Sempre que leio notícias sobre o analfabetismo do Brasil tento imaginar a vida “como ela é de verdade”. Ler e escrever é o sufici-ente? A taxa de analfabetismo no Brasil entre pessoas com 15 anos ou mais é de 5,3%. Isso representa um total de 9,1 milhões de pessoas que não sabem ler ou escrever.
Alienação e informações pouco confiáveis são chagas do mundo moderno. Poucos têm consciência de que a gastança em publicidade dos governos federal e estadual é bancada com o nos-so dinheiro, dos impostos, taxas e tributos que só amentam.
No RS temos centenas de famílias que moram na casa de fa-miliares e amigos pelas enchentes de 2023 e 2024. Mesmo assim, a “realidade” vendida pelos órgãos oficiais é muito diferente do que acontece na vida real.
O endividamento, fruto do estímulo ao consumismo e facilida-de de crédito, é outra praga. O endividamento atingiu 81,7 milhões de brasileiros, recorde histórico de 80,9% das famílias brasileiras com algum tipo de dívida. Os dados refletem o cenário atual monito-rado pela pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e o Mapa da Inadimplência da Se-rasa.
Os bancos com apoio do governo federal oferecem crédito consignado, uma armadilha em que as parcelas são descontadas do contracheque. Em muitas famílias esta negociação é feita pelos filhos de idosos que cedem a senha do INSS. O resultado é o endi-vidamento involuntário que inviabiliza a vida de quem trabalhou a vida toda.
Pouca gente – ou ninguém – verifica no cupom ou nota fiscal o valor de impostos embutidos no preço final das mercadorias ou serviços. Não existe interesse dos órgãos públicos em estimular es-ta consciência porque a ignorância alimenta governantes que op-tam pela gastança irresponsável ao invés de zelar pela educação da população.
Introduzir a disciplina de educação financeira é uma medida urgente, mas não se vê movimento neste sentido. A esquerda bra-sileira costuma dizer que se trata de uma atitude “burguesa e con-servadora de quem pretende impedir que os pobres gastem o seu dinheiro”. A realidade, no entanto, mostra que é exatamente o con-trário.
Se nossos filhos tivessem noção do custo do dinheiro, certa-mente não teríamos tantos endividados.
Gilberto Jasper
*Jornalista/gilbertojasper@gmail.com
