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ter, 10 de fevereiro de 2026

Importação de biodiesel representa retrocesso e ameaça empregos, investimentos e a segurança energética do Brasil

Jerônimo Goergen | Crédito: Jerônimo Goergen
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A possível autorização para importação de biodiesel representa um grave risco para o Brasil, com impactos diretos na economia, no agronegócio, na indústria nacional e na geração de empregos.

O setor brasileiro de biodiesel construiu ao longo de décadas uma cadeia sólida, moderna e eficiente, com capacidade instalada suficiente para atender plenamente o mercado interno. Hoje, a indústria nacional já opera com aproximadamente 40% de capacidade ociosa, o que torna tecnicamente injustificável abrir espaço para produto estrangeiro.

Além de desestimular investimentos, a importação pode gerar um impacto econômico extremamente negativo, com estimativa de até R$ 60 bilhões em prejuízos totais, além de redução de aproximadamente R$ 10 bilhões em investimentos no setor. 

Outro efeito grave é a ameaça direta ao emprego. Estimativas indicam que até 207 mil postos de trabalho podem ser colocados em risco, afetando toda a cadeia produtiva, desde o esmagamento de oleaginosas até a logística e distribuição, com reflexos em centenas de municípios do interior do país. 

A importação também traz impacto imediato ao agronegócio. Com menos soja processada internamente, haverá redução na produção de farelo, insumo fundamental para ração animal. A projeção é de 5,6 milhões de toneladas a menos de farelo, o que elevará o custo da produção de aves, suínos e bovinos, encarecendo a proteína animal e pressionando o preço dos alimentos para a população. 

Além disso, o excesso de soja sem esmagamento pode provocar queda nos preços pagos ao produtor. Os estoques internos podem saltar de 9,2 milhões para 16,3 milhões de toneladas, derrubando a rentabilidade do agricultor e comprometendo financiamentos, aquisição de máquinas e sustentabilidade das propriedades rurais.

Outro ponto preocupante é o enfraquecimento do Selo Biocombustível Social, que garante renda e assistência técnica a milhares de famílias da agricultura familiar. A entrada de produto importado reduz a demanda interna e coloca em risco um dos principais instrumentos de inclusão produtiva do campo brasileiro. 

Por fim, a importação pode trazer riscos de qualidade e segurança, já que o biodiesel estrangeiro pode não atender aos mesmos padrões rigorosos de controle exigidos no Brasil, abrindo espaço para concorrência desleal e práticas subsidiadas artificialmente.

Diante disso, o Brasil deve fortalecer sua indústria nacional e garantir previsibilidade regulatória, preservando empregos, investimentos, renda no campo e segurança energética. Importar biodiesel é um retrocesso que ameaça toda a cadeia produtiva e penaliza diretamente o consumidor brasileiro.

Jerônimo Goergen
Presidente da Aprobio

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