Jornal A Plateia – Rádio RCC – Santana do Livramento

seg, 2 de fevereiro de 2026

A italiana que conquistou a internet celebrando a tradição gaúcha

Casada com um gaúcho, Caterina Tarantola, a gaúcha fake transformou o encontro entre duas culturas em conteúdo de humor

Foto: Cedida
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Natural de Belluno, no Vêneto italiano, onde vive atualmente, Caterina Tarantola encontrou no Rio Grande do Sul muito mais do que um novo país: descobriu uma cultura que passou a fazer parte da sua própria identidade. Casada com Ricardo, que é gaúcho, ela transformou a convivência entre duas tradições fortes em conteúdo para as redes sociais, dando vida à personagem Gaúcha Fake, que hoje viraliza ao retratar, com humor e afeto, o jeito de ser do povo gaúcho.

A história do casal começou na Itália, quando o marido de Caterina esteve no país para reconhecer a cidadania italiana. Por coincidência  ou destino, ele acabou escolhendo justamente a cidade onde ela morava. Com o tempo e a convivência, as tradições gaúchas passaram a fazer parte da rotina da italiana, que foi absorvendo hábitos, costumes e expressões típicas do Rio Grande do Sul.

A ideia de mostrar essa realidade surgiu de forma espontânea. Inicialmente, o perfil no Instagram era pessoal, seguido por amigos e conhecidos. No entanto, conforme o conteúdo começou a ganhar alcance, Caterina percebeu a necessidade de dar identidade àquela italiana casada com um gaúcho. Assim nasceu a Gaúcha Fake.

O primeiro vídeo que viralizou veio a partir da sugestão de um amigo, que propôs adaptar um Reels de uma americana casada com um paulista usando gírias locais. A proposta era simples: mostrar uma italiana casada com um gaúcho, reproduzindo expressões típicas do Estado. O resultado superou todas as expectativas. “Ali eu percebi que os gaúchos se identificavam, se divertiam e gostavam de se ver representados por uma estrangeira”, relembra.

Nos vídeos, Caterina costuma comparar os gaúchos com outros brasileiros, explorando o contraste cultural de forma leve. Expressões como “ratiei”, “bem capaz”, “não te fresqueia” ou “aí é pra cair os butiá dos bolsos” são recorrentes e, muitas vezes, geram dúvidas até mesmo entre brasileiros de outros estados. Segundo ela, essas situações rendem humor justamente por evidenciar o quanto o vocabulário gaúcho é particular.

Outro elemento marcante do conteúdo é o chimarrão. Mais do que presença cênica, o mate faz parte do cotidiano da criadora. “Não é algo para agradar. Eu sou realmente apaixonada por chimarrão”, conta. O hábito se repete em diferentes momentos do dia e acabou se tornando um símbolo constante nos vídeos.

A relação com a cultura gaúcha também aparece na paixão pelas cuias, que começaram a chegar como presentes dos seguidores e acabaram formando uma coleção. O objeto virou marca registrada do perfil e inspirou, em 2025, o lançamento da primeira linha de cuias assinada por Caterina, chamada La Vita Bella, criada para homenagear a mistura entre o sangue italiano e o amor pelo Rio Grande do Sul.

Outro símbolo afetivo é o xis gaúcho, descoberto logo na primeira viagem ao Estado. Segundo ela, o lanche representa as experiências vividas no Rio Grande do Sul e desperta saudade, já que não é possível reproduzi-lo fora do país.

O carinho pela cultura do Sul também se traduz em projetos fora das redes sociais. Em julho de 2025, Caterina participou da realização da primeira festa gaúcha na Itália, reunindo gaúchos que vivem no país e viajantes de diferentes regiões. A partir da experiência, surgiu a ideia de criar o primeiro CTG gaúcho na Itália, projeto que ainda está em fase de construção.

O alcance do conteúdo ultrapassa fronteiras. Além da forte identificação do público gaúcho, os vídeos despertam curiosidade entre os italianos, que frequentemente perguntam sobre o chimarrão e os costumes retratados. Muitos, inclusive, demonstram interesse em compreender melhor a cultura gaúcha apresentada pela criadora.

Em 2025, Caterina esteve na Casa de A Plateia, durante a Expointer, onde concedeu entrevista ao grupo, reforçando o vínculo com o Rio Grande do Sul e com os leitores da região. Para ela, a Gaúcha Fake não representa exagero ou caricatura, mas uma parte verdadeira de quem se tornou ao longo dessa vivência cultural. “Mesmo sendo italiana, eu adotei essa tradição com muito carinho”, finaliza.

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