Edição de Chico Bruno
Manchetes dos jornais
FOLHA DE S.PAULO – Trump poupa petróleo, aço e aviões de tarifaço contra o Brasil que começa dia 6
O ESTADO DE S.PAULO – Trump acentua retaliação política, mas tarifaço atingirá menos setores
Valor Econômico – Trump impõe tarifa de 50% sobre produtos do Brasil, mas abre quase 700 exceções
CORREIO BRAZILIENSE – Tarifaço atinge café e carne, mas alivia Embraer e suco de laranja
O GLOBO – Trump aplica sanção a Moraes e anuncia tarifaço desidratado
Destaques de primeiras páginas, fatos e bastidores mais importantes
Fora do tom – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) decreto que implementa uma tarifa adicional de 40% sobre os produtos importados do Brasil, elevando o valor total da sobretaxa para 50% —considerando os 10% anunciados em abril. As taxas entrarão em vigor em sete dias. O decreto tem uma lista com quase 700 exceções, que livram 43% dos itens brasileiros exportados para os Estados Unidos, segundo levantamento feito pela Folha. Ficarão isentos do tarifaço, por exemplo, derivados de petróleo, ferro-gusa, produtos de aviação civil e suco de laranja. Por outro lado, carnes, café e pescado não escaparam. O mercado financeiro reagiu favoravelmente às exceções. A sobretaxa de 50%, que havia sido anunciada por Donald Trump no dia 9 de julho, está entre as maiores implementadas para países que exportam aos EUA e possui motivação mais política que econômica. O decreto que implementa as tarifas cita o nome de Jair Bolsonaro (PL) e diz que o ex-presidente —réu no STF (Supremo Tribunal Federal) em processo que apura trama golpista em 2022— sofre perseguição da Justiça brasileira. Em comunicado, a Casa Branca disse que a medida oficializada nesta quarta visa “lidar com as políticas, práticas e ações recentes do governo brasileiro que constituem uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos”.
Poderes repudiam sanções a Moraes – As lideranças do Judiciário, do Executivo e do Legislativo do Brasil saíram em defesa, ontem, do ministro do STF Alexandre de Moraes, atingido por medidas dos EUA com base na Lei Magnitsky. Essa legislação institui restrições econômicas — as contas bancárias do suspeito podem ser alcançadas — e políticas para os sancionados, e foi utilizada contra ditadores, terroristas e acusados de violações aos direitos humanos. Moraes é acusado pelo presidente Donald Trump de provocar “caça às bruxas”. Em nota, o presidente do Supremo, Luís Roberto Barroso, reafirmou a independência da Justiça. “O STF não se desviará do seu papel de cumprir a Constituição”.
Bolsonaristas festejam – Aliados de Jair Bolsonaro comemoraram a inclusão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), entre os sancionados pela Lei Magnitsky. O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que tem se apresentado como o principal articulador do tarifaço de 50% — que prejudica as exportações brasileiras para os Estados Unidos — e dos ataques do governo de Donald Trump ao magistrado, exultou nas redes sociais. O filho 03 do ex-presidente disse ter a “sensação de missão cumprida”, agradeceu ao presidente norte-americano e aos parlamentares republicanos responsáveis pela medida.
Sóstenes pede que Itália conceda asilo a Zambelli – O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), viajou, ontem, para a Itália, com o objetivo de pedir à primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, asilo político para a deputada Carla Zambelli (PL-SP), que está presa desde terça-feira, em Roma. No ofício que pretende entregar pessoalmente a Meloni, o parlamentar argumenta que Zambelli é vitima de perseguição política pelo Supremo Tribunal Federal (STF), citando nominalmente o ministro Alexandre de Moraes. Sótenes também encaminhou ofício ao ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, solicitando que negue o pedido de extradição da deputada feito pelo governo brasileiro.
