muita propaganda, pouca empatia e consideração. Resta ser resiliente, teimoso e continuar
