Edição de Chico Bruno
MANCHETES DOS JORNAIS
FOLHA DE S.PAULO – Guerra e El Niño elevam estimativa da inflação dos alimentos a 7%
O ESTADO DE S.PAULO – ONGs fazem operações cruzadas com verba de emendas de vereadores
Valor Econômico – Piora do ambiente econômico causa forte estresse no mercado de juros
O GLOBO – Brasil busca diálogo com EUA para rastrear crime financeiro e vê chance de reduzir tarifa
Correio Braziliense – Disputa eleitoral sai às ruas com a Marcha para Jesus
Destaques de primeiras páginas, fatos e bastidores mais
importantes do dia
JUNÇÃO perigosa – Economistas aumentaram as projeções para a inflação dos alimentos no país em 2026. A revisão para cima está associada aos impactos da guerra no Irã e à ameaça do fenômeno climático El Niño a partir do segundo semestre. As estimativas de instituições financeiras consultadas pela Folha apontam alta a partir de 7% para os preços da alimentação no domicílio no acumulado deste ano. “Estamos falando de uma tempestade perfeita para a inflação de alimentos. São vários choques”, diz o economista-chefe do grupo CVPAR, Marcelo Fonseca. A perspectiva é de uma forte aceleração frente a 2025, quando a inflação dos produtos consumidos em casa teve trégua, fechando em 1,43%. Caso as projeções se confirmem, a variação dos preços esperada para 2026 será a maior desde 2024, quando ficou em 8,23%. Na mediana, as estimativas do mercado financeiro apontam IPCA de 5,09% no acumulado de 2026, conforme o boletim Focus, divulgado pelo BC (Banco Central). Esse número está em alta há 12 semanas consecutivas.
EMENDAS cruzadas – Entre 2020 e 2025, um grupo de organizações não governamentais movimentou ao menos R$ 9,8 milhões – verbas recebidas por emendas de vereadores paulistanos – em uma rede de contratos cruzados, com transações e despesas recíprocas entre entidades nas execuções de projetos sociais. O levantamento do Estadão foi feito em 120 prestações de contas de convênios entre seis ONGs e a Prefeitura de SP. As transações envolvem tanto as entidades quanto empresas ligadas a seus dirigentes. A subcontratação, por parte de ONGs, de empresas de seus próprios dirigentes é proibida, inclusive se ocorrer de modo “cruzado”. As prestações de contas analisadas envolvem emendas indicadas por 17 vereadores, secretários e ex-titulares de pastas do Executivo municipal. Os dirigentes de institutos alegam não haver contratos cruzados, mas uma atuação conjunta entre organizações parceiras. As ONGs não se manifestaram.
MERCADO estressado – O mercado de juros viveu momentos de estresse intenso e terminou a quarta-feira com as taxas futuras nos maiores níveis do ano. Os juros em alta no exterior se somaram à piora na percepção de risco local e geraram uma forte reprecificação em relação aos rumos da política monetária. Nesse ambiente, instituições financeiras passaram a ver espaço bem menor para cortes na Selic, atualmente em 14,5% ao ano.
Todos os vencimentos da curva de juros no mercado doméstico encerraram a sessão de quarta-feira acima de 14% – a taxa do DI para janeiro de 2029, por exemplo, subiu de 14,055% para 14,375%. O estresse nos juros se espalhou: o dólar avançou 1,15%, a R$ 5,0665, e o Ibovespa recuou 2,22%, voltando aos 170.331 pontos. No exterior, houve movimento semelhante, mas menos intenso. A curva de juros dos EUA contém chance de pelo menos uma alta nas taxas até o fim do ano.
BUSCA de um papo reto – Mesmo com ruídos na relação com a administração Trump, o Brasil quer fortalecer a colaboração na luta contra o crime organizado. O Secretário da Receita Federal (FEA), Robinson Barreirinhas, disse ao GLOBO que uma missão está planejada para este mês para intensificar a troca de informações com o IRS, a Receita Americana, sobre o Patrimônio dos brasileiros nos Estados Unidos. Em outro frente, o ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira afirma que os argumentos dos Estados Unidos por novos impostos sobre produtos brasileiros não são legítimos e afirma ter ouvido o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, que está pronto para conversar.
