Chega de fazer de contaMais uma vez, a Seleção Brasileira decepcionou. A derrota para a Noruega não é apenas um resultado esportivo. É um retrato simbólico de um país que, há muito tempo, acostumou-se a aceitar que a aparência vale mais do que a realidade.
Durante décadas, o Brasil foi sinônimo de excelência no futebol. Hoje, acumulamos justificativas, discursos e promessas, enquanto os resultados ficam cada vez mais distantes da nossa história.
Talvez seja exatamente essa a principal lição que o futebol nos oferece.
Não se vence apenas com tradição. Não basta vestir uma camisa pesada ou viver das glórias do passado. É preciso organização, mérito, planejamento, liderança e compromisso com resultados.
O mesmo vale para o Brasil.
Somos um país com uma das agriculturas mais eficientes do planeta, mas que insiste em tratar o agro como um problema, quando deveria enxergá-lo como uma de suas maiores soluções para gerar riqueza, emprego e desenvolvimento.
Somos uma nação de empreendedores que enfrentam diariamente burocracia, insegurança jurídica e uma carga tributária sufocante, enquanto o Estado cresce sem entregar serviços na mesma proporção.
Assistimos, há anos, a sucessivas ondas de corrupção, desperdício de recursos públicos e promessas que nunca se concretizam. E, muitas vezes, nos acostumamos a isso como se fosse inevitável.
Não é.
O Brasil precisa parar de maquiar seus problemas. Não adianta trocar o técnico se o modelo continua errado. Não adianta mudar os discursos se as práticas permanecem as mesmas.
Precisamos recuperar o valor do mérito, da responsabilidade, da liberdade para produzir e da boa gestão dos recursos públicos. Precisamos de instituições fortes, de segurança jurídica e de um ambiente que premie quem trabalha, investe e gera oportunidades.
Nenhuma seleção volta a ser campeã apenas porque um dia foi. Nenhum país se torna desenvolvido vivendo das lembranças de seu potencial.
O Brasil continua sendo um gigante. Tem território, recursos naturais, um povo trabalhador e uma capacidade extraordinária de produzir riqueza. Mas potencial, sozinho, não vence partidas nem transforma nações.
Talvez a derrota da Seleção sirva como um alerta.
Chega de fazer de conta.
Chega de acreditar que marketing substitui competência.
Chega de imaginar que narrativas resolvem problemas reais.
O Brasil precisa voltar a jogar para vencer. E isso começa quando deixamos de aceitar a mediocridade como destino e voltamos a exigir seriedade, eficiência e resultados.
O verdadeiro adversário nunca foi a Noruega.
É a nossa acomodação.
Jerônimo Goergen
Advogado
