Edição de Chico Bruno
Manchetes dos jornais
FOLHA DE S.PAULO – BC mantém Selic em 15% pela quinta vez seguida e indica corte em março
O GLOBO – BC mantém juros em 15%, mas indica redução em março
Valor Econômico – BC mantém juros em 15% ao ano pela 5ª vez e sinaliza corte da Selic na reunião de março
O ESTADO DE S.PAULO – Copom mantém juros, mas diz que pode fazer corte em março
Correio Braziliense – Piloto que levou jovem à UTI tem quatro denúncias por agressões
Destaques de primeiras páginas, fatos e bastidores mais importante do dia
MANTIDA taxa – O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central manteve inalterada nesta quarta-feira (28) a taxa básica de juros em 15% ao ano pela quinta reunião seguida. Apesar da decisão conservadora, tomada por unanimidade, indicou que prevê dar início ao ciclo de queda da Selic no encontro seguinte, em março. O encontro desta quarta teve quórum reduzido, uma vez que ainda não foram anunciados pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) os substitutos dos diretores Diogo Guillen (Política Econômica) e Renato Gomes (Organização do Sistema Financeiro e de Resolução), cujos mandatos terminaram em 31 de dezembro de 2025. A decisão do Copom sustentou o atual diferencial entre os juros do Brasil e dos Estados Unidos. Mais cedo, o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) interrompeu o ciclo de cortes, apesar da pressão do presidente Donald Trump, e manteve as taxas estáveis na faixa entre 3,5% e 3,75% ao ano. Para o comitê, o ambiente externo se mantém incerto devido à política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais.
VALENTÃO – Acusado de espancar um adolescente de 16 anos que está em coma num hospital de Águas Claras, Pedro Arthur Turra Basso, 19 anos, é investigado agora em mais três inquéritos por violência física. Desde 23 de janeiro, quando foi preso — e liberado após pagar fiança — por bater na vítima que está em estado grave, Pe dro foi denunciado em outros casos. Na terça, um rapaz afirmou ter sido atacado com socos e um “mata-leão” pelo piloto de automobilismo. Ontem, uma jo vem acusou Turra de obrigá-la a beber vodca numa festa. Em outro boletim de ocorrência, um homem de 50 anos prestou queixa por ter sido agredido (foto) após uma suposta briga de trânsito. Os casos estão sendo apurados pelas 38ª DP (Vicente Pires) e 21ª (Taguatinga Sul). A defesa do acusado não se manifestou.
PF vai apurar – A Polícia Federal abriu inquérito para investigar a atuação de influenciado res digitais em um suposto ataque orquestrado ao Banco Central, por meio das redes sociais, após a autoridade monetária decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master. O processo foi autorizado pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso. As suspeitas surgiram após influenciadores de direita denunciarem terem sido abordados com propostas financeiras para gravar vídeos com críticas ao BC. O objetivo seria atacar a liquidação do Master e colocar em xeque a credibilidade da autoridade monetária. A partir disso, a PF produziu um relatório preliminar e o entregou a Toffoli.
CÓDIGO De conduta – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, marcou uma reunião para o próximo dia 12 com os outros 10 magistrados da Corte na qual pretende discutir a criação de um código de conduta voltado aos integrantes de tribunais superiores. Ele também quer dialogar sobre a crise e os desdobramentos do caso Master. Fachin tenta convencer o relator, Dias Toffoli, a retornar o inquérito para a primeira instância. A estratégia é vista como uma solução menos desgastante no momento. Toffoli tem sido questionado pelos recuos em decisões e por interferência na autonomia da Polícia Federal na investigação. Além disso, críticos têm apontado a suposta ligação da família do ministro com Daniel Vorcaro, dono do Master.
RISCOS de governança – O caso do Master com o BRB expõe os riscos de um ambiente bancário altamente competitivo que pode estimular práticas de governança mais frágeis, avalia a Fitch Ratings em relatório sobre o setor financeiro em economias emergentes. Para a agência de classificação de risco, a corrida por escala e participação de mercado pode empurrar instituições menores a assumir riscos além do adequado, enfraquecendo controles internos. A Fitch destaca que bancos de pequeno porte, sobretudo os que crescem de forma acelerada, costumam subestimar riscos operacionais e operar com estruturas de treinamento e supervisão aquém do necessário.
