MANCHETES DOS JORNAIS
FOLHA DE S.PAULO – Pessimismo do brasileiro com economia do país cresce, indica Datafolha
O GLOBO – EUA citam ‘ameaça regional’ e avaliam classificar o CV e PCC como terrorismo
O ESTADO DE S.PAULO – Gigantes em crise, Raízen e Pão de Açucar pedem recuperação
Valor Econômico – No mesmo dia, GPA e Raízen pedem recuperação extrajudicial
Correio Braziliense – Sancionada, lei inicia reestruturação do BRB
Destaques de primeiras páginas, fatos e bastidores mais importante do dia
CONTRARIANDO realidade – A percepção dos brasileiros em relação à situação econômica do país piorou nos últimos meses, revertendo parcialmente a melhora captada no levantamento feito no final de 2025, mostra pesquisa Datafolha.
Também há mais entrevistados pessimistas sobre o futuro, inclusive sobre sua própria condição financeira, e prevendo elevação do desemprego, indicador que está nas mínimas históricas, e da inflação. O percentual daqueles que avaliam que a situação econômica do país piorou nos últimos meses subiu de 41% para 46% na comparação entre as pesquisas realizadas em dezembro do ano passado e em março deste ano. O percentual dos que avaliam que a situação econômica do país melhorou caiu de 29% para 24%, na comparação entre as duas últimas pesquisas. O Datafolha entrevistou 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 137 municípios pelo Brasil, de 3 a 5 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.
BEDELHO americano – A pressão do governo dos Estados Unidos sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aumentou na terça-feira, após o Departamento de Estado americano afirmar que a gestão de Donald Trump considera facções criminosas brasileiras uma “ameaça significativa à segurança regional”. A Casa Branca indica a possibilidade de enquadrar esses grupos como “terroristas”, o que é visto com preocupação pelo Palácio do Planalto. A denominação, segundo formuladores da política externa brasileira, poderia servir como um aval para interferência militar direta no país, o que colocaria em xeque a soberania nacional. O tema ganhou cunho eleitoral na terça, com integrantes da oposição acusando o PT de cumplicidade com bandidos, devido ao posicionamento do governo Lula. O governo está em negociações com os EUA para evitar que facções brasileiras, como o PCC e o Comando Vermelho, sejam classificadas como grupos terroristas. Conversas diplomáticas têm ocorrido, ressaltando a importância de combater o crime organizado respeitando a soberania nacional. O tema ganhou relevância após pressões políticas em Washington, e o Brasil busca manter a cooperação sem interferências externas.
COINCIDÊNCIA? – Ontem, duas grandes empresas brasileiras entraram com pedido de recuperação extrajudicial: pela manhã foi a vez da GPA, proprietária das redes Pão de Açúcar e Extra Mercado, que envolvia dívidas com credores financeiros de R$ 4,5 bilhões; À noite, a Raízen, uma joint venture entre Cosan e Shell, entrou com um pedido extrajudicial de recuperação para negociar R65 bilhões em dívidas com bancos estrangeiros e detentores de títulos – a maior da história do país. A informação foi antecipada pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
Para ser justo, o GPA citou três fatores para a decisão: altas taxas de juros, aumento da concorrência no varejo e alta concentração de vencimentos de curto prazo. Os documentos mostram o Rabobank como o maior credor, totalizando R$ 9.917,3 milhões, seguido pelo Itaú Unibanco (R$ 7.707,1 milhões), BTG Pactual (R$ 2.225,7 milhões) e HSBC (R$ 206,2 milhões). Esses credores representam 46% das responsabilidades, ou R$ 2,1 bilhões. A possibilidade de aumento de capital é uma hipótese na visão do conselho de administração, considerando valores entre R$ 5.500 milhões e R$ 7.700 milhões, segundo as fontes. No caso da Raízen, o valor de R$ 65 bilhões de dívida é apenas menor que o da ex-Odebrecht (atualmente Novonor), por quase R$ 100 bilhões, e está em pé de igualdade com ambos, mas ambos entraram em processo de falência. O acordo de Raizen já conta com o apoio de mais de 40% dos credores, disse uma fonte. A empresa solicitou uma suspensão salarial de 90 dias, ganhando tempo para preparar um plano para tentar reconstruir o negócio.
