Jornal A Plateia – Rádio RCC – Santana do Livramento

ter, 24 de fevereiro de 2026

Os 94 anos do voto feminino no Brasil

Uma conquista que transformou a democracia

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Nesta terça-feira, 24 de fevereiro, o Brasil marca 94 anos de uma das maiores conquistas da cidadania: o direito ao voto feminino. Oficializado em 1932, o sufrágio das mulheres representou uma ruptura histórica em um país onde a política, até então, era espaço quase exclusivo dos homens.

A garantia veio durante o governo de Getúlio Vargas, com o Código Eleitoral de 1932, que reconheceu às mulheres o direito de votar e de se candidatar. No ano seguinte, elas participaram pela primeira vez de uma eleição nacional, e a Constituição de 1934 consolidou o novo cenário jurídico.

Mais do que uma mudança na legislação, o voto feminino simbolizou o reconhecimento das mulheres como sujeitas políticas, com voz ativa na construção dos rumos do país.

Décadas de mobilização

A conquista de 1932 não foi um gesto isolado do poder público, mas resultado de uma mobilização que atravessou décadas. Desde o fim do século XIX, mulheres brasileiras passaram a questionar sua exclusão do processo eleitoral e a organizar movimentos em defesa da igualdade de direitos.

Entre as principais lideranças estava Leolinda Daltro, professora que, em 1910, fundou o Partido Republicano Feminino, primeira organização política voltada à emancipação das mulheres no país. À frente de marchas e debates públicos, enfrentou resistência e preconceito em uma sociedade profundamente conservadora.

Outra figura central foi Bertha Lutz, bióloga formada na Sorbonne, que teve contato com o movimento sufragista europeu e, ao retornar ao Brasil, tornou-se uma das maiores vozes pela igualdade política. Fundadora da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, ela defendia que negar direitos às mulheres era negar justiça a metade da população.

Em 1936, Bertha assumiu mandato como deputada federal e levou ao Parlamento pautas como igualdade salarial e proteção à maternidade, temas que permanecem atuais.

Do direito ao voto à representação política

Passadas nove décadas, o direito ao voto está consolidado, mas a presença feminina nos espaços de poder ainda é limitada. Apesar de as mulheres representarem a maioria da população brasileira, sua participação nos cargos eletivos segue aquém do ideal de paridade.

O Brasil figura entre os países com baixa representação feminina no Parlamento. Na Câmara dos Deputados e no Senado, as mulheres ocupam menos de um quinto das cadeiras. Nos Executivos estaduais e municipais, os números também revelam desigualdade.

Até hoje, o país teve apenas uma mulher na Presidência da República: Dilma Rousseff, eleita em 2010 e reeleita em 2014. Sua chegada ao cargo máximo do Executivo representou um marco simbólico, embora a trajetória tenha sido marcada por forte polarização política.

Uma conquista em permanente construção

Os 94 anos do voto feminino convidam à reflexão. Se o direito de escolher representantes está assegurado, o desafio agora é ampliar a presença feminina nos espaços de decisão e fortalecer políticas que incentivem candidaturas, lideranças e participação ativa das mulheres na vida pública.

O caminho aberto pelas sufragistas brasileiras transformou a história do país. A democracia ganhou novas vozes em 1932  e segue sendo construída, dia após dia, com a participação de milhões de eleitoras que ajudam a definir os rumos do Brasil.

Mais do que uma data comemorativa, o 24 de fevereiro é um lembrete de que direitos conquistados são fruto de luta e que a igualdade plena ainda é um horizonte a ser alcançado.

 

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