A VIAGEM DA VIDA

Por Gilberto Jasper

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A vida é uma viagem, cujo final é impossível prever. Nesta jornada cruzamos por inúmeros personagens, desde a infância até a velhice. Na trajetória terrena é raro nos debruçar em reflexões para recordar quem influenciou para forjar a nossa personalidade.
Na tenra idade costuma-se nutrir profunda admiração pelos pais e professores. No ainda pequeno universo eles são figuras que transmitem paz, segurança e fornecem orientação para enfrentar as novidades do cotidiano.
Já na adolescência, questionamentos e dúvidas têm mais espaço que as certezas. Mesmo assim, temos certeza de que em vários temas somos dotados de sabedoria. É comportamento típico da idade. Os argumentos nem sempre são lastreados pela lógica, inteligência ou experiência. Defendemos os pontos de vista com veemência e até certa arrogância. Nossos ídolos são artistas, celebridades ou amigos que desafiam a ordem estabelecida.
A idade adulta exige de nós sobriedade, mas isso nem sempre é possível. É nesta fase que precisamos fazer escolhas importantes, como a busca da profissão, do (a) parceiro (a) de vida a dois. São decisões que se imiscuem no cotidiano, bagunçando nossa tranquilidade. Curtimos pessoas com sucesso profissional, amigos de vida sólida – emprego seguro, patrimônio com carro e imóvel próprios – e que causam certa inveja.
Na maturidade admiramos gente que envelheceu com dignidade. Que não abre mão da modernidade e da tecnologia, mas sem renunciar a princípios e valores herdados da família e forjamos ao longo da vida. Decepções, projetos frustrados, amores não correspondidos e ingratidão de todo tipo nos tornam “cascudos”, dotados de couraça protetora, raramente perpassada.
Em todas as etapas desta viagem temos personagens inspiradores. São figuras que nos ensinaram a amar, agradecer e perdoar, cortar ou reatar laços, cair, levantar, recomeçar. Pensar no passado não é saudosismo ou amargura. É busca da origem de nossa personalidade, com nuances de qualidade e defeitos.
É sempre desafiador fazer uma análise desapaixonada de nós mesmos. Refletir sobre nossa trajetória, se causa certa dor, também escancara os porquês do que somos.

Jornalista/gilbertojasper@gmail.com

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