O pré-candidato ao governo do Estado, Luciano Zucco (PL), visitou na manhã desta quarta-feira (24) a unidade da CMPC, em Guaíba, onde foi recebido pelo diretor-geral da companhia no Brasil, Antônio Lacerda, e pelo diretor de Infraestrutura do Projeto Natureza, Otemar Alencastro. Durante o encontro, Zucco conheceu detalhes das operações da empresa no Rio Grande do Sul e reiterou seu apoio ao Projeto Natureza, empreendimento estimado em cerca de R$ 27 bilhões que prevê a construção de uma nova fábrica de celulose em Barra do Ribeiro e representa o maior investimento privado da história do Estado.
Ao destacar a importância do projeto para a geração de emprego, renda e arrecadação, Zucco afirmou que o Rio Grande do Sul não pode transmitir insegurança a quem deseja investir. Segundo ele, a situação enfrentada pela CMPC tornou-se um símbolo das dificuldades criadas por impasses jurídicos que acabam afastando oportunidades de desenvolvimento. “Não podemos correr o risco de perder um investimento histórico por conta de uma insegurança jurídica permanente. O Rio Grande do Sul precisa ser um ambiente confiável para quem quer empreender, gerar empregos e produzir riqueza. Trabalhar para garantir mais segurança nesse aspecto é um dos nossos compromissos”, afirmou.
O Projeto Natureza deve gerar, em média, 7 mil vagas de emprego durante toda a construção, com pico de 12 mil vagas em uma das fases. Durante a operação, serão 1,5 mil empregos permanentes na nova planta industrial. Somam-se, ainda, mais de 30 mil empregos induzidos em diferentes setores da economia gaúcha. A iniciativa também deverá ampliar significativamente a arrecadação dos municípios da região, com estimativa de R$ 611 milhões em impostos municipais nos primeiros dez anos de operação e crescimento de até 300% na arrecadação de Barra do Ribeiro.
O empreendimento terá capacidade para produzir até 3 milhões de toneladas de celulose por ano. A CMPC também prevê investimentos de pelo menos R$ 85 milhões em Barra do Ribeiro para qualificação da infraestrutura urbana e preparação do município para receber o novo ciclo de desenvolvimento econômico.
Durante a visita, os dirigentes da companhia falaram sobre a importância da logística para a competitividade do setor, especialmente em relação ao uso das hidrovias e à malha ferroviária. A previsão é que 95% da produção de celulose do Projeto Natureza seja transportada por hidrovias, reduzindo custos, diminuindo o fluxo de caminhões e ampliando a eficiência logística da operação.
Zucco afirmou que a logística será uma das prioridades de seu governo. “Nosso plano prevê um choque de infraestrutura. Hoje temos rodovias sobrecarregadas, uma malha ferroviária que encolheu de 3 mil para cerca de 900 quilômetros nos últimos anos e hidrovias que poderiam ser melhor aproveitadas. O Rio Grande do Sul precisa voltar a pensar estrategicamente sua logística. Precisamos integrar os modais para reduzir custos, aumentar a competitividade das empresas e preparar o Estado para receber novos investimentos”, destacou.
Impasse
O avanço do Projeto Natureza enfrenta atualmente um impasse relacionado ao processo de licenciamento ambiental. O Ministério Público Federal (MPF) defende a suspensão da tramitação sob o argumento de que seria necessária a realização de consulta prévia, livre e informada a comunidades indígenas, quilombolas e pescadores artesanais potencialmente impactados pelo empreendimento, conforme previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Porém, a CMPC vem cumprindo todas as exigências estabelecidas pelos órgãos ambientais competentes. A indefinição jurídica pode comprometer a concretização do investimento, o que representaria uma perda econômica e social gigantesca para o RS, especialmente para as regiões Sul e Costa Doce.
Moção de repúdio
Entre as ações de apoio e manifestações políticas para a implementação do Projeto Natureza, Zucco também aprovou na Câmara dos Deputados uma moção de repúdio diante da demora e da insegurança que cercam o processo de licenciamento do Projeto Natureza em virtude da postura do MPF. Para o parlamentar, respeitar a legislação ambiental e garantir o crescimento econômico não são objetivos incompatíveis. “O Rio Grande do Sul não pode perder um investimento desta magnitude por excesso de burocracia ou insegurança jurídica. Precisamos dar previsibilidade a quem quer investir, gerar empregos e ajudar a reconstruir a economia gaúcha”, concluiu.

