Jornal A Plateia – Rádio RCC – Santana do Livramento

seg, 13 de abril de 2026

Sant’Ana do Livramento volta à rota dos festivais nativistas com a estreia do Canto ao Pampa

Com mais de cem inscrições e casa cheia no CTG Fronteira Aberta, o evento marca o retorno da Fronteira da Paz ao circuito da música regional gaúcha.

Crédito: Miguel de Souza
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Sob o teto do Centro de Tradições Gaúchas Fronteira Aberta, o sábado, 11, foi de resgate histórico: a primeira edição do Canto ao Pampa recolocou a Fronteira da Paz no mapa da música nativista. O palco, que deu voz ao sotaque e ao cotidiano da campanha em doze composições inéditas, consagrou a música “Atulhado” como a grande vencedora do festival, garantindo o primeiro lugar e o troféu de Letra Mais Campeira.

O evento, que contou com o financiamento das leis de incentivo à cultura (Rouanet e Aldir Blanc), nasceu de um desejo antigo da entidade de preencher o vazio deixado por festivais históricos como o Martín Fierro.

Para o patrão do CTG Fronteira Aberta, Luiz Bottino, a realização do festival foi a materialização de um esforço coletivo para valorizar Livramento como um manancial de talentos. “O Canto ao Pampa é um objetivo, um sonho que a gente tinha: fazer um festival que falasse da nossa pampa, da nossa campanha gaúcha. Sant’Ana é um celeiro de músicos e escritores”, destacou Bottino.

O dirigente já projeta voos mais altos para as próximas edições, visando expandir a infraestrutura para comportar o público crescente. “A gente almeja que o Canto ao Pampa seja um desses festivais renomados do nosso estado. Quem sabe amanhã possamos desenvolvê-lo em um ginásio ou no Parque Internacional”, completou.

A tarefa de selecionar as músicas finalistas não foi simples. Com a regra de apenas uma composição por autor, o festival recebeu mais de cem inscrições, exigindo um critério rigoroso da comissão julgadora, formada por nomes de peso como Cristiano Quevedo, Rogério Villagran, Maria Alice, Analise Severo e Jean Kirchhoff.

Para Rogério Villagran, o diferencial desta primeira edição foi a fidelidade à alma da fronteira. “Aqui na região é notável que se vai ter composições com essa identidade mais fronteiriça, com temas que falam mais de campo, da nossa rotina campeira. O festival forja sua identidade a partir desse cuidado na triagem”, explicou o jurado.

A cantora Maria Alice, natural de Livramento e também integrante do júri, ressaltou a importância afetiva do evento. “Me enche de orgulho fazer parte de um marco tão importante para a minha cidade. A comunidade precisa abraçar esse festival para que ele cresça e continue valorizando o trabalho dos compositores de todo o estado”, afirmou.

Para os artistas, o Canto ao Pampa representou mais do que uma disputa por troféus. Cristiano Quevedo, que além de julgar realizou o show de encerramento, definiu o espírito do encontro como um ganho coletivo para a cultura latino-americana. “Avaliar a arte sempre é muito difícil. A gente está ali para escolher a música que vai representar o Canto ao Pampa durante sua trajetória. Um vai levar o troféu para casa, mas ninguém perde, todos nós ganhamos”, pontuou Quevedo.

O público, que teve entrada gratuita, acompanhou uma mescla de ritmos que culminou na entrega das premiações nas primeiras horas de domingo. Além de “Atulhado”, destacaram-se composições como “Florecita del Camalote” (2º lugar e Melhor Melodia) e “Me dá uma mão” (3º lugar e Melhor Arranjo).

O sucesso da primeira edição deixa um recado claro: a música nativista encontrou, novamente, um porto seguro nas coxilhas de Sant’Ana do Livramento.

 

Vencedores do 1º Canto ao Pampa

Categoria Vencedor
1º Lugar Atulhado
2º Lugar Florecita del Camalote
3º Lugar Me dá uma mão
4º Lugar Compromisso
Mais Popular Um Milongão de Fronteira
Melhor Letra Compromisso
Letra Mais Campeira Atulhado
Melhor Melodia Florecita del Camalote
Melhor Intérprete Angelo Franco
Melhor Instrumentista Guilherme Castilhos e Gabriel Belissaro
Revelação Bruna Gonçalves

 

 

 

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