TÔ fora – Em meio às investigações sobre fraudes do Banco Master, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, procurou descolar o governo de envolvimento no caso. Ela argumentou que o escândalo foi revelado e está sendo apurado na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E destacou haver “muito mais governos de oposição” ligados ao imbróglio. “A oposição tem que explicar os envolvimentos dos seus governos com essa questão. O governo do Distrito Federal, o governo do Rio de Janeiro, que estão envolvidos com os fundos de pensão em relação ao Master”, disparou a ministra, durante café da manhã com jornalistas, ontem, no Palácio do Planalto. “A oposição também tem de expli car porque Fabiano Zettel, cunhado do Vorcaro (Daniel Vorcaro, dono do Master), foi o maior doador individual da campanha do Bolsonaro e do Tarcísio. Parece-me que tem muito mais explicações para a oposição dar do que o governo. Quem tinha relação com o Master eram eles, isso está claro”, acrescentou.
CONVOCAÇÃO – A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, defendeu que o titular da Fazenda, Fernando Haddad, concorra nas eleições deste ano. Cotado para disputar uma cadeira no Senado pelo PT de São Paulo, o ministro ainda não tomou uma decisão, embora já tenha anunciado que deixará o cargo no mês que vem. Segundo ele, que entregará o comando da Fazenda para o secretário-executivo Dario Durigan, a desincompatibilização terá o objetivo de “ajudar” na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
SEGURANÇA na pauta – Em reunião do Colégio de Líderes, a Câmara deu início à organização dos trabalhos do ano legislativo. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicou que terão prioridade o acordo Mercosul–União Europeia, cuja intenção é dar tramitação acelerada assim que chegar ao Congresso; e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, a ser debatida nas próximas semanas, com previsão de votação depois do carnaval. Relator da PEC, Mendonça Fi lho (União-PE) afirmou que a estratégia definida prevê uma roda da de apresentações do substitutivo do texto, apresentado em dezembro, a todas as bancadas antes da deliberação final. “O presidente Hugo reafirmou a prioridade para a pauta da segurança pública, e naturalmente es se tema vai ser deliberado agora no início dos trabalhos legislativos, a partir de fevereiro”, disse.
MESSIAS na área – O governo não planeja demorar para enviar ao Senado a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Gleisi acredita, inclusive, que é possível aprovar antes das eleições. “É muito ruim o STF ficar sem um ministro”.
“FOLLOW the money” – Ao dizer que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro foi preso na gestão de Ricardo Lewandowski, no Ministério da Justiça e Segurança Pública, Gleisi ensaia o tom que Lula adotará na campanha, caso o tema venha à baila. A ordem no governo é se ater aos fatos e seguir o caminho do dinheiro.
PALAVRA cumprida – PSD e PL fizeram valer um acordo do ano passado e trocaram comissões permanentes. A de Agricultura passará para a presidência do PSD e a de Minas e Energia, para o PL. Em 2025, as legendas travaram uma disputa pela Comissão de Minas e Energia (CME). À época, o partido de Kassab fechou questão e ficou com a comissão, mas negociou com o PL para que, em 2026, a CME ficasse com os bolsonaristas.
BRIGA de paternidade – Parlamentares dos mais diversos campos políticos apostam que o tema da segurança pública vai dominar o debate eleitoral de 2026. Os da esquerda nem esperaram o ano legislativo para começar a apresentar projetos sobre o assunto. Nos bastidores, o que se diz é que esquerda e direita vão brigar pelo controle das pautas de segurança no Congresso.
VOLTA às aulas – Reinou a calmaria na primeira reunião de líderes da Câmara dos Deputados este ano, depois do longo recesso parlamentar. Tudo por causa da ausência dos dois líderes da oposição — Gustavo Gayer (PL-GO) e Cabo Gilberto (PL-PB). Eles planejavam pedir ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos PB), que faça um apelo ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para marcar a sessão de análise dos vetos o mais rápido possível. Como não compareceram, a necessidade de reunir logo o Congresso nem foi mencionada.
