_*Gilberto Jasper*_
_*Jornalista/gilbertojasper@gmail.com*_
O ser humano é realmente inacreditável. Resisto à tentação de comparar épocas, usando os surrados chavões de que “nos velhos tempos tudo era melhor” e “no meu tempo não se imaginava algo parecido”. Além de injusto, quem emprega estes artifícios nunca faz uma autocrítica para re-cordar aspectos negativos de décadas passadas.
Com o rabo do olho – já que estava assistindo ao jogo entre Corinthians e Flamengo na Rede Record – bisbilhotei trechos da reportagem do intragável programa “Fantástico”. O tema era o uso da Inteligência Artificial e, de maneira mais aprofundada, sobre a criação de personagens – ou “amigos” – virtuais. Lembrei da mania das crianças que adoram os “amigos imaginários”.
Acho incrível o detalhamento da relação entre pessoas e máquinas que resulta em sentimentos que vão além da amizade. Paixonites virtuais parecem dominar a moda de solitários e fanáticos por tecnologia. O fato de não serem rejeitados, criticados ou confrontados, leva à opção por este tipo de “amizade”, uma atração irresistível.
O grande jornalista e amigo de décadas Fernando Albrecht, colunista diário do _Jornal do Comércio_ , costumo dizer que “depois da máquina de debulhar milho… eu não duvido de mais nada!”. Aos 65 anos, tento manter equilíbrio e distância da tentação de condenar determinados comportamentos ditos “modernos”.
O “namoro virtual” é consequência da onipresença da tecnologia. Penso nisso ao ouvir falar no termo “influencer” que, segundo o tio Googole “ _é um criador de conteúdo que utiliza redes sociais (Instagram, YouTube, TikTok) para formar opinião, ditar tendências e influenciar comportamentos ou decisões de compra de um público nichado. Eles conquistam seguidores através de autoridade, autenticidade e consistência, criando um vínculo de confiança que as marcas exploram para publicidade_ ”
Resumindo: há muitas pessoas que pagam, através de seus acessos aos conteúdos, para saber das tendências para escolher o vestuário, restaurantes, destino de suas viagens, uso de vocabulário em eventos sociais, roupas, maquilagem, perfumes e um sem-número de comportamentos do cotidiano. E há inúmeros influencers milionários, graças à necessidade que esta legião de pessoas tem da opinião alheia. Solidão, depressão e isolamento contribuem para este tipo de atitude.