Raizen se tornou um verdadeiro buraco em 2024, à medida que a crise financeira se agravava. Nos últimos dias, os dois principais acionistas negociaram uma capitalização de R$ 44 bilhões. A Shell se comprometeu a contribuir com R$ 3,5 bilhões e Rubens Ometto, controlador da Cosan, a contribuir com R$ 5.500 milhões, por meio da holding Aguasanta. Cosan não teria participado diretamente da operação. Agora, com a recuperação extrajudicial em andamento, a capitalização pode ser controlada. Os credores podem pressionar por uma contribuição maior.
TAPANDO o buraco – Aprovado há uma semana pela Câmara Legislativa, o projeto de lei que disponibiliza nove imóveis do Governo do Distrito Federal para uso pelo Banco de Brasília (BRB) virou, ontem, a Lei nº 7.845/2026, após a sanção do governador Ibaneis Rocha. A partir de agora, a instituição estatal começa o processo que vai possibilitar que os terrenos sejam avaliados e os valores — a expectativa é de que atinjam R$ 6,6 bilhões — irão para o Fundo de Investimento Imobiliário (FII). Esse montante será a garantia do BRB para eventuais empréstimos para cobertura de prejuízos causados pela negociação do Banco Master. Houve vetos a três artigos da proposta chancelada pelos distritais, e a expectativa é de que eles sejam votados pelos parlamentares em 25 de março, caso algum distrital peça uma sessão para derrubada, segundo previsão do presidente da CLDF, Wellington Luiz (MDB).
CONTORNANDO a crise – Em meio à crise institucional em que o Supremo Tribunal Federal (STF) está mergulhado, o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, defendeu, ontem, a imparcialidade no Judiciário e o distanciamento “dos interesses em jogo”. Já o ministro Flávio Dino enfatizou que o Supremo “acerta mais do que erra”. As declarações são uma reação à saraivada de críticas ao STF, especialmente ante o escândalo do Caso Master, para o qual a Corte foi arrastada devido ao suposto envolvimento dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro, acusa do de fraudes no sistema financei ro e preso no Complexo da Papuda.
PGR pede condenação de deputados do PL – A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu, ontem, a condenação de oito acusados de desviar recursos de emendas parlamentares destinadas à saúde no estado do Maranhão, exigindo um “pedágio” de 25% sobre os valores repassados aos municípios. O julgamento ocorre na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Cristiano Zanin. Entre os oito denunciados, destacam-se três deputados com foro ou trajetória política no Partido Liberal (PL). Josimar Cunha Rodrigues, ou Josimar Maranhãozinho (PL-MA), é apontado pela PGR como líder da organização criminosa. Ele coordenava a destinação das emendas e a operacionalização da propina, conforme a investigação. Gildenir de Lima Sousa, ou Pastor Gil (PL-MA), atuava na pressão direta contra prefeitos para garantir o pagamento das “pendências financeiras”. Por sua vez, João Bosco da Costa, ou Bosco Costa, ex-deputado federal pelo PL de Sergipe, era o responsável pelo envio de emendas e pela cobrança de prioridade nos pagamentos. Eles são acusados de organização criminosa e corrup ção passiva. O julgamento será retomado na próxima terça-feira.
BENEFÍCIO causa controvérsia – Os advogados do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, fazem hoje a primeira visita ao empresário, que está preso na Penitenciária Federal de Brasília, investigado por um esquema bilionário de fraudes financeiras. A visita foi permitida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado tam bém autorizou que os encontros ocorram sem monitoramento de áudio ou vídeo, o que contraria as regras do presídio. A Penitenciária Federal de Brasília possui 208 celas individuais e é uma das cinco unida des de segurança máxima do Brasil. Todos possuem como padrão de segurança monitorar os detentos, que são considerados de alta periculosidade. “Diante de tal conjuntura, acolhendo o pedido formulado pela defesa, determino à direção da Penitenciária Federal de Brasília que permita a realização de visitas dos advogados regularmente constituídos nos autos, independentemente de agendamento, sem a realiza ção de qualquer tipo de monitoramento ou gravação por áudio e/ ou vídeo”, diz a decisão.