TURBINADO – O maior evento de energia do país, o ROG.e, promete movimentar o Rio de Janeiro praticamente às vésperas da eleição. Com 93% de ocupação dos espaços no Riocentro, o evento organizado pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) reunirá os principais líderes e especialistas do mercado global de energia. São esperadas 75 mil pessoas, entre 21 e 24 de setembro.
ANOTA aí – Na próxima terça-feira, a Frente Parlamentar pelo Livre Mercado (FPLM) vai inaugurar o ano legislativo com um jantar em sua sede. As presenças dos governadores Romeu Zema (Novo-MG) e Jorginho Mello (PL-SC) estão confirmadas.
GOVERNO aposta em racha nos partidos de centro – Nesse momento em que traça a estratégia para cada estado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixa claro que investirá na fratura das forças de centro que tentam quebrar a polarização neste ano eleitoral. O PSD de Gilberto Kassab, por exemplo, é tido na base como novo MDB, que pode até ter candidato ao Planalto, mas não conseguirá unir a legenda em torno de um nome. Ainda que tenha três ases na mão — Ratinho Júnior, Eduardo Leite e, agora, Ronaldo Caiado —, a aposta é de que o PSD vai rachado para as eleições de outubro. E não está no projeto do governo dispensar os ministros do partido de Kassab. A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, respondeu assim, quando perguntada como ficam os ministros diante da ideia de o PSD lançar candidato ao Planalto: “Fica como está. A gente já teve acordo com o PSD em vários estados na eleição de 2022. O PSD não é um partido de unidade nacional. É um partido que se movimenta pelos interesses regionais federados e nós vamos saber lidar com isso”, afirmou.
NOVIDADE no terreno – A filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD, mexeu com o tabuleiro da corrida presidencial. Apesar de o partido não ter decidido quem lançará como candidato para concorrer contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), os dois nomes colocados até agora, a ideia é percorrer a trilha que Tarcísio de Freitas (Republicanos) deixou aberta. Isso por que, o governador paulista — que agora tentará a reeleição — tinha tudo para aglutinar os votos da direita não bolsonarista e de parte do centro que rejeita o PT por conta do perfil de moderação. É esse espaço que o representante do PSD pretende ocupar, sendo Caiado ou os governadores Ratinho Jr. (PR) e Eduar do Leite (RS), ambos pré-candid tos ao Palácio do Planalto.
MATAR de vez – O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, defendeu a união dos partidos e candidatos de centro-direita para “matar no primeiro turno” a eleição presidencial. O comentário foi feito após o anúncio de que o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, está trocando o União Brasil pelo PSD. Segundo ele, não existe espaço para uma terceira via eleitoralmente viável no pleito, mesmo com a migração de Caiado para o PSD. “O sobrenome Bolsonaro é muito forte, e o do Lula também”, afirmou. O dirigente afirma que depois do Carnaval, Flávio vai buscar representantes de outros partidos de centro-direita para conversar sobre uma aliança já na primeira etapa da eleição. Ele incluiu Romeu Zema (Novo) entre os nomes a serem procurados para uma coligação.
TARCÍSIO REELEITO – Pesquisa Apex/Futura com eleitores no estado de São Paulo mostra cenário favorável para a reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Ele se mantém na liderança, no intervalo de 40,4% a 42,5%, a depender do cenário de primeiro turno pesquisado. No segundo turno, o governador bate com folga seus possíveis adversários. Tarcísio atinge 56,5%, contra 31,2% de Fernando Haddad (PT); 53,9%, contra 35,4% de Geraldo Alckmin (PSB); e 60,1%, contra 26,6% de Simone Tebet (MDB). A pesquisa ouviu 1.200 pessoas em 257 cidades do estado entre 20 e 23 de janeiro, com margem de erro de 2,8 pontos percentuais. O levantamento também perguntou sobre a intenção de votos para presidente entre os eleitores paulistas. Em cenário de segundo turno, Flávio Bolsonaro bateria o atual presidente por 50,5% a 38,2%. Lula também perderia de Tarcísio (54,2% a 34,9%) e Ratinho Jr. (49,2% a 37%).
