A sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Sant’Ana do Livramento, realizada nesta segunda-feira, 6, foi marcada por um intenso embate entre as vereadoras Juliana Lemos (PT) e Eva Coelho (PL). A discussão teve como ponto de partida um vídeo publicado por Eva nas redes sociais, no qual a parlamentar relata ter atingido uma de suas cadelas, chamada Maristela, com um cabo de vassoura durante uma briga entre cães. O caso gerou repercussão e motivou uma nota de repúdio da Associação Santanense de Proteção aos Animais (Aspa) do qual Juliana também faz parte.
Na tribuna, a vereadora Juliana criticou a postura da colega e afirmou que a divulgação do episódio nas redes sociais reforça um comportamento incompatível com a responsabilidade de um agente público. Segundo a parlamentar, a própria narrativa apresentada por Eva levanta indícios de maus-tratos e possível omissão de socorro, especialmente diante da informação de que o animal teria apresentado salivação após o golpe.
Juliana também destacou que pessoas que ocupam cargos públicos devem dar exemplo à comunidade e questionou como o Legislativo poderá cobrar rigor na fiscalização de crimes contra animais se situações como essa forem relativizadas. A vereadora defendeu que o caso seja apurado pelos órgãos competentes.
Em resposta, durante a manifestação de liderança, Eva Coelho afirmou que agiu em uma situação extrema para impedir que seus cães se matassem. A parlamentar explicou que estava sozinha em casa, acompanhada apenas do irmão, pessoa com deficiência, e que utilizou o cabo de vassoura como forma de interromper uma briga violenta entre os animais.
Eva sustentou que jamais teve a intenção de maltratar a cadela e afirmou que suas declarações na transmissão ao vivo foram feitas em um momento de forte abalo emocional. Segundo ela, seus animais recebem alimentação adequada, acompanhamento veterinário e vacinação em dia. A vereadora também declarou que assumiu a responsabilidade pelo ocorrido desde o primeiro momento e que não tentou esconder os fatos.
Na réplica, Juliana rebateu a justificativa apresentada pela colega e afirmou que existem métodos mais seguros para separar cães em conflito, sem recorrer à violência física. A parlamentar citou técnicas de manejo e alternativas que podem ser utilizadas para interromper brigas entre animais, defendendo que o episódio exige reflexão e responsabilização.
O caso segue sendo acompanhado por entidades de proteção animal e pelas autoridades competentes, que avaliam as circunstâncias do ocorrido e as condições de saúde dos animais envolvidos. Até o encerramento da sessão, não havia confirmação da abertura de procedimento formal relacionado ao episódio.
