Jornal A Plateia – Rádio RCC – Santana do Livramento

qua, 11 de fevereiro de 2026

A lição de um tombo: patinete elétrico não é brinquedo

O texto abaixo está em

Por Jerônimo Goergen:

Nos últimos dias eu vivi uma experiência que poderia ter sido muito pior. Sofri um acidente andando de patinete elétrico. Caí, me machuquei no rosto e nos joelhos, levei pontos e precisei fazer exames para garantir que não havia fraturas.

Graças a Deus, não aconteceu nada mais grave. Mas o susto foi enorme. E o que mais me impressionou veio depois: ao publicar o ocorrido nas redes sociais, recebi dezenas de mensagens de pessoas relatando acidentes semelhantes — muitos com fraturas, cirurgias e até casos de morte.

Isso me fez refletir: estamos diante de um meio de transporte que virou moda, ganhou as ruas e as praias, mas que ainda é tratado com pouca responsabilidade, como se fosse algo leve e inofensivo.

E não é.

O patinete elétrico é prático, econômico e moderno. Pode ajudar muito na mobilidade urbana e até reduzir trânsito e poluição. Eu mesmo uso e não sou contra. O problema não é o patinete em si. O problema é a falta de consciência sobre o risco real que ele representa.

O meu patinete, por exemplo, chega a 32 km/h. Essa velocidade, em cima de um equipamento com rodas minúsculas, sem estabilidade e sem qualquer proteção ao redor do corpo, é uma combinação perigosa. Qualquer pequena irregularidade no chão — uma elevação mínima, um buraco, uma pedrinha — pode ser suficiente para lançar a pessoa ao chão.

Foi exatamente isso que aconteceu comigo.

E quando alguém cai a mais de 30 km/h, não é uma queda simples. É impacto de verdade. É rosto no chão. É joelho no asfalto. É trauma, fratura, corte, lesão séria.

Por isso, deixo aqui um alerta sincero: patinete elétrico não é brinquedo.

É indispensável que quem utiliza tenha o mínimo de responsabilidade e adote cuidados básicos. O uso de capacete deveria ser regra, mesmo em trajetos curtos. A atenção precisa ser redobrada em ruas e calçadas irregulares. Velocidade máxima em locais movimentados é um risco desnecessário. Andar distraído, com celular na mão, é quase um convite ao acidente. E circular em locais inadequados ou em alta velocidade perto de pedestres pode gerar consequências graves não só para quem está conduzindo, mas para terceiros.

Também é importante que as cidades discutam com seriedade a regulamentação e a infraestrutura adequada. Mobilidade urbana moderna não pode ser sinônimo de improviso.

A verdade é que ninguém pensa que vai cair… até cair.

Eu caí, me machuquei e aprendi. E se esse tombo servir para evitar que outras pessoas passem por algo pior, então ele já terá deixado uma lição importante.

A vida é mais valiosa do que qualquer pressa.

Patinete é útil, mas exige respeito.

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