Jornal A Plateia – Rádio RCC – Santana do Livramento

dom, 19 de abril de 2026

Mirian Villagran a primeira-dama de Sant’Ana do Livramento possui um olhar voltado à escuta, ao acolhimento e à construção de uma cidade mais humana

Quando o cuidado vira política pública

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Assumir um novo lugar nunca é apenas uma mudança de função é, sobretudo, uma mudança de perspectiva. Para Mirian Villagran, o início de sua atuação como primeira-dama de Sant’Ana do Livramento representa exatamente isso: um deslocamento de olhar, de rotina e, principalmente, de responsabilidade com as pessoas.

A nova fase começou a partir de uma reconfiguração no cenário político local, quando o vice-prefeito Evandro, assumiu à chefia do Executivo. Ao lado dele, Mirian passou a ocupar um espaço que, para ela, vai muito além da representação institucional

Hoje a rotina de Mirian rotina está muito mais conectada com ouvir, acolher e buscar soluções coletivas. Na prática, isso significa estar presente, não apenas nos espaços formais, mas nas comunidades, nos bairros, nas escolas, nas unidades de saúde. Significa, sobretudo, ouvir histórias que muitas vezes não chegam aos gabinetes.

E é justamente dessa escuta que nasce o que ela define como um “novo olhar” sobre a cidade.

Um olhar que não se limita à gestão, mas que busca compreender o que está por trás de cada demanda. Um olhar que enxerga além do problema e tenta alcançar as realidades, as trajetórias e as dificuldades que fazem parte da vida de cada cidadão.

“Cada visita, cada conversa, mostra uma realidade diferente. Isso amplia nossa visão e reforça a importância de políticas públicas mais humanas”, afirma.

Essa construção não acontece de forma imediata. É um processo diário, feito de encontros, de relatos e, muitas vezes, de situações que deixam marcas.

Entre os primeiros dias de atuação, o que mais chama sua atenção é justamente o impacto que pequenas atitudes podem ter. “Às vezes, o que a pessoa precisa não é só uma solução técnica, mas atenção, respeito, um olhar”, pontua.

Nesse contexto, o conceito de escuta ganha um significado mais profundo.

Para Mirian, ouvir a comunidade vai muito além de abrir espaço para a fala. É transformar o que é dito em ação concreta. É registrar demandas, acompanhar necessidades e, principalmente, dar retorno.

“Quando a comunidade fala e não recebe resposta, a confiança se perde. Mesmo quando não é possível resolver tudo, explicar já é uma forma de respeito”, destaca.

Essa visão orienta a construção de sua identidade dentro do papel de primeira-dama. Um processo que, segundo ela, acontece naturalmente, a partir das escolhas diárias e da forma como se relaciona com a população.

Mais do que ocupar um espaço, trata-se de dar significado a ele.

A proposta é que o gabinete seja reconhecido como um lugar de acolhimento, proximidade e compromisso social,  uma ponte entre a gestão pública e as pessoas.

Mas esse olhar não surge do acaso.

Antes de chegar a esse momento, Mirian construiu uma trajetória marcada pela atuação como servidora pública, educadora especial, terapeuta integrativa e prestadora de serviço na área educacional. Experiências que, segundo ela, contribuíram diretamente para desenvolver sensibilidade e empatia.

“Ter vivido diferentes realidades me ajuda a lidar com as pessoas com mais respeito e menos julgamento”, afirma.

Fora do espaço institucional, ela se define por múltiplos papéis: mãe, esposa, filha, irmã. Uma mulher que valoriza a família, a fé e que carrega uma história simples, elementos que, hoje, também orientam sua forma de atuar.

Entre as áreas que mais a mobilizam, estão as ações voltadas à inclusão e à promoção da dignidade. Iniciativas que buscam não apenas atender necessidades imediatas, mas criar oportunidades reais de transformação.

É nesse cenário que projetos com caráter social e educativo ganham destaque, como as hortas comunitárias.

Mais do que garantir alimento, elas representam autonomia, aprendizado e fortalecimento de vínculos. “É um projeto que planta não só alimentos, mas também esperança”, define.

A atuação ativa da primeira-dama acompanha uma mudança mais ampla no próprio papel que essa função ocupa dentro da gestão pública.

Se antes era vista de forma mais simbólica, hoje passa a exigir presença, participação e responsabilidade social. Um papel que envolve articulação, escuta e, principalmente, ação.

“É ser um elo entre a gestão e a comunidade”, resume.

Conciliar essa rotina intensa com a vida pessoal não é simples. Mirian reconhece os desafios, especialmente diante da exposição e da necessidade de adaptação a um novo ritmo.

Ainda assim, destaca o apoio da família como base fundamental para seguir. “É o que me dá força para cumprir esse propósito com responsabilidade e coração”, afirma.

Ao olhar para frente, o que ela deseja construir é uma cidade mais acolhedora, onde as pessoas se sintam vistas, ouvidas e valorizadas.

Mais do que isso, quer despertar um sentimento de pertencimento.

A ideia é que cada cidadão se reconheça como parte da construção de uma Sant’Ana do Livramento melhor.

E, ao final dessa trajetória, o que espera deixar não está necessariamente em números ou projetos, mas na forma como se fez presente.

“Quero ser lembrada como alguém que fez a diferença e que tratou as pessoas com respeito e humanidade.”

Em um tempo em que a gestão pública enfrenta o desafio de se aproximar cada vez mais da realidade das pessoas, o olhar proposto por Mirian Villagran aponta para um caminho possível, aquele em que ouvir, acolher e cuidar deixam de ser gestos individuais e passam a fazer parte da própria política.

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