O Rio Grande do Sul intensificou, no início deste ano, as discussões sobre a implementação da rastreabilidade bovina, alinhando ações estaduais ao plano nacional coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Os debates ocorreram ao longo de dois dias, em 27 e 28 de janeiro, com encontros realizados na Secretaria da Agricultura (Seapi), em Porto Alegre, e na sede do Fundesa, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, reunindo representantes do governo federal, do Estado e do setor produtivo.
As reuniões tiveram como foco a troca de informações sobre o ciclo de implementação da rastreabilidade, estratégias de integração de sistemas, definição de cronogramas e o papel de estados e produtores no processo. Participaram técnicos do Serviço Veterinário Oficial (SVO), produtores, frigoríficos e representantes das cadeias produtivas.
Durante os encontros, o secretário da Agricultura do RS, Edivilson Brum, destacou a maturidade do debate e o potencial do Estado para agregar valor à produção pecuária. Segundo ele, além de um rebanho diferenciado, o Rio Grande do Sul conta com um quadro técnico qualificado e forte histórico na manutenção da sanidade animal.
O Fundesa também teve papel central nas discussões. O presidente da entidade, Rogério Kerber, ressaltou a importância do alinhamento entre Estado, União e setor produtivo para ampliar a eficiência sanitária e a competitividade do rebanho gaúcho, além de citar os avanços recentes na defesa sanitária e a necessidade de modernização dos sistemas.
Plano nacional e projeto piloto
Representando o Mapa, o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, classificou o Plano Nacional de Identificação e Rastreabilidade de Bovinos e Bubalinos (PNIB) como “inclusivo e ousado”. O programa prevê a identificação de cerca de 220 milhões de animais em até oito anos, com adoção obrigatória a partir de 2033, atendendo às exigências crescentes do mercado internacional.
O diretor do Departamento de Saúde Animal do Mapa, Marcelo Mota, apresentou detalhes da base de dados nacional que será gerida pelo ministério, enquanto a operacionalização do sistema contará com a participação dos estados e do setor produtivo.
No âmbito estadual, o secretário adjunto da Seapi, Márcio Madalena, destacou que o projeto piloto do RS, lançado em agosto de 2025, já conta com 50 propriedades voluntárias, onde estão sendo testados os brincos de identificação e a integração das informações ao Sistema de Defesa Agropecuária (SDA). A avaliação é de que o Estado reúne condições para antecipar etapas do cronograma nacional.
Rastreabilidade e competitividade
A rastreabilidade individual permite acompanhar todo o ciclo de vida do animal — do nascimento ao abate — reunindo informações como raça, idade, vacinação e movimentações. Para autoridades e representantes do setor, o sistema amplia o controle sanitário, a transparência da produção e a segurança alimentar, além de fortalecer a posição do Brasil e do Rio Grande do Sul no mercado internacional de carnes.
Os encontros realizados nos dias 27 e 28 de janeiro marcaram mais um passo na consolidação do debate e na construção de um modelo de rastreabilidade que una sanidade, tecnologia e competitividade para a pecuária gaúcha.