TUDO misturado – Diante de milhares de evangélicos em São Paulo, na Marcha para Jesus, pré-candidatos à Presidência, como Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD), buscaram apoio para o pleito de outubro. “É a maior resposta que nós podemos dar ao mundo do mal, que vai ser expulso do governo deste Brasil”, discursou o filho 01 do ex-presidente Bolsonaro. Caiado também criticou o atual governo: “Vamos devolver o Brasil aos brasileiros de bem”. O presidente Lula enviou ao tradicional evento Jorge Messias, que teve o nome rejeitado para o STF, e atacou os rivais em conversa por celular, em viva voz. “Eu não participo de nada religioso em época de eleição, porque eu não quero passar a ideia de que estou tentando tirar proveito político de uma coisa sagrada”. Essa foi a 34ª edição da Marcha para Jesus. De acordo com o Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e a ONG More in Common, 33,8 mil pessoas participaram do ato. Como a margem de erro é de 12%, havia entre 29,8 mil e 37,8 mil participantes às 10h20, horário de pico entre concentração e deslocamento.
REAPROXIMAÇÃO entre Flávio e Tarcísio – A Marcha para Jesus marcou a aparente reaproximação de Flávio Bolsonaro com Tarcísio de Freitas, pré-candidato à reeleição ao Governo de São Paulo. A relação entre os dois estava estremecida desde as revelações de que Flávio negociou R$ 134 milhões com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, supostamente para custear o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente. Na ocasião, o governador de São Paulo disse que o senador tinha de se explicar sobre o pedido de dinheiro ao banqueiro. Na semana passada, Tarcísio saiu em defesa da Polícia Civil de São Paulo, criticada por Flávio após a operação deflagrada contra o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG presidida por Karina da Gama, produtora de Dark Horse. As suspeitas são de fraude em um contrato firmado com a Prefeitura de São Paulo para a instalação e manutenção de rede wi-fi na capital paulista.
FLÁVIO: “Eu sou uma pessoa correta” – O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou existir “climão” no trio elétrico reservado para autoridades na Marcha para Jesus, em São Paulo. Ele divide o trio elétrico com o advogado-geral da União, Jorge Messias. “Isso aqui não é um movimento político, estou aqui porque sou um cristão evangélico. (…) Não tem ‘climão’ nenhum aqui, estamos aqui no meu propósito que é Deus no comando”, disse. Em uma rápida fala para jornalistas, Flávio voltou a dizer que a família dele é vítima de uma perseguição e que isso estaria sendo vivido pelos brasileiros. Ao acusar o governo de suposta censura, o senador afirmou que a Marcha para Jesus, que concentra fiéis na Zona Norte da capital paulista, estaria “irritando muita gente do lado de lá”.
MORDIDA nos impostos – Três partidos vão morder cerca de 40% do Fundo Eleitoral, que este ano será de R$ 4,9 bilhões. O PL levará a fatia maior, de R$ 881,6 milhões. Em seguida aparecem o PT, com R$ 615,3 milhões, e o União Brasil, com R$ 526,2 milhões. Os valores para cada uma das 30 legendas do país foram divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na noite de quarta-feira. Com a divisão do bolo, a federação União Progressista (forma da pelo União Brasil e pelo PP) terá à disposição quase R$ 1 bilhão do montante do oficialmente chamado Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) para as eleições deste ano. O cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), destacou que a concentração de recursos do Fundo Eleitoral em poucos partidos empodera os líderes das legendas.
TRIO decide – Recém-empossado na presidência da Corte, Nunes Marques editou, no fim de maio, uma resolução que concentrou nele e nos ministros André Mendonça, vice-presidente, e Estela Aranha a análise de ações sobre propaganda eleitoral durante a campanha presidencial. Caberá ao trio decidir sobre pedidos das campanhas contra propagandas de adversários e analisar solicitações de direito de resposta apresentadas ao longo da disputa eleitoral.
