Jornal A Plateia – Rádio RCC – Santana do Livramento

seg, 16 de março de 2026

UM SONHO DISTANTE

O texto abaixo está em
Gilberto Jasper
_*Jornalista/gilbertojasper@gmail.com*
A demonização da política tem inúmeras repercussões, quase todas negativas. Seria ingenuidade negar que muitos políticos dão razões de sobra para jornalistas e eleitores crucificarem todos que detêm mandato popular.
Em 2026 teremos, além da Copa do Mundo, a ocorrência de eleições. Em outubro e novembro os brasileiros elegerão deputados estaduais e federais, além de senadores, governadores e o presidente da república.
O ideal seria estimular a participação de profissionais dos mais di-versos segmentos de atividade. Professores, advogados, empresários, c-merciários, arquitetos, jornalistas, engenheiros, dentistas, médicos, em-preendedores, entre outras atividades, deveriam ter coragem para submeter seus nomes ao crivo popular. Mas diante de tantos casos de corrup-ções, desvios de caráter e escândalos envolvendo políticos, como seria possível convencer estas pessoas a participar da vida pública?
Além da má fama que persegue os políticos, é injusto entrar em uma disputa onde aqueles que já detêm mandatos dispõem de sólida estrutura para se manter nos parlamentos? Deputados e senadores que concorrem à reeleição contam com gabinetes estruturados com inúmeros assessores, inclusive “nas bases”, ou seja, nos Estados de origem.
        O mesmo acontece com deputados estaduais que podem contratar assessores para trabalhar em seus municípios de origem. Além disso, dispõem de celulares, diárias e várias outras benesses. Todas estas despesas são pagas com o meu, o seu, o nosso dinheiro, além do apetitoso fundo partidário. Em resumo: já existe financiamento público de campanhas políticas, mas disfarçado com outros nomes, numa rotina que consome bi-lhões a cada ano.
       Apesar da insatisfação generalizada, a renovação dos parlamentos não passa dos tradicionais 30/40%, índice que se mantém há muitos anos. A onipresença das emendas parlamentares – uma das maiores obscenidades da política brasileira (entre tantas) – é outro empecilho para o surgimento de novas lideranças. É impossível concorrer com deputados federais que dispõem de mais de R$ 40 milhões para distribuir livremente? São quase R$ 50 bilhões no total. Uma fortuna.
A política, como outras estruturas do Brasil, foi concebida para não mudar. Jamais.
NO AR
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