A Polícia Civil deflagrou, nesta terça-feira, 11, a Operação Mezenga voltada ao combate contra uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. Coordenada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) de Sant’Ana do Livramento, a ofensiva ocorre em municípios da Fronteira Oeste e também dentro de unidades prisionais.
Ao todo, são cumpridas 30 ordens judiciais: 14 mandados de prisão preventiva e 16 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de contas e de ativos financeiros vinculados aos investigados. As medidas são executadas em Livramento, Quaraí, Alegrete e em estabelecimentos do sistema penitenciário.
A investigação começou em agosto de 2025 e reuniu informações de natureza policial, documental, material, financeira e telemática. Segundo a Polícia Civil, os elementos obtidos apontaram para uma estrutura criminosa hierarquizada, dividida em diferentes núcleos e com funções específicas. Entre elas estariam a liderança do grupo, a gerência territorial, a logística e distribuição de drogas, a arrecadação de valores e a movimentação de recursos supostamente provenientes das atividades ilícitas.
Um dos principais focos da investigação foi o fluxo financeiro atribuído aos integrantes da organização. A análise alcançou aproximadamente R$ 100,75 milhões em movimentações financeiras, com um elevado percentual de operações considerado atípico pelos investigadores. Em uma etapa mais aprofundada da análise bancária e fiscal, foram identificados cerca de R$ 39,4 milhões em movimentações brutas, considerando créditos e débitos relacionados a investigados diretamente ligados à estrutura apurada.
A investigação também reuniu elementos relacionados à apreensão de entorpecentes, dinheiro, arma de fogo e munições. Entre os materiais encontrados estão balanças de precisão, prensas e equipamentos que, segundo a Polícia Civil, seriam utilizados na preparação, no fracionamento e no acondicionamento das drogas. Informações extraídas de aparelhos celulares e outros dados de natureza telemática e financeira também fazem parte das provas reunidas ao longo da apuração.
Parte dos mandados é cumprida em estabelecimentos prisionais. De acordo com a investigação, mesmo após o ingresso no sistema penitenciário, alguns suspeitos teriam mantido influência e capacidade de atuação sobre as atividades do grupo. Por isso, foram realizadas buscas e prisões de investigados que já estavam recolhidos.
A operação conta com apoio das Delegacias de Polícia Regionais de Alegrete, Santiago e Bagé, além da Polícia Penal e de policiais civis das unidades que integram a 12ª Região Policial. A mobilização permitiu o cumprimento simultâneo das medidas em diferentes municípios e no sistema prisional.
Além das prisões e apreensões, a Operação Mezenga busca atingir a estrutura financeira, logística, operacional e patrimonial da organização investigada. A intenção é interromper a atuação dos diferentes núcleos apontados pela investigação e dificultar a circulação e a ocultação de recursos supostamente obtidos com o tráfico de drogas.
A investigação segue em andamento. A Polícia Civil deverá analisar o material apreendido, incluindo dispositivos eletrônicos e documentos, além dos dados financeiros obtidos durante a operação. Novas medidas poderão ser adotadas a partir dos elementos encontrados nesta terça-feira.