MARQUES e ações sobre Dark Horse – O presidente do Tribunal Supe rior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, será o relator de duas ações relacionadas ao filme Dark Horse e de uma terceira sobre a pesquisa AtlasIntel que mencionava áudios do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviados ao banqueiro Daniel Vorcaro. Os processos discutem possível abuso econômico e político ligado ao financiamento e à exibição do longa sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e suposto direcionamento eleitoral na pesquisa eleitoral. Na ação que questiona a pesquisa da AtlasIntel, movida pelo PL, a legenda sustenta que o levanta mento teria induzido os entrevistados contra Flávio Bolsonaro ao reproduzir, em um dos questionários, o áudio de uma conversa dele com Vorcaro, em que o parlamentar pede apoio financeiro para, supostamente, custear a cinebiografia. Segundo os advogados do partido, oito das 48 perguntas da pesquisa tratavam do suposto envolvimento de Flávio com Vorcaro, o que configuraria “claro induzimen to” do eleitorado. Na ocasião, o levantamento mostrou que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro caiu seis pontos porcentuais desde abril e apareceu com 41,8% das intenções de voto contra 48,9% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno presidencial.
AGORA, faz sentido – Muita gente no BRB achava estranho quando Paulo Henrique Costa dividia as operações do banco com o Master em parcelas inferiores, mas não desconfiava que era de caso pensado para burlar os processos de controle. Depois que a história dos apartamentos veio à tona, a decepção por ali foi grande.
SEM clima – A avaliação geral é a de que dificilmente PHC terá um ambiente amistoso e cordial para, talvez, quem sabe, um dia, voltar a trabalhar na Caixa ou em qualquer outro estabelecimento ligado ao mercado financeiro. Melhor mudar de ramo, conforme aconselham alguns advogados.
VAI ter que mudar – Será necessário muito mais do que um projeto de lei para conceder alguma isenção capaz de ajudar os micros e pequenos empreendedores na implementação do fim da escala 6×1. É que a reforma tributária veda novas isenções fiscais. Dentro do Senado, há quem defenda que é preciso votar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para viabilizar essa saída ao empresariado.
POR falar em 6×1… – O governo ficou preocupado ao ver presidente, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmar que encaminhará a PEC para a Comissão de Constituição e Justiça. E, como não quer esperar para votar a proposta que muda a escala de trabalho, vai propor ao comandante da Casa que junte o texto aprovado na Câmara à PEC do senador Paulo Paim (PT-RS), que está pronta para ser votada em plenário. Seria uma forma de encurtar o tempo de tramitação no Senado. Alcolumbre resiste a essa solução.
CERCO às piratas – Com a sanção do “Marco Legal de Combate ao Mercado Ilegal de Jogos e Apostas” nesta semana, a expectativa do governo e do setor é sufocar financeiramente as plataformas ilegais de apostas. Agora, as operadoras de cartões de crédito devem identificar todas as transações com as casas de apostas irregulares, ou seja, as que estão fora da listagem da secretaria de prêmios e apostas.
MELHOR evitar – Ao transmitir uma live onde andava no meio da multidão durante a 34ª Marcha para Jesus em São Paulo, apoiadores de Flávio pediram nos comentários que não fizesse isso e lembraram do atentado contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Alguns até perguntaram sobre o colete à prova de balas que o senador usava por baixo da camiseta.
HOMENAGEADO I – No último dia do XIV Fórum de Lisboa, 15 magistrados e políticos se juntaram em torno do ex-presidente Michel Temer, para marcar os 10 anos de sua ascensão ao Planalto. Logo depois do almoço, o ex-presidente posou para fotos, ladeado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, seu ex-ministro da Justiça, indicado por Temer ao Supremo. E, ainda, o vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Luís Salomão, e o corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell, do STJ, além dos aliados Carlos Marun, ex-ministro-Chefe da Secretaria de Governo, e Henrique Pires, advogado e ex-presidente da Funasa.
HOMENAGEADO II – No almoço, Temer recebeu uma placa com os dizeres “único jurista empossado com supremo magistrado da nação brasileira após a promulgação da Constituição Cidadã de 1988”. E, ainda, “pela passagem em 12/05/2026 dos 10 anos do início de seu governo”.
EDUARDO Bolsonaro sugere uso de sistema americano – Eduardo Bolsonaro sugeriu substituir o Pix pelo sistema americano Zelle, gerando críticas nas redes sociais. O deputado argumentou que o Zelle poderia ser usado em negociações com os EUA. A proposta surge em meio a tensões comerciais, com os EUA planejando tarifar produtos brasileiros. O governo brasileiro defende o Pix, enquanto críticos acusam os Bolsonaros de traição nacional.
