Existem diagnósticos que tentam traçar o destino antes mesmo de a vida começar. Quando Mariana Almeida Prado de Oliveira nasceu, a rara Síndrome da Deleção do Cromossomo 9p trouxe consigo uma nuvem de incertezas. Em Porto Alegre, aos dez dias de vida, os médicos não podiam garantir se ela falaria, caminharia ou enxergaria. Mas Mariana não veio ao mundo para ser limitada por estatísticas; ela veio para superá-las.
Hoje, quem entra na SulFrangos encontra uma jovem decidida, independente e contagiante. O medo do primeiro dia, que ela admite ter sentido, ficou para trás, substituído pela agilidade de quem aprendeu a empacotar e pela alegria de quem conquistou o seu espaço no caixa. “Eu fui com medo mesmo”, relembra Mariana, “mas tudo na minha vida mudou. Ser independente é muito bom”.
O trabalho como elo de afeto
Para Mariana, a empresa não é apenas um local de tarefas, mas uma extensão de seu lar. Ela chama os colegas de “irmãos do coração” e descreve a equipe como a “Família SulFrangos”, que a apoia nos dias bons e ruins. Esse processo de evolução também contou com o incentivo da psicopedagoga Letícia Coccio, que ajudou a ampliar seus horizontes dentro da empresa. Mariana deixou a recepção e passou a atuar em funções mais dinâmicas, demonstrando, na prática, sua capacidade de aprender e se desenvolver continuamente.
A independência com propósito
A maturidade de Mariana reflete-se em sua responsabilidade financeira. Ao receber o primeiro salário, a prioridade foi clara: “Mãe, minha obrigação agora é pagar minha capoeira”. Para ela, o trabalho é a chave que abre as portas de seus sonhos e de sua paixão pelo esporte.
Sua mãe, Jaqueline, não esconde o orgulho e a gratidão pela oportunidade dada pela gerência da SulFrangos. “Ela nos surpreende a cada dia. É uma vitória imensa ver a Mariana mostrando que é útil, ganhando o dinheiro dela e tendo uma vida normal, algo que lá no início ninguém sabia se seria possível”, emociona-se.
Um recado para o mundo
Mariana Almeida Prado personifica a essência deste Dia do Trabalhador. Sua trajetória é um lembrete de que o “depois” é incerto e que o momento de agir é agora. Com a sabedoria de quem venceu barreiras genéticas e sociais, ela deixa um conselho para todos:
“Trabalhem, sonhem e corram atrás dos seus sonhos. Aproveitem o momento e não deixem para depois, porque a vida é curta.”

