O desembargador Ricardo Pippi Schmidt, que atuou por cerca de dez anos como juiz em Sant’Ana do Livramento, tomou posse como corregedor-geral da Justiça do Rio Grande do Sul nesta quarta-feira (4), no Palácio da Justiça, em Porto Alegre, iniciando um novo ciclo na administração do Judiciário estadual. A cerimônia marcou também o encerramento da gestão da desembargadora Fabianne Breton Baisch à frente da Corregedoria-Geral da Justiça e reuniu integrantes da administração do Tribunal de Justiça, magistrados, servidores e convidados, conforme o Tribunal de Justiça do RS.
Órgão estratégico da estrutura do Judiciário estadual, a Corregedoria-Geral da Justiça é responsável pela fiscalização, disciplina e orientação administrativa dos serviços judiciários em todo o Rio Grande do Sul, além do desenvolvimento de programas voltados à eficiência, inovação e capacitação permanente de magistrados e servidores, conforme o Tribunal de Justiça do RS.
Com mais de quatro décadas de carreira na magistratura, Pippi Schmidt assume o cargo trazendo como eixo central de sua atuação a busca por maior efetividade na entrega da justiça ao cidadão, aliada à valorização institucional da magistratura e dos servidores, princípios que afirma defender ao longo de sua trajetória.
Ao assumir a função, o magistrado reafirmou que a prestação jurisdicional precisa ser pensada para além de indicadores meramente quantitativos de produtividade. Segundo ele, o desafio permanente do Judiciário é garantir que a solução judicial seja não apenas proferida em prazo razoável, mas efetivamente cumprida, produzindo resultado concreto na vida das pessoas.
A compreensão desse desafio, avalia Schmidt, está diretamente ligada à sua trajetória nas comarcas do interior. Antes de chegar ao segundo grau, ele atuou como pretor em Santo Ângelo e como juiz em Camaquã, São Francisco de Paula e Sant’Ana do Livramento — cidade onde permaneceu por uma década e que considera decisiva para a formação de sua visão sobre o sistema de justiça.
A experiência interiorana lhe permitiu perceber, na prática, que a atividade jurisdicional não se esgota no Poder Judiciário. A articulação com advocacia, Ministério Público, Defensoria Pública e demais instituições é, segundo ele, elemento indispensável para que a justiça alcance efetividade real. Essa perspectiva deve orientar sua condução à frente da Corregedoria.
Entre as prioridades anunciadas está o fortalecimento do primeiro grau de jurisdição, etapa em que se concentra a maior parte das demandas judiciais e onde o cidadão tem contato direto com o sistema de justiça. A proposta envolve ouvir magistrados e servidores que atuam na linha de frente, valorizar estruturas locais e buscar soluções administrativas que reduzam entraves burocráticos sem comprometer garantias processuais.
O corregedor-geral também aponta como desafio estrutural o elevado volume de litigiosidade e o congestionamento processual, fenômenos que pressionam o funcionamento do Judiciário em todo o país. Para enfrentar esse cenário, defende aperfeiçoamento da gestão processual, diálogo institucional permanente entre os diversos atores do sistema de justiça e uso responsável de novas tecnologias.
Nesse contexto, o avanço do processo eletrônico e o surgimento de ferramentas baseadas em inteligência artificial exigem, segundo ele, respostas dinâmicas do Judiciário. A incorporação tecnológica deve ocorrer com responsabilidade, preservando a dimensão humana das decisões e a qualidade da prestação jurisdicional.
Durante a solenidade, também foram destacados avanços da gestão anterior da Corregedoria, bem como a continuidade de projetos voltados à qualificação dos serviços judiciários, conforme o Tribunal de Justiça do RS.
A nova administração do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul é composta pelo presidente Eduardo Uhlein, pelo 1º vice-presidente Cláudio Martinewski, pela 2ª vice-presidente Rosane Wanner da Silva Bordasch e pela 3ª vice-presidente Ana Paula Dalbosco, além do próprio Ricardo Pippi Schmidt na Corregedoria-Geral.
Segundo o desembargador, o grupo reúne magistrados que trabalham juntos há décadas e compartilham as mesmas ideias e ideais de magistratura.
Para Sant’Ana do Livramento, a posse de Ricardo Pippi Schmidt tem significado particular. A cidade integra de forma concreta sua trajetória profissional dentro da magistratura. Foi no exercício da jurisdição local, lidando diretamente com as demandas da comunidade e com a realidade das comarcas do interior, que ele consolidou a compreensão de que a justiça precisa ser acessível, ágil e efetiva.
Agora, à frente da Corregedoria-Geral, essa experiência retorna ao centro de sua atuação institucional. O desafio passa a ser transformar a vivência acumulada ao longo de sua carreira — especialmente no interior — em políticas administrativas capazes de melhorar o funcionamento do Judiciário em escala estadual.
A nova gestão inicia sob o compromisso de conciliar tradição e transformação: preservar garantias fundamentais do processo judicial, ao mesmo tempo em que busca respostas mais rápidas, eficientes e conectadas às mudanças sociais e tecnológicas do tempo presente.
Para o magistrado que construiu parte essencial de sua carreira em Livramento, trata-se de ampliar, para todo o Rio Grande do Sul, uma visão de justiça moldada pela proximidade com a realidade das pessoas.
