_*Gilberto Jasper*_
*_Jornalista/gilbertojasper@gmail.com_*
“Mais de 9 mil alunos passaram de ano reprovados em até quatro disciplinas no RS”. A medida, que virou manchete de jornal datada da nos dias 4 e 5 passados, foi incrementada em 2025, com reflexos em 2026. Desde o anúncio da adoção, o tema rende muita polêmica em todo o Estado.
Como a maioria das pessoas, não fiquei indiferente a mais uma novidade advinda do Palácio Piratini. Considero inaceitável a decisão do governo do Estado. Ok, sou velho, estudante dos tempos em que, se a gente não tirasse no mínimo nota/média 5, estava irreversivelmente reprovado e deveria arcar com as consequências.
O que chamam de “progressão parcial”, parte do pressuposto de que o objetivo é “dar novas chances de aprendizado aos estudantes e re-duzir a evasão escolar”. Acho equivocado o argumento. Vivemos uma época em que os jovens – crianças e adolescentes – têm enorme dificuldades para aceitar reveses, derrotas e, em resumo: não sabem conviver com a frustração.
O resultado desta “cultura” pode ser visto nos mais diversos ambientes, em que a revolta, a depressão e o inconformismo são reações consideradas naturais. Pais, cada vez mais, transferem a tarefa de educar seus filhos aos professores. São profissionais que já tão assoberbados, pressionados por baixos salários, além de condições precárias em muitas escolas, apesar da massiva propaganda do governador do Estado.
O objetivo principal, não declarado e escamoteado pela publicidade oficial, é melhorar os indicadores do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). Esta postura passa uma falsa ideia de que a educação no Rio Grande do Sul “vai muito bem obrigado”, mas basta ter um olhar não apaixonado para constatar o contrário.
Outro argumento usado pelos marqueteiros oficiais é de que o custo de o aluno não terminar o Ensino Médio é de R$ 395 mil por ano para o Estado. Ora, para um governador que gastou R$ 170 milhões em publicidade em 2025 – e recebeu bilhões do governo federal para os efeitos da enchente, vendeu vários ativos e não pagou a dívida com a União por anos a fio – trata-se de um valor ínfimo. O objetivo das autoridades esta-duais é – ou deveria ser – formar jovens aptos a enfrentar os próximos anos de formação e, o principal: encarar os desafios da vida de adulto. Mas isto está longe de ser a verdadeira meta.
