Jornal A Plateia – Rádio RCC – Santana do Livramento

dom, 8 de fevereiro de 2026

Báu Literario Carlos Higgie

O texto abaixo está em

Ao longo deste percurso, vimos como a cidadania se transformou desde sua origem na pólis grega até a consolidação dos Estados modernos. Nesta terceira parte, o olhar se desloca para o presente, marcado por profundas transformações nos modos de comunicação e de participação na vida pública. A cidadania política, construída em torno de direitos, deveres e pertencimento estatal, passa hoje a dialogar com novas formas de mediação que atravessam fronteiras e reorganizam o espaço público.

Nas democracias contemporâneas, participar da vida cidadã já não se limita ao voto ou à representação institucional. A circulação de informações, opiniões e narrativas ocorre em grande medida nos ambientes midiáticos, que se tornaram centrais para a construção do sentido social. A praça pública se estende por telas, redes e plataformas, onde se disputam visões de mundo e se constroem consensos e conflitos.

É nesse contexto que ganha relevância a noção de cidadania midiática. Ela não substitui a cidadania política, mas amplia suas possibilidades ao reconhecer que a participação democrática depende, cada vez mais, da relação que os sujeitos estabelecem com as mídias. Informar-se, expressar-se e interagir nos espaços midiáticos exige desenvolver competência mediática, entendida como a capacidade de compreender criticamente as mensagens, reconhecer interesses em jogo e posicionar-se de forma consciente diante dos fluxos informacionais.

Essa transformação ocorre em escala global. As interações mediadas conectam pessoas, culturas e acontecimentos em tempo real, ultrapassando os limites do território nacional. A cidadania, antes fortemente vinculada ao Estado-nação, passa a dialogar com desafios comuns à humanidade, como a desinformação, os discursos de ódio, as desigualdades e a sustentabilidade. Nesse cenário, a ideia de cidadania global ganha força ao enfatizar responsabilidades compartilhadas em um mundo interdependente.

A cidadania mediática e a cidadania global se encontram nesse ponto de convergência. Ambas reconhecem que a democracia contemporânea depende da forma como nos informamos, comunicamos e convivemos nos espaços midiáticos. A educação midiática surge, nesse sentido, como um elemento essencial para fortalecer a autonomia crítica, promover a participação responsável e ampliar o exercício da cidadania em contextos cada vez mais complexos.

Da pólis grega ao mundo midiático, a história da cidadania revela um movimento contínuo de ampliação e ressignificação. Compreender esse percurso ajuda a enfrentar os desafios do presente e a pensar caminhos para uma participação cidadã mais consciente, inclusiva e solidária em escala local e global.

Com esta publicação, encerramos o primeiro ciclo desta série. Em próximos textos, seguiremos refletindo sobre os vínculos entre cidadania, comunicação e educação, aprofundando temas que atravessam a vida democrática no século XXI.

 

Ana Montero

 

Confira a matéria completa em: https://nordesteconsciente.com.br/cidadania-e-midia-ana-montero/

NO AR
Rádio RCC