Bolsonaro: “Tem censura no Brasil ou não?” – Proibido de se manifestar nas redes sociais, o ex-presidente Jair Bolsonaro evitou, ontem, expressar verbalmente o apoio à aliada, Carla Zambelli, presa no dia anterior, na Itália. Ainda cedo, pela manhã, ao chegar à sede do Partido Liberal (PL), em Brasília, foi abordado por jornalistas sobre a prisão. Sem mencionar diretamente o nome da aliada, Bolsonaro respondeu com uma pergunta retórica: “Tem censura no Brasil ou não?”, disparou antes de entrar no prédio escoltado por seguranças. A fala, embora breve, foi interpretada como uma tentativa de manter acesa a narrativa de perseguição política e “censura judicial” — discurso frequentemente utilizado por Bolsonaro e seus aliados quando confrontados com decisões do Judiciário. A omissão deliberada de qualquer menção direta à prisão de Zambelli aparenta como estratégia de contenção: ao mesmo tempo que sinaliza apoio à base, o ex-presidente evita agravar sua própria situação legal.
Luz vermelha no horizonte de Lula- O que indicava a recuperação da popularidade do governo de Luiz Inácio Lula da Silva tornou-se uma preocupação para os aliados do petista. O dia de ações impostas ao Brasil pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demonstrou o caráter político por trás do tarifaço às importações brasileiras. Neste cenário, o Planalto elabora um plano de resposta que possa influenciar a opinião pública e os produtores impactados. Há dúvidas se a Lei da Reciprocidade é a melhor saída para a crise diplomática e comercial, pois poderia esticar ainda mais polarização política. O decreto que impõe uma tarifa adicional de 40% sobre produtos, elevando o total para 50%, começa a valer em 6 de agosto — dois dias após a volta dos trabalhos do Congresso Nacional.
Morde e assopra – Há um certo alívio com a exclusão do papel celulose, do suco de laranja e dos aviões da Embraer da lista do tarifaço dos Estados Unidos entre os mais de 700 produtos preservados do tarifaço de Trump. Empresários paulistas comemoram, sobretudo em relação aos últimos dois itens. O recuo deve atenuar os danos inicialmente estimados pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de que haveria queda de até 2,7% no PIB e perda estimada de 120 mil empregos em decorrência da sobretaxação.
Interesse escuso – Ao assinar o tarifaço, Trump acusou o STF e o ministro Alexandre de Moraes de perseguirem Jair Bolsonaro. No entanto, especialistas acreditam que o pedido de anistia ao ex-presidente é um pretexto para atender aos interesses das big techs, insatisfeitas com a regulamentação das plataformas no Brasil.
Há quem diga… – … Que a única coisa que poderia preocupar Alexandre de Moraes, ontem, era o jogo do Corinthians contra o Palmeiras. Com o visto vencido há dois anos, o magistrado não sinaliza intenção de obter o documento, não tem bens nem investimentos nos Estados Unidos. O ministro é a primeira autoridade brasileira punida pela Lei Magnitsky — criada em 2016 para penalizar russos envolvidos em violações dos direitos humanos e corrupção.
Ansiosos para 2026 – Em solenidade em Cidade de Goiás, nesta semana, o governador Ronaldo Caiado (União) vestiu uma faixa do governo do estado que se assemelhava à da Presidência da República. O gesto foi motivo de brincadeira de um dos homenageados: “Haverá sinais”. O público presente riu e aplaudiu. Na ocasião, o vice-governador Daniel Vilela sinalizou que pretende concorrer ao cargo de Caiado em 2026, claro, com a bênção do incumbente.
#Chateada – Presa em Roma, na Itália, a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) disse, em entrevista ao jornal La Repubblica, que esperava mais apoio da extrema direita italiana. “Esperava algo mais. De Salvini (Matteo Salvini, vice-primeiro ministro e dirigente do partido Liga Norte), mas também de Giorgia Meloni (primeira-ministra da Itália), que é amiga de Trump. E Trump sabe o que está acontecendo no Brasil”, disse.