BOLSONARO deve selar adesão de Tarcísio a Flávio – A visita do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), nesta quinta-feira (29), deve virar a página em relação a desentendimentos recentes entre os dois líderes da direita, avaliam aliados ouvidos pela Folha. Segundo esses interlocutores, o clima para o encontro na Papudinha, onde Bolsonaro está preso em Brasília, é de resolução para que o governador embarque de maneira efetiva na pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência.
MAURO Cid reformado – O Exército autorizou a aposentadoria antecipada do tenente-coronel Mauro Cid, 46, ex-auxiliar de Jair Bolsonaro, condenado pela trama golpista pelo STF (Supremo Tribunal Federal). O militar, que foi delator no processo que levou o ex-presidente à prisão, deixará o serviço a partir de 31 de janeiro e entrará para a reserva. Em nota, o Centro de Comunicação Social do Exército afirmou que “o pedido de Cid para passagem à reserva remunerada, na cota compulsória, foi deferido pelo Comandante do Exército. Desta forma, o militar está previsto para passar à reserva a partir de 1º de fevereiro de 2026”.
MOTTA prioriza governo Lula – A primeira reunião de líderes da Câmara dos Deputados em 2026 terminou com vitórias do governo Lula, que emplacou a votação de duas medidas provisórias para a próxima segunda-feira (2), primeiro dia de trabalho da Casa. Trata-se dos textos sobre o auxílio gás, uma das apostas de Lula para as eleições, e sobre renegociação das dívidas dos produtores rurais prejudicados por “eventos adversos”. De acordo com o líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), também foi acordado que os partidos manterão a presidência das comissões da Câmara que já ocupavam, mudando apenas os nomes dos parlamentares. Os partidos devem apontar seus escolhidos antes do Carnaval.
PL isolado em SC – O atrito entre Carlos Bolsonaro e Jorginho Mello está levando partidos centristas a isolar o PL em Santa Catarina. O MDB, insatisfeito com a escolha de Adriano Silva como vice de Mello, saiu da base e articula aliança com PSD, União Brasil e PP. Essa coalizão, que controla 174 prefeituras, pode apoiar João Rodrigues (PSD) ao governo. O impasse afeta a candidatura de Esperidião Amin ao Senado, favorecendo Carlos Bolsonaro e Carol de Toni.
PESQUISA sem registro – Uma pesquisa da consultoria mexicana Uchtica Research com dados sobre avaliação presidencial e intenção de voto nas eleições de outubro foi publicada nas redes sociais esta semana, sem que a empresa se registrasse no Tribunal Eleitoral, conforme exigido pela legislação. O relatório indica uma leve vantagem, dentro da margem de erro, do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um possível cenário de segunda rodada na disputa pelo planalto. O caso foi reportado pelo portal Jota e confirmado pelo GLOBO. A comunicação dos dados foi realizada pela empresa de consultoria na rede social X e compartilhada por outros perfis. A lei eleitoral estipula que todas as sondagens publicadas em um ano eleitoral devem ser registradas junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A divulgação sem registro prévio sujeita os responsáveis a uma multa entre R$ 53.205,00 e R$ 106.410,00. Quando questionado sobre quais medidas serão tomadas diante da divulgação dessa pesquisa, o TSE não respondeu.

Germano Rigotto critica entrada do estado no mercado de bets: “medida absurda”
O ex-Governador Germano Rigotto recordou que em 2004 desistiu de reabrir a Loteria do Estado ao perceber que, não sendo administrada pela Secretaria da Fazenda, seria terceirizada com um retorno financeiro muito reduzido para o estado. Em conversa com o jornalista Flavio Pereira, Rigotto comentou que agora, a tentativa de ampliar a arrecadação do Tesouro mediante a autorização da loteria sob a forma de “bets” não compensa os impactos sociais negativos da medida. Os estudos do governo do estado para autorizar a loteria mereceram crítica forte de Rigotto:
— Isso é uma vergonha, um absurdo, com todos os malefícios que sabemos que esse mercado de apostas tem causado a tantas famílias gaúchas”, declarou.
Germano Rigotto lembrou que “eu raramente comento medidas adotadas por meus sucessores. Mas entendo que o papel de um ex-governador é sempre defender a instituição do Poder Executivo, e espero sinceramente que o governador Eduardo Leite reveja essa medida verdadeiramente absurda”,

