Diante dos muitos legados do Padre Antônio Vieira (1608-1697), há uma referência particularmente apropriada para a quadra histórica que estamos vivendo: “O que elege, não só é obrigado a procurar o bem público, senão o maior bem. Por isso não deve eleger nem o mau, nem o bom, senão o melhor”. São frases tão antigas quanto verdadeiras.
Entretanto, a longa sequência de acontecimentos fora da arena política, mas, em termos fáticos, já inexoravelmente ligados a ela, tem atraído as atenções e relegado a 2º plano os debates em torno do processo eleitoral. Em vez da discussão acerca das propostas dos candidatos às chefias do Poder Executivo e ao Congresso, quase todos os olhares se voltam para o que se passa nas searas judicial e policial. Nesse ambiente, a desinformação também marca presença.
Mesmo assim, ainda que disfunções, tensões e o manejo eleitoreiro de episódios graves estejam fragilizando a legítima, necessária e republicana disputa eleitoral de outubro, não se pode perder de vista aquilo que está em jogo. Ao votar, o eleitor outorga o que, na prática, representa uma procuração com amplos poderes: por 4 anos, os eleitos decidirão da rotina administrativa aos eixos estruturantes da vida pública. A propósito, vale lembrar a lição do grande administrativista gaúcho Rui Cirne Lima: “Quem administra não é dono”.
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