Brasiliano – A deputada federal Sâmia Bomfim (PSol-SP) protocolou, ontem, um pedido na Câmara dos Deputados para que o deputado italiano Angelo Bonelli seja reconhecido com o título de cidadão honorário da República Federativa do Brasil.
Grazie – Um dos primeiros a protestar contra a ida de Zambelli à Itália, Bonelli afirma ter repassado o endereço da deputada à polícia. Ele tem fortes ligações com o Brasil e com o governo Lula. É um defensor da Amazônia e postou fotos ao lado da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, de quem diz ser um admirador.
Satisfeitos, mas nem tanto – Um levantamento do Ranking dos Políticos mostra que a maioria dos parlamentares está “satisfeita” com as orientações partidárias em seus mandatos. No Senado, a aprovação está em 85,8%. Na Câmara dos Deputados, 75,4%. Porém, na mesma pesquisa, 29% manifestou incerteza ou intenção de mudança de sigla em breve.
Homenagem – A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) será homenageada, na próxima quarta-feira, em sessão solene na Câmara dos Deputados pelos seus 20 anos de atuação. “Temos um futuro promissor e a atuação da agência será cada vez mais decisiva para impulsionar a inovação, promover a sustentabilidade e a competitividade do setor industrial do país”, afirmou o presidente da entidade, Ricardo Capelli, à coluna.
Bannon celebra sanções a Moraes – Um dos ideólogos da direita americana, Steve Bannon comemorou a aplicação da Lei Magnitsky pelo governo Donald Trump contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. “Toma essa, Moraes. A punição finalmente chegou para Lúcifer”, disse em mensagem enviada ao Painel. Ele usou a expressão em inglês “the hammer finally dropped”, que literalmente significa “o martelo finalmente caiu”. Bannon é próximo da Casa Branca e tem sido um dos principais interlocutores dos bolsonaristas com o trumpismo. Ele ajudou o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o influenciador Paulo Figueiredo a fazer lobby por punições a Moraes e ao Brasil. O ideólogo afirmou ainda que haverá mais sanções ao STF “no caso da continuação da perseguição política ilegal a Jair Bolsonaro”.
Eurodeputados de direita pedem sanções contra Moraes – Um grupo de deputados direitistas do Parlamento Europeu pediu nesta quarta-feira (30) à alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas, sanções do bloco contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e aliados por violações aos direitos humanos e aos princípios democráticos. Os parlamentares são integrantes de dois partidos de direita no Parlamento Europeu, o ECR (Reformistas e Conservadores Europeus) e o Patriotas Pela Europa, que têm membros de vários países. O documento é assinado pelo polonês Dominik Tarczynski, membro do Parlamento Europeu, e subscrito por outros 15 parlamentares. Entre as sanções pedidas estão congelamento de ativos e proibições de viagens contra Moraes e “ministros cúmplices” do STF. No documento, eles afirmam que as ações do ministro constituem uma “grave ameaça à liberdade de expressão” e ao Estado de Direito, minando os fundamentos democráticos que o Brasil compartilha com a União Europeia.
STF responde ao governo Trump e se solidariza com Moraes – O STF (Supremo Tribunal Federal) afirmou nesta quarta-feira (30) que não se desviará de seu papel de fazer cumprir as leis e a Constituição Federal. A nota oficial em nome da corte ressalta, ainda, que todas as decisões tomadas pelo ministro Alexandre de Moraes, alvo de sanções pelo governo Donald Trump, foram referendadas por outros magistrados. “O Supremo Tribunal Federal não se desviará do seu papel de cumprir a Constituição e as leis do país, que asseguram a todos os envolvidos o devido processo legal e um julgamento justo”, diz o texto. A corte também manifesta, na nota, solidariedade ao ministro.
