Mais de 15 milhões de brasileiros com idades entre cinco e 29 anos convivem com pelo menos um transtorno mental. A ansiedade é a doença que mais afeta crianças, adolescentes e jovens brasileiros, seguido pela depressão.
Os dados são resultado de um levantamento realizado por pesquisadores de institutos gaúchos e paulistas que comparou distúrbios mentais, como ansiedade, depressão, TDAH e transtornos bipolares com mais de trezentas outras condições de saúde no Brasil. O levantamento visa entender como estas moléstias afetam a qualidade de vida dos jovens brasileiros. O estudo revelou que nenhuma doença mental ou física tira mais qualidade de vida de jovens a partir dos cinco anos do que a ansiedade.
Depressão e ansiedade podem ocasionar abandono escolar, dificuldades em relacionamentos interpessoais e baixa produtividade no trabalho. Distúrbios relacionados ao uso de álcool e outras drogas também predominam entre os jovens a partir dos 15 anos. “Reconhecer que os transtornos mentais começam bem cedo pode ajudar na prevenção destes transtornos e é muito mais fácil prevenir quando se começa cedo”, diz Claudia Buchweitz, pesquisadora do Hospital Moinhos de Vento e da UFRGS.
O estudo também analisou as estatísticas de moralidade por suicídio entre jovens brasileiros. A taxa por 100 mil habitantes sobe de 1,24 na faixa dos 10 aos 14 anos para 13,43 entre os 24 e 29 anos. O levantamento calcula que todo ano são cerca de 5.402 mortes por suicídios entre pessoas de 10 a 29 anos no Brasil, sendo 77% delas entre jovens do sexo masculino.
A pesquisadora observa que a alta incidência entre meninos jovens pode ser combatida com redes de amparo e discussões voltadas a esse dado demográfico com a participação de profissionais de saúde mental. Claudia Buchweitz lamenta a lacuna de políticas públicas como enfoque na saúde mental de crianças e adolescentes no país. “Seria interessante ter uma inclusão mais clara dos transtornos mentais nas políticas públicas e o pensamento de relacionar a saúde física com a saúde mental”, acrescenta.
O estudo aponta, ainda, uma brecha nos dados sobre saúde mental entre jovens no Brasil. A maioria das informações utilizada no relatório foi extraída do Rio Grande do Sul e São Paulo. É preciso acolher e cuidar de nossas crianças e jovens. Cada vez mais.
