
A melhoria da infraestrutura logística e o avanço de projetos estratégicos para aumentar a competitividade da Serra Gaúcha dominaram o debate do Força Gaúcha realizado nesta sexta-feira (8), em Caxias do Sul. O encontro reuniu lideranças empresariais, representantes de entidades setoriais, integrantes do setor produtivo e de instituições de saúde, de educação e da segurança pública para discutir prioridades regionais e apontar soluções que irão contribuir para a construção do plano de governo do pré-candidato ao Piratini, deputado federal Luciano Zucco (PL).
Na abertura, o coordenador do plano de governo, Leonardo Pascoal (PL), afirmou que os encontros regionais têm como objetivo construir um projeto conectado às realidades locais e às demandas concretas de cada região do Estado. “Viemos aqui para escutá-los e será assim até o final desse processo, até julho. Queremos construir um programa efetivo, que ajude a resolver grande parte das demandas do Rio Grande do Sul”, destacou.
Zucco relembrou sua ligação familiar com a Serra Gaúcha e reforçou que o projeto está sendo estruturado a partir da escuta das lideranças regionais. “Meu pai é de Farroupilha, minha mãe de Bento Gonçalves, então tenho uma ligação muito forte com a Serra. Vivi aqui a minha infância”, relembrou. Zucco salientou que a aliança de centro-direita, formada pelo PL, Progressistas, Novo, Republicanos, Podemos e Democrata, está percorrendo o estado para entender as dores de cada região e ouvir as ideias das lideranças locais. “Sabemos que as realidades são diferentes e é justamente por isso que estamos aqui: para identificar gargalos e construir caminhos para solucioná-los”, afirmou.
O pré-candidato também voltou a mencionar a falta de articulação do governo gaúcho em Brasília nos últimos anos, especialmente em pautas ligadas à infraestrutura e aos investimentos. “O governador precisa ser um líder, dar rumo para o Estado e ter força política para defender os interesses do Rio Grande do Sul em Brasília”, projetou.
Porto de Arroio do Sal e aeroporto regional
As principais demandas apresentadas pelas lideranças da Serra envolveram obras de infraestrutura consideradas estratégicas para o desenvolvimento regional. O presidente da CICs Caxias, Ubiratã Rezler, defendeu a melhoria do ambiente de negócios e destacou que a infraestrutura precisa ser uma das principais bandeiras do próximo governo estadual. Entre as prioridades apontadas estão o Aeroporto de Vila Oliva, o Porto Meridional de Arroio do Sal, melhorias na Rota do Sol (RSC-453) e investimentos em novos modais de transporte, como a recuperação das ferrovias.
Na mesma linha, Rafael Colloda, presidente da CICS Farroupilha, reforçou a necessidade de melhorias permanentes nas rodovias da região, especialmente diante do crescimento econômico e turístico da Serra. Ele também citou a importância de garantir o cumprimento dos cronogramas de obras nos trechos concedidos, além de defender ações de resiliência climática, dragagens e medidas de desburocratização para acelerar investimentos.
Representando a Movergs, Euclides Longhi destacou a necessidade de um porto mais próximo da Serra, afirmando que grande parte da produção moveleira exportada por Bento Gonçalves sai atualmente por Santa Catarina. Ele também pediu redução de juros para financiamento de máquinas e tecnologia industrial, além de melhorias na sinalização e ampliação da Rota do Sol e avanços no projeto do aeroporto regional de Vila Oliva.
O tema da infraestrutura também foi reforçado pelo dirigente do Sindimadeiras, Edegar Grillo, que destacou a importância do Porto de Arroio do Sal para ampliar a competitividade das exportações do setor, enquanto Evandro Pezzi, do Sindipetro Serra Gaúcha, ressaltou o crescimento econômico de Santa Catarina em comparação ao Rio Grande do Sul.
Redução de filas entre as prioridades da saúde
Na área da saúde, a gerente administrativa do Hospital Geral de Caxias do Sul, Dalma Borges, apresentou preocupações relacionadas ao financiamento do SUS e à crescente demanda reprimida por consultas, exames e cirurgias especializadas. Segundo ela, os valores da tabela SUS não acompanham a evolução dos custos hospitalares, especialmente em áreas de alta complexidade como oncologia e cardiologia. Entre as sugestões apresentadas estão a integração regional dos sistemas de saúde e a estruturação de programas mais eficientes para redução de filas, especialmente de cirurgias.
Apoio ao setor vitivinícola
O setor vitivinícola também apresentou preocupações ligadas à competitividade e aos impactos climáticos. Jones Valduga, presidente da União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra), afirmou que o acordo entre Mercosul e União Europeia pode gerar desvantagens para a produção brasileira frente a mercados altamente subsidiados. Ele também defendeu a ampliação do acesso ao crédito, programas de renegociação, seguro agrícola e apoio ao setor pelos bancos regionais, BRDE e Badesul.
Mais efetivo para as forças de segurança
Lideranças da segurança pública, como o coronel Márcio Luz, da Brigada Militar, apontaram a necessidade de reforço nos efetivos policiais. O delegado regional da Polícia Civil Augusto Cavalheiro Neto destacou, entre outros, o “sonho” da construção de uma central de polícia em Caxias do Sul para qualificar o atendimento aos cidadãos, além da criação da segunda Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), especialmente diante do aumento dos casos de feminicídios.
Mão de obra qualificada
Entre outras demandas levantadas, esteve a importância da maior qualificação da mão de obra, mencionada pelo gerente do Sindicato das Empresas de Refeições Coletivas. Claudio Meneghel, do Sindicato Patronal das Indústrias de Material Plástico do Nordeste Gaúcho (Simplás), também destacou questões como a necessidade de uma política industrial coordenada e atenção a fatores estruturais, como a complexidade tributária, a burocracia e as limitações logísticas que reduzem a competitividade do setor.
Turismo entre as prioridades
No encerramento, Zucco afirmou que o turismo será uma das prioridades do projeto para o Rio Grande do Sul e será tratado como pauta estratégica. “Precisamos potencializar as vocações de cada região, fortalecer a divulgação dos nossos atrativos turísticos”. No entanto, ressaltou Zucco, esse desenvolvimento passa diretamente pela melhoria da infraestrutura. “Por onde temos passado ouvimos reclamações sobre a condição das rodovias e da perda de competitividade em função disso”, observou. “Estradas, aeroporto e mais um porto são fundamentais para garantir desenvolvimento, competitividade, mais geração de oportunidades e ampliar o acesso e a integração entre as regiões do Estado”, destacou.
O pré-candidato também reforçou que um eventual governo será baseado na escuta das lideranças regionais e das instituições representativas. “É essa partilha que qualifica o nosso projeto. Queremos construir ouvindo quem conhece a realidade de cada região e contando com a participação ativa das entidades nesse processo, porque é o povo que faz o Rio Grande”, completou.