Governo responde aos EUA e diz que sanção a Moraes é trairagem – O presidente Lula (PT) afirmou, em nota, que é inaceitável a interferência do governo dos Estados Unidos na Justiça brasileira e prestou apoio ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), alvo de sanções de Donald Trump nesta quarta-feira (30), afirmando que as retaliações foram motivadas por políticos traidores da pátria. “O governo brasileiro se solidariza com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, alvo de sanções motivadas pela ação de políticos brasileiros que traem nossa pátria e nosso povo em defesa dos próprios interesses”, diz o comunicado.
Zambelli vai para presídio em Roma – Depois de ser presa pela polícia italiana na noite de terça-feira (29), em Roma, na Itália, após quase dois meses como foragida, a deputada licenciada Carla Zambelli (PL-SP) será interrogada pela Justiça italiana para que sua prisão seja validada. O Ministério da Justiça da Itália afirmou à Folha que a audiência está marcada para esta sexta-feira (1º). Também confirmou que ela foi levada para o presídio feminino de Rebibbia, em Roma. Nesse momento, Zambelli será interrogada sobre se, diante da existência do mandado de prisão internacional, gostaria de ser enviada espontaneamente para o Brasil, sem a necessidade de um processo de extradição. Se ela responder que não, que se opõe à extradição e que pretende continuar na Itália, o juiz vai decidir que tipo de medida cautelar ela deverá cumprir no país enquanto o processo de extradição tramitar. São três as possibilidades: Zambelli pode continuar presa em penitenciária, ir para prisão domiciliar ou aguardar em liberdade. Em seguida, o processo de extradição tem início de fato.
Quem já foi sancionado pela lei Magnitsky – A Lei Magnitsky, aplicada pelo governo dos EUA, sancionou mais de 650 entidades desde 2017, incluindo o ministro do STF Alexandre de Moraes. Originalmente focada em violações de direitos humanos e corrupção, a lista já incluía 23 brasileiros ligados ao terrorismo e tráfico de drogas. Criada em 2012, a lei visa punir abusos e corrupção globalmente, sem necessidade de condenação judicial prévia.
Governadores de direita evitam se posicionar – Governadores aliados de Jair Bolsonaro evitam comentar as novas sanções dos EUA contra Alexandre de Moraes e o tarifaço de 50% a produtos brasileiros. Tarcísio de Freitas, Romeu Zema e Ronaldo Caiado, cotados para 2026, não se manifestaram, gerando críticas de bolsonaristas como Silas Malafaia. O pastor cobra posicionamento contra Moraes e o STF, destacando a omissão dos governadores.
Alvo de sanções vai a Corinthians x Palmeiras – O ministro do STF, Alexandre de Moraes, assistiu ao jogo Corinthians x Palmeiras na Neo Química Arena, mesmo após ser alvo da Lei Magnitsky dos EUA, que impõe sanções por corrupção ou violações de direitos humanos. Moraes, torcedor declarado do Corinthians, fez gesto obsceno à torcida rival, gerando reações nas redes e entre políticos. O governo brasileiro criticou a interferência americana, defendendo a soberania e a independência do Judiciário.
STF manifesta solidariedade a Moraes – O Supremo Tribunal Federal (STF) publicou nesta quarta-feira, 30, nota institucional em solidariedade ao ministro Alexandre de Moraes após o governo de Donald Trump aplicar a sanções financeiras contra ele com base na Lei Magnitsky. “O Supremo Tribunal Federal não se desviará do seu papel de cumprir a Constituição e as leis do País, que asseguram a todos os envolvidos o devido processo legal e um julgamento justo”, afirmou a Corte. O texto carrega a posição oficial da Corte sobre o tema e transmite coesão em torno de Moraes. Nem mesmo o presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, assina o documento. A instituição defende que todas as decisões tomadas pelo magistrado como relator de processos sobre a tentativa de golpe de Estado “foram confirmadas pelo colegiado competente”.