A propriedade rural SIgMa Brangus, em Sant’Ana do Livramento, recebeu pecuaristas e especialistas de diversos países durante uma gira técnica que integrou a programação do Congresso Mundial Brangus 2026. O encontro ocorreu na sexta-feira, 13 de março, reunindo produtores interessados em conhecer de perto a genética e o sistema de produção desenvolvidos na fronteira do Rio Grande do Sul.
A visita fez parte das atividades que antecederam o congresso internacional da raça, realizado entre os dias 10 e 23 de março de 2026, em Londrina (PR), e que contou com forte participação de criadores gaúchos. O Núcleo Brangus Sul projetava que mais de 50% dos animais inscritos nas pistas do evento fossem provenientes do Rio Grande do Sul, evidenciando o protagonismo do estado no desenvolvimento da raça.
Segundo o presidente do Núcleo Brangus Sul, Gabriel Barros, esse destaque é resultado de décadas de investimento em genética e seleção. O Rio Grande do Sul concentra mais de metade dos animais Brangus registrados no Brasil, consolidando-se como um dos principais polos de produção e melhoramento da raça no país.
O dirigente também destacou que o congresso ocorreu em um momento estratégico para a pecuária brasileira, marcado pelo crescimento da presença da carne bovina nacional no mercado internacional. “Estamos atendendo mercados que antes eram supridos por Austrália e Estados Unidos, que hoje não conseguem entregar o volume que entregamos. Quem compra carne brasileira reconhece a qualidade”, ressaltou.
Ele acrescentou que a competitividade brasileira está na capacidade de produzir em grande escala e na adaptabilidade de raças como o Brangus às diferentes condições climáticas do país. “O Mundial foi uma grande vitrine para mostrar essa realidade e o potencial da pecuária brasileira”, afirmou.
Roteiro técnico no Rio Grande do Sul

A gira técnica promovida pela Associação Brasileira de Brangus percorreu quatro propriedades de referência na raça no Rio Grande do Sul. O roteiro incluiu as fazendas GAP e Tellechea & Associados, em Uruguaiana; a SIgMa Brangus, em Sant’Ana do Livramento; e a La Estancia, em Pantano Grande.
A escolha das propriedades levou em conta critérios técnicos e logísticos. “São criatórios com forte representatividade na raça, que trabalham com Brangus há bastante tempo, possuem volume expressivo de animais e estão localizados em regiões de fácil acesso. Além disso, carregam tradição, história e consistência produtiva”, explicou Gabriel Barros.
Tradição e genética na SIgMa Brangus
A história da SIgMa Brangus está ligada à trajetória da família Rolim Acauan na pecuária. Ainda na década de 1960, a propriedade já realizava cruzamentos entre raças taurinas e zebuínas na formação do rebanho. Nos anos 1980, a família iniciou a introdução da genética Brangus por meio da aquisição de sêmen e reprodutores.
Após anos incorporando genética de importantes criatórios do Brasil e da Argentina, em 2003 começaram a ser selecionadas as primeiras fêmeas que serviriam de base para o plantel SIgMa. Com o crescimento do rebanho e a incorporação anual de ventres Brangus e Red Brangus, a cabanha passou a produzir touros para atender tanto à demanda interna quanto ao mercado.

Lourenço Acauan apresentando o rebanho da propriedade rural. FOTO – Gabriel Barros
Entre 2006 e 2019, a propriedade integrou o grupo “Touros da Fronteira”, remate coletivo de produtores de Angus e Brangus de Sant’Ana do Livramento. A partir de 2015, ampliou sua presença no mercado de reprodutores participando do Leilão Integração, em São Francisco de Assis. Com a evolução genética e o aumento do volume de animais, a cabanha passou a realizar seus próprios eventos comerciais. Desde 2020 promove os Leilões SIgMa, realizados no parque da Associação Rural de Sant’Ana do Livramento, com oferta média de cerca de 100 touros e mais de 100 ventres por edição.
A genética desenvolvida na propriedade é resultado de um sistema de produção baseado predominantemente em campo nativo. Nesse modelo, todas as fases do ciclo produtivo — cria, recria e engorda — ocorrem em condições naturais, exigindo animais adaptados e eficientes na produção de carne.
O programa de melhoramento inclui seleção criteriosa de sêmen nacional e importado, avaliações genéticas e uso de tecnologias como ultrassonografia de carcaça e transplante de embriões. Parte desse trabalho é desenvolvido no Núcleo Genético Sigma La Sultana, formado a partir de material genético proveniente de uma importante cabanha argentina.
Durante a gira técnica em Sant’Ana do Livramento, os visitantes conheceram o sistema produtivo da propriedade e acompanharam uma visita ao plantel. A programação também contou com um almoço na sede da fazenda e uma palestra do professor Júlio Barcellos, que apresentou o modelo de produção adotado na cabanha.
