Jornal A Plateia – Rádio RCC – Santana do Livramento

sáb, 25 de abril de 2026

Com uma vida dedicada à enfermagem, Mirta Rubim valoriza o acolhimento e o vínculo com os pacientes

Onde o Cuidado não se Aposenta

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Quem entra na unidade de saúde em busca de acolhimento, muitas vezes encontra antes de qualquer medicamento o olhar atento de Mirta Rubim. Aos 50 anos na área, a técnica em enfermagem carrega nos gestos a segurança de quem atravessou quase cinco décadas entre prontuários, termômetros e, principalmente, pessoas. Prestes a encerrar seu ciclo de 24 anos como servidora pública municipal, ela não fala de trabalho apenas como tarefa, mas como uma extensão de quem é.

Das lições das Irmãs à Saúde Pública

A trajetória de Mirta começou em um cenário quase lúdico, mas rigoroso: a Santa Casa da época das freiras. Ali, como atendente, ela venceu o medo inicial sob a tutela das Irmãs, aprendendo que a técnica é vazia se não for acompanhada de carinho. O desejo de ir além a levou até Porto Alegre para buscar qualificação, mas foi em Sant’Ana do Livramento que ela fincou suas raízes mais profundas, acompanhando de perto a evolução da saúde na fronteira.

Hoje, sua rotina é o pulsar da comunidade. Na triagem, ela é o primeiro filtro e, muitas vezes, o primeiro alento. “A gente precisa ouvir”, resume ela. Para Mirta, o diagnóstico começa no vínculo e na capacidade de entender a dor do outro como algo que também nos pertence.

O peso e a leveza do jaleco

A enfermagem, no entanto, não é feita apenas de curas. Mirta guarda na memória as marcas dos corredores hospitalares e as situações em que o desfecho não foi o esperado. Com a honestidade de quem nunca deixou o profissionalismo endurecer o coração, ela admite: “Muitas vezes choramos com as famílias”. É essa humanidade, capaz de se envolver e sofrer junto, que a define “por trás do jaleco”.

O legado para os novos olhares

Embora a aposentadoria esteja no horizonte, Mirta ainda atua como uma ponte entre o passado e o futuro. Ao orientar estagiários, sua principal lição não é sobre dosagens ou procedimentos, mas sobre a ética do respeito. “Perguntem sempre, respeitem sempre”, aconselha.

A despedida, ela já sabe, terá o peso de uma vida inteira. “Vou sair com lágrimas nos olhos”, confessa, revelando que o trabalho nunca foi um fardo, mas sua forma de estar no mundo. Neste Dia do Trabalho, a história de Mirta Rubim é um lembrete de que certas profissões não são apenas empregos; são missões que, mesmo quando o contrato encerra, permanecem vivas em cada vida que ajudaram a salvar.


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