DESAFIO de Flávio Bolsonaro – Estrategistas da pré-campanha de Flávio Bolsonaro consideram que, apesar dos pesares, ele não perdeu a preferência da maioria dos que escolheram Jair Bolsonaro na eleição de 2022, levando o então presidente ao segundo turno contra Lula. Por isso, todo o esforço agora é no sentido de manter esses eleitores fiéis ao clã. Não por acaso, os eventos do partido começam com exaltação ao ex-presidente, exibição de vídeos e áudios daquele que ainda é considerado o maior detentor de votos à direita. O difícil, avaliam alguns, será ultrapassar esse eleitorado, de forma a garantir uma vitória no segundo turno. Para que isso ocorra, será preciso se livrar das vinculações a Daniel Vorcaro e do “Tariflávio”, a cada dia mais forte na internet. Desde que vazaram os áudios em que Flávio Bolsonaro chama o ex-banqueiro Daniel Vorcaro de “meu irmão”, o pré-candidato ao PL à Presidência da República não conseguiu colocar sua pré-campanha em voo de cruzeiro. Quando achou que havia respirado com a visita a Donald Trump, terminou atropelado pelo novo tarifaço anunciado pelo governo Trump. E, para completar, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, ao tentar ajudar o irmão, complicou ainda mais ao citar o Zelle, o sistema de pagamentos privado que funciona somente no sistema bancário norte-americano, em alguns bancos filiados. Já o Pix brasileiro é público, universal e gerido pelo Banco Central do Brasil. Não demorou para que as redes taxassem o clã Bolsonaro como “entreguistas” e “inimigos do Pix”. Os estrategistas agora terão que quebrar a cabeça para tentar jogar mais esse problema para escanteio.
AGU na defesa de Moraes – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, autorizou a Advocacia-geral da União (AGU) a defender o ministro Alexandre de Moraes em um processo movido contra ele nos Estados Unidos pelo grupo Trump Média e a plataforma de vídeos Rumble. A decisão foi tomada depois de a Justiça norte-americana autorizar a notificação formal do magistrado sobre a abertura do processo, etapa que permite o avanço da tramitação no exterior.
EUA miram tributos de serviços digitais – O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou, ontem, que o governo norte-americano tem pressionado o Brasil e outros parceiros comer ciais contra a adoção de tributos conhecidos como Impostos sobre Serviços Digitais (DSTs, na sigla em inglês). Durante audiência na Câmara dos Representantes, Bessent citou nominalmente o Brasil ao comentar a estratégia de Washington para enfrentar iniciativas que, na visão dos EUA, afetam de forma desproporcional empresas norte-americanas de tecnologia. “Estamos pressionando, seja na Europa, no Brasil, na Índia ou no Canadá, contra esses impostos sobre serviços digitais”, declarou o secretário.
CLASSIFICAÇÃO de terrorismo começa a valer – A partir de hoje, as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) passam a ser classificadas como organizações terroristas pelo governo de Donald Trump. Desde que a decisão foi anunciada pelos Estados Unidos no último dia 28, o Brasil tem mantido conversas no nível diplomático para reverter a medida. Porém, o entendimento no Itamaraty é que, por ora, o republicano não deve voltar atrás.
“ARGUMENTOS não são legítimos” – O governo brasileiro intensificou a ofensiva diplomática para tentar barrar a imposição de novas tarifas sobre produtos nacionais pelos Estados Uni dos. Em Paris, durante reunião ministerial da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômi co (OCDE), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, encontrou-se rapidamente com o representante comercial da Casa Branca, Jamieson Greer, e ouviu do norte-americano que Washington pretende manter abertas as negociações. A conversa ocorreu em meio à escalada da tensão comercial entre os dois países, após a divulgação de relatórios do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) que recomendam novas sobretaxas sobre exportações brasileiras.
APTO. Emprestado – O senador Ciro Nogueira (PP-PI) pediu para continuar morando no apartamento de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, por mais “três ou quatro meses”, até a conclusão de obras em um imóvel comprado para a ex-namorada. A troca de mensagens entre os dois, revelada pela Revista Piauí, ocorreu antes da prisão de Vorcaro. Ciro foi alvo de operação da PF por suspeitas de irregularidades, incluindo viagens financiadas por Vorcaro.
