Jornalista/gilbertojasper@gmail.com
Até hoje, aos 66 anos, não sei andar de bicicleta.
Durante muito tempo tive vergonha de admitir, mas com a idade, a gente se conforma, perde a inibição de assumir frustrações e seguir em frente.
Quando era piá, tentei várias vezes domar o veículo de duas rodas. Mas na minha casa só tinha uma bicicleta velha, grande e enferrujada. Depois de uma série de tombos, vários hematomas e muito merthiolate, desisti da empreitada.
Até hoje também não sei cozinhar, mexer no computador e no celular – faço apenas o básico – além de uma série de outras tarefas que são cotidianas para a maioria das pessoas.
Dificilmente tentarei aprender a andar de bike. Uma queda nesta idade inviabilizaria várias outras tarefas corriqueiras. Entre elas, fazer aulas de “educação física”, como costumo dizer à minha filha, quando me refiro às sessões com o amigo Anderson Muccilo de Souza, nosso personal training.
Faço este preâmbulo para tratar do processo didático em geral, desde caminhar e falar até aprender a investir as economias de uma vida inteira para garantir uma velhice digna. Tentativa-e-erro constituem a base do aprendizado, mas o mundo tem cada vez menos paciência com as falhas humanas.
“Errar é humano”, mas erros, neste apogeu da tecnologia, quase sempre são castigados nos mais variados segmentos da atividade humana. No sábado retrasado, um ameno dia de sol aberto, cometi um pequeno deslize no trânsito. As ruas estavam calmas, eram 7h da manhã. Apesar da aparente tranquilidade do final de semana, minha falha desencadeou um imediato processo de “auto-vergonha” e reconhecimento.
Emparelhei com a “vítima” da minha barbeiragem, baixei o vidro e comecei o processo de pedido de desculpas, mas fui bruscamente interrompido. A reação do motorista me assustou. Ele des-feriu um festival de xingamentos, palavrões e ofensas jamais vistos por mim nestes mais de 50 anos de volante.
Uma amiga que me acompanhava no deslocamento insistiu, várias vezes comigo, para que eu ficasse quieto:
– Gilberto, não adianta. Ele não está te ouvindo. Está furioso, cheio de raiva e daqui a pouco é capaz de descer e te agredir – repetia a caroneira.
Graças a Deus o furioso condutor não tentou uma vingança, algo comum nas ruas. Mas refleti como o erro custa cada vez caro. Em tudo!
