Jornal A Plateia – Rádio RCC – Santana do Livramento

ter, 20 de janeiro de 2026

AS AGRURAS DE ENVELHECER

Foto: Divulgação
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Gilberto Jasper
_*Jornalista/gilbertojasper@gmail.com*
Talvez seja apenas impressão, mas meus antepassados não tinham tanta preocupação com o envelhecimento como se vê hoje. No tempo dos meus avós, morrer aos 50 anos era natural. Não havia medicina tão avançada, drogas e medicamentos preventivos de tantas doenças e exames que antecipam inúmeros males.
O aumento da expectativa de vida acarretou o agravamento de problemas financeiros para milhares de famílias. Chegar aos 70, 80, 90 anos é comum, mas nota-se que existe enorme dificuldade para manter os cuidados com os velhinhos.
É raro encontrar famílias que possuem condições para manter cuidadores para assistir a pais e avós. Além do custo elevado, existe temor em relação ao tratamento dispensado aos idosos quando os parentes não estão em casa ao longo do dia.
Colocar os idosos em instituições repete as desconfianças mantidas com os cuidadores. Há sempre relatos de maus tratos, golpes com os valores da aposentadoria além do crédito consignado. Sem falar no próprio abandono dos familiares. Muitos querem “se livrar” dos velhos, terceirizando responsabilidades, sempre creditando à falta de tempo o abandono disfarçado.
A perda de autonomia é uma das mais doloridas consequências daqueles que chegam à velhice. Perder o direito de dirigir o próprio automóvel, ser impedido de viajar sozinho, de sair à rua e até para fazer uma simples caminhada pelo bairro gera revolta, depressão e perda de autoestima.
Muita gente recorre a grupos de idosos para viajar, se divertir, praticar esportes ou simplesmente gozar daquilo que a vida ainda oferece.  Passei alguns dias no litoral e constatei a grande quantidade de turmas formada pelos “70 +”. Eles se encontravam todos os dias no mesmo lugar, compartilhavam de churrascos à beira mar, dividiam coolers lotados de cerveja e de espumante e combinavam viagens no retorno às cidades de origem. Também era possível ouvir sonoras gargalhadas depois de piadas contadas com gestuais e imitação de velhos conhecidos.
Envelhecer não é tarefa fácil. Exige adaptação, conformismo diante das limitações e, por isso mesmo, adaptações à nova realidade. A isso soma-se à necessidade de conviver com os palpites de filhos, netos, noras e genros. E assim segue a vida!
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