HC a ex-sócio do Master – O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu habeas corpus que autoriza o ex-CEO do Banco Master Augusto Ferreira Lima a não comparecer ao depoimento na CPI do INSS, previsto para hoje. Com a decisão, a reunião da comissão foi cancelada. “Não obstante a importância superlativa da CPMI do INSS e de sua atuação independente, ainda que colaborativa, na apuração dos graves ilícitos revelados pela denominada ‘Operação Sem Desconto’, notadamente as fraudes relacionadas a descontos irregulares incidentes sobre benefícios de aposentados e pensionistas, revela-se inafastável a garantia constitucional de qualquer investigado contra a autoincriminação, direito fundamental expressamente consagrado no art.5º, LXIII, da Constituição da República”, diz trecho do despacho.
PRECEDENTE grave – Se a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, de não deixar nada do Banco Master sob o tapete, não dá para manter em sigilo as conversas de Daniel Vorcaro com seus advogados numa prisão federal. Isso é proibido a outros detentos em presídios federais. Portanto, liberar no caso de Vorcaro vai provocar uma avalanche de pedidos judiciais de chefões do crime organizado. Pelo menos, essa é a opinião de muita gente que trabalha com o sistema penal. Não se pode abrir exceções a um ex-banqueiro que, segundo gravações em poder da PF, ameaçou pessoas.
GOVERNO encurralado – A bancada do PT na Câmara dos Deputados não gostou de ver a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) promover debates em vez de votar logo a admissibilidade da proposta de emenda constitucional (PEC) de redução da escala 6×1. Petistas consideram que isso não passa de uma manobra para protelar a apreciação em plenário. É que, depois da aprovação na CCJ, o texto segue para a comissão especial, onde pode demandar 40 sessões. Ou seja, o calendário tem tudo para ser atropelado, e o assunto ficar para depois das eleições.
CONTRAGOLPE – Com esse cenário, uma ala do Partido dos Trabalhadores acredita que ganhará força a ideia do Planalto de enviar um projeto de lei com urgência constitucional sobre o tema. Isso exigirá que os deputados deliberem o texto em até 45 dias na Casa e mais 45 dias no Senado Federal.
VEJA bem – A ideia de um projeto com urgência é apoiada pelo Centrão, uma vez que, por meio dele, não é possível alterar a escala de 6 x 1 para 5 x 2, somente a redução da jornada de trabalho, que seria de 44 para 40 horas semanais. Essa tem sido uma vertente que o Centrão e o setor produtivo têm defendido em debates e eventos realizados nos últimos meses.
CARTAS à mostra – O rompimento do PL com o governo de Ibaneis Rocha segue a receita de ficar distante de problemas em ano eleitoral. Ibaneis é visto como enfraquecido, e o PL não quer ser parceiro no desgaste. Aliás, no plano nacional, a deputada Bia Kicis defendeu todas as investigações propostas, enquanto dois integrantes do PL, o deputado Alberto Fraga e o senador Izalci Lucas, já estão afastados há tempos de Ibaneis e, inclusive, fizeram questão de comparecer ao lançamento da pré-candidatura de José Roberto Arruda ao governo local.
EMBARALHOU – Depois da reunião da bancada do PT do Maranhão com a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, a eleição por lá ganhou novos contornos. Os petistas desistiram de lançar candidatura própria e vão apoiar o atual prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), para o Palácio dos Leões. O vice-governador, Felipe Camarão (PT), teria dito a Gleisi que deseja disputar uma vaga ao Senado Federal.
MAIS um do PP – Falta fechar o nome para a segunda vaga. Tem muita gente de olho no ministro do Esporte, André Fufuca (PP), que deve disputar o Senado e ainda não está fechado na chapa do pré-candidato ao governo, Orleans Brandão (MDB).
CÁLCULOS políticos – Orleans Brandão é sobrinho do atual governador do Maranhão, Carlos Brandão, e não quer fechar a chapa com o ministro Fufuca. Orleans prefere lançar o líder do União Brasil na Câmara dos Deputados, Pedro Lucas, ao Senado, junto com o senador Weverton Rocha, que concorrerá à reeleição. Entretanto, deputados petistas acham que Weverton não tem chance, já que tem sido chamado no estado de “ladrão de velhinhos”, após ser um dos alvos da Operação sem Desconto, que investiga as fraudes no INSS.
