Por Kátya Desessards, de Porto Alegre/RS
O Encontro Nacional dos Multiplicadores de Sementes de Soja (ENSSOJA) 2026, realizado pela ABRASS (Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja), em Foz do Iguaçu, destaca o papel vital dos sementeiros como o grande diferencial competitivo do agronegócio nacional. Em um cenário onde o Cepea projeta uma safra recorde de 181 milhões de toneladas para 2026 (superando os 171,6 milhões de 2025), a figura do multiplicador surge como o elo que transforma a pesquisa genética em produtividade real no campo.
No Rio Grande do Sul, esse setor é responsável por sustentar cerca de 300 mil empregos. Hoje, o sementeiro fornece o insumo de maior valor para o agricultor, com sementes de alta qualidade que representam cerca de 10% do custo total da produção. No entanto, segundo o diretor da APASSUL (Associação dos Produtores e Comerciantes de Sementes e Mudas do RS) e CEO da Sementes Com Vigor (SCV) Pedro Basso, este investimento alinhado com as melhores tecnologias embarcadas, estão levando o máximo potencial produtivo para o agricultor, que assim, garante sua rentabilidade.
Durante os debates, entidades e produtores reforçaram que o Brasil só ocupa o posto de maior exportador mundial porque possui uma rede de multiplicadores capaz de entregar sementes de alto vigor e tecnologia. Esses profissionais são os responsáveis por adaptar a inovação global às realidades regionais, funcionando como um filtro de qualidade e eficiência. Pedro Basso, enfatiza que o multiplicador é o verdadeiro trunfo do setor. “O mercado global vive um ajuste de margens estreitas, por conta dos preços globais, e nesse cenário, o multiplicador de sementes de alta qualidade é a nossa maior vantagem competitiva. Estamos aqui estudando a geopolítica e os custos de produção porque entendemos que o nosso papel é garantir que o produtor brasileiro esteja no mesmo patamar — ou acima — do mercado internacional”, afirma Basso.
A programação do evento mergulha nas inovações que moldam o mercado de sementes no Brasil e no mundo. Além da tecnologia, a viabilidade econômica e a proteção do setor são prioridades. Questões como a alta dos custos de produção e os desafios legais envolvendo a semente salva e o combate à semente pirata são temas centrais nas paletas e debates. Para Pedro Basso, a profissionalização e a legalidade são indissociáveis do sucesso na lavoura. “Não basta apenas investir em genética de ponta; precisamos de segurança jurídica. O debate sobre semente salva e o combate rigoroso à semente pirata são pautas urgentes no ENSSOJA 2026. É essa estrutura de multiplicação legalizada e tecnológica que assegura uma safra superior e mantém a competitividade do Brasil lá fora”, reforça o executivo.

Pedro Basso, vice-presidente para Soja da APASSUL e Jean Cirino, diretor-executivo da Apassul.

Palestra sobre Benefícios do plantio do Soja.
