Tramita na Assembleia Legislativa um projeto que prevê uma política estadual de grupos reflexivos para homens com histórico de violência contra a mulher. A proposta, do deputado Adão Pretto Filho (PT), surge em um momento de altos índices de casos de violência de gênero no Rio Grande do Sul. Somente em 2026, já foram confirmados 27 feminicídios, de acordo com os dados da Secretaria de Segurança Pública. Numa comparação com o mesmo período de 2025, houve um aumento de mais de 50%.
De acordo com o deputado Adão, a justificativa para o projeto está no baixo grau de reincidência de homens agressores que aderem a grupos reflexivos.
“Estudos apontam que a chance de um homem com histórico de violência contra a mulher voltar a cometer esse crime fica em torno de 5%. Já há experiências exitosas que nos dão embasamento para essa proposta”, explica.
Um dos exemplos é do Tribunal de Justiça do RS, que, há 15 anos, tem um núcleo voltado a grupos reflexivos, cuja reincidência ficou em 7%. Nesse período, aproximadamente 1000 homens passaram por esse processo, contando com o auxílio de profissionais de psicologia, direito, sociologia e assistentes sociais.
Na opinião do deputado, que é presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do RS, todos casos de violência contra a mulher têm que ser punidos no rigor da lei. Entretanto, ele defende que é melhor tratar o infrator enquanto cumpre a pena, para que, no momento de ressocialização, não volte a reincidir.
“O exemplo do projeto do TJ dos grupos reflexivos com baixíssimos índices de reincidência já dá uma amostragem de como é importante espalhar esse tipo de iniciativa. Infelizmente, a violência contra a mulher está espalhada por todos os cantos do Estado. Uma política estadual bem construída tenho certeza que será eficiente”, explica.
Adão coordena na ALRS a Frente Parlamentar de Homens Pelo Fim da Violência Contra a Mulher. Para ele, o combate à violência contra a mulher precisa acontecer de duas formas: na redução da reincidência e na prevenção. É dele a lei aprovada na Assembleia durante o mês de março que inclui a Lei Maria da Penha no currículo das escolas estaduais do Rio Grande do Sul.
“Se quisermos encarar de frente a violência contra a mulher, temos que iniciar esse combate conversando com as novas gerações”, conclui.