UMA visita para organizar a campanha – O pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro para receber o subsecretário de Diplomacia Pública dos Estados Unidos, Darren Beattie, é lido no PL como um dos principais passos para auxiliar no enfrentamento às medidas adotadas pelo Supremo Tribunal Federal e na campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto. Beattie não é um qualquer. É ele quem assessora o presidente Donald Trump nos assuntos relacionados ao Brasil. Foi um dos que defenderam a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes e nunca escondeu que considera a prisão do ex-presidente uma perseguição. Deixou isso claro, inclusive, quando da aplicação do tarifaço a produtos brasileiros. Doutor em filosofia pela Universidade de Duke, integra o Maga — Make America Great Again —, o movimento liderado por Trump. É um personagem a ser acompanhado de perto na visita que fará ao Brasil. Veja bem. O PT fechou 2025 com o receio de que o presidente Donald Trump tentasse interferir nas eleições deste ano no Brasil. Agora, com a visita de Beattie ao país, esse medo volta com tudo. O que até aqui vinha sendo considerada uma “caraminhola” na cabeça de alguns aliados começa a ganhar outros ares.
CASTRO perde de 2 x 0 – O Tribunal Superior Elei toral (TSE) formou dois votos pela condenação do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), em ação que apura abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. O julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Kassio Nunes Marques e será retomado no dia 23. A análise do caso começou em novembro do ano passado, quando a relatora, Isabel Gallotti, votou pela cassação da chapa formada por Castro e o então vice-governador Thiago Pampolha (MDB). Ontem, o ministro Antônio Carlos Ferreira acompanhou o entendimento da ministra. O processo também envolve o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil) e o ex–presidente da Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj), Gabriel Rodrigues Lopes.
ENREDANDO Ibaneis – O deputado distrital Fábio Felix (PSOL) acionou nesta terça-feira (10) o relator do caso do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, e pediu que a Corte investigue a venda de R$ 38 milhões de honorários de precatórios pelo escritório de advocacia do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), a um fundo ligado à Reag, gestora ligada ao banco de Daniel Vorcaro e investigada pela Polícia Federal (PF). A cessão dos honorários, revelada nesta terça, foi assinada em maio de 2024. No ofício enviado ao Supremo, Felix aponta para a possibilidade de o escritório do governador ter recebido “recursos advindos dos grupos privados interessados nas operações” da tentativa de compra do Master pelo Banco BRB, sustentada por carteiras de crédito fraudulentas.
Como mostrou O GLOBO, a PF e o Ministério Público Federal (MPF) apontaram a Reag como uma estrutura central do esquema de fraudes do banco de Vorcaro. A gestora integra a complexa teia de fundos por onde o dinheiro captado pelo banco em transações irregulares era distribuído, dificultando a rastreabilidade e o destinatário final dos valores.
LEITE sobe o tom – Eduardo Leite, governador do RS, criticou o legado de Bolsonaro por “trazer Lula de volta”, considerado “politicamente inviabilizado”. Em evento do PSD, Leite e outros presidenciáveis debateram a formação de uma “terceira via” para 2026. Ele destacou que eleitores desconhecem opções políticas e pediu celeridade na escolha do candidato do partido. Leite pode disputar o Senado, caso não concorra à presidência.
SENADO aprova criação de cargos – O Senado aprovou, nesta terça-feira, 10, um projeto de lei que cria 16,3 mil cargos no Ministério da Educação (MEC) e 1,5 mil cargos no Ministério de Gestão e Inovação (MGI). O impacto orçamentário estimado é de R$ 5,3 bilhões em 2026. O texto vai à sanção presidencial. De autoria do Poder Executivo, a proposta reuniu outras propostas de mesma autoria e também cria um Instituto Federal em Patos (PB), cidade do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). A votação foi feita de forma simbólica, sem registro individual de cada senador, e contou com a presença de Motta e da ministra da Gestão, Esther Dweck. A proposta institui ainda o cargo de analista em atividades culturais, no Ministério da Cultura, além de 225 cargos na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), 68 cargos no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e reajustes salariais, novas gratificações e prêmios.
