Mãe e filho enfrentam os desafios da vida sem glúten

Diagnosticados com doença celíaca com apenas 15 dias de diferença, Kássia e Pedro Drekener precisaram adaptar a alimentação e a rotina familiar

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A descoberta da doença celíaca mudou a rotina de Kássia e de seu filho Pedro. Com apenas 15 dias de diferença entre os diagnósticos, mãe e filho passaram a conviver com uma condição que exige cuidados permanentes com a alimentação. A adaptação trouxe dificuldades que vão desde o custo dos produtos sem glúten até a falta de opções seguras para comer fora de casa.

Kássia convivia desde a infância com episódios de vômito, dores no corpo, dermatites e inchaço nos olhos. Sua mãe buscou respostas para os desconfortos ao longo dos anos, mas a causa dos sintomas só foi identificada na vida adulta, após a realização de exames específicos. Quando Pedro também recebeu o diagnóstico, poucos dias depois, a mãe já sabia que a mudança na rotina seria inevitável.

“Quando eu soube do diagnóstico do meu filho, se tornou mais aceitável a doença para mim, porque eu sabia que, a partir daquele momento, o caminho seria árduo”, conta Kássia, que também enfrentou dificuldades até descobrir a própria condição.

Em casa, a família procura manter uma alimentação sem glúten, mas às vezes não consegue atender a todas as necessidades. Os produtos específicos têm custo elevado e nem sempre são encontrados com facilidade. A leitura dos rótulos passou a fazer parte das compras, já que a segurança dos alimentos é uma preocupação constante.

A contaminação cruzada também exige atenção. Mesmo quando um alimento não contém glúten em sua composição, o contato com utensílios ou superfícies contaminadas pode representar um risco para quem tem a doença celíaca. Por isso, a organização da cozinha e o cuidado no preparo das refeições fazem parte da rotina.

Fora de casa, as dificuldades são ainda maiores. Kássia relata que encontrar estabelecimentos preparados para oferecer refeições seguras é uma tarefa complicada. Em viagens, festas e encontros familiares, a família costuma levar os próprios alimentos e utensílios para evitar possíveis contaminações.

“Comer fora é quase impossível, pois não temos lugares seguros e nem inclusivos na cidade. Cada viagem é um caminho árduo, pois qualquer contaminação cruzada sentimos muito no organismo”, relata.

A adaptação de Pedro, por outro lado, surpreendeu a mãe. Segundo Kássia, o menino recebeu a notícia com maturidade e compreendeu a necessidade de cuidar da alimentação. Nas festas dos colegas, passou a levar seus próprios alimentos, contando com o acolhimento de outras famílias. A escola também tem sido importante nesse processo, mantendo os cuidados necessários para que ele participe das atividades.

Apesar das mudanças, Kássia procura encontrar alternativas para que a alimentação continue sendo um momento de prazer. A internet se tornou uma aliada na busca por receitas e preparações sem glúten, principalmente para atender aos desejos de Pedro por guloseimas. Ainda assim, ela sente falta de muitos alimentos que faziam parte da rotina antes do diagnóstico.

A falta de informação sobre a doença celíaca é outra dificuldade enfrentada pela família. Kássia observa que muitas pessoas confundem a condição com a intolerância à lactose ou acreditam que a alimentação sem glúten está relacionada apenas a escolhas estéticas.

A doença celíaca é uma condição crônica e autoimune, que exige a exclusão permanente do glúten da alimentação. Não existe cura, e o tratamento consiste em manter uma dieta rigorosa, evitando também a contaminação cruzada. Para Kássia, compreender essa necessidade é fundamental para que as pessoas celíacas possam participar de diferentes momentos da vida com mais segurança.

Para Kássia, o apoio da família tem sido fundamental para enfrentar os desafios da doença celíaca. Ela destaca a participação do marido, pai de Pedro, e de sua mãe, além do acompanhamento do médico Dionata Liska. A experiência dos dois também reforça a importância da informação e da empatia para que pessoas celíacas possam conviver com a condição e participar de diferentes momentos da vida com segurança

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