Mesmo abaixo de chuva, foi realizado o encontro para celebrar o Dia Nacional do Fusca.
O carinho pelo fusca provou ser mais forte do que o mau tempo. No último domingo, 18 de janeiro, o Parque Internacional foi palco de um tradicional encontro para celebrar o Dia Nacional do Fusca. Apesar da chuva e da ventania que atingiram a região, o evento, organizado por Sérgio Castro na parte brasileira e Joel Rodriguez em solo uruguaio, reuniu entusiastas e curiosos, reforçando o status do Fusca como um ícone da cultura automotiva brasileira.
O encontro foi antecipado do dia 20 – data oficial do dia nacional do fusca – para o domingo, visando facilitar a participação do público. A decisão se mostrou assertiva, com a presença de aproximadamente 72 carros, dos quais 48 eram fuscas e o restante, veículos antigos de outras marcas, que vieram prestigiar o evento.
“A gente é muito raiz, a gente vai e encara o tempo. Os carros antigamente encaravam o tempo de qualquer jeito e não vão encarar hoje”, afirmou Sérgio Castro, coorganizador, destacando a determinação dos participantes.
Afeto via quilômetros
O fusca, ou “fuca”, como carinhosamente é chamado por alguns, transcende a categoria de automóvel para se tornar um pacote de memórias afetivas. As histórias de viagens em família, pescarias e idas à praia, muitas vezes com o carro “carregado” e “com vaca em cima”, ilustram o papel central que o fusca desempenhou na vida de milhões de brasileiros.
O evento, que se estendeu das 18h30 à meia-noite, atraiu um público estimado em 3 a 4 mil pessoas que passaram pelo local. A movimentação de carros e pessoas, que incluía visitantes de Rosário ao Pará, chegou a criar um trânsito de curiosos na rua secundária em frente ao largo Hugolino Andrade, onde o evento estava concentrado.
Fraternidade nas estradas e contexto histórico
A paixão pelo fusca não se limita por fronteiras. Sérgio em entrevista à Plateia, revela que já viajou com seu fusca pela Argentina, encontrou no evento um casal de argentinos que o reconheceu. “Vimos o fuca lá de cima do hotel e viemos ver se te achava aqui”, relataram, evidenciando a forte identificação que o carro proporciona.
O coorganizador também fez questão de contextualizar a data: o Dia Nacional do Fusca, 20 de janeiro, foi estabelecido em 1989 por um grupo de carros antigos da linha Volkswagen em São Paulo, em parceria com a própria montadora. A homenagem ocorreu após o encerramento da linha de produção do fusca no Brasil em 1986. Na ocasião, a Volkswagen ofereceu 50% de desconto em peças novas para quem levasse seu fusca à concessionária para reparos durante uma semana, essa ação foi um sucesso, e para comemorá-la este grupo de fãs organizou uma carreata que partiu do Pacaembu rumo ao Autódromo de Interlagos. A ação foi um sucesso, marcando assim a data como especial. Apesar do tempo adverso, que, segundo Sérgio, impediu a presença de mais de 100 carros, o encontro teve um ótimo resultado. A atmosfera familiar, refletida na presença de crianças e a confraternização em torno do chimarrão, reforçou o espírito do evento. O fusca, com sua história e seu design inconfundível, continua a ser um elo entre gerações e um símbolo de resistência e paixão no cenário automotivo.
