“Já não tenho vinte anos.” É uma das frases que mais escuto no consultório, quase sempre dita com um sorriso e depois de muito tempo adiando a consulta. Muitos homens presumem que as dificuldades de ereção são um pedágio inevitável da passagem do tempo, algo que é preciso aceitar em silêncio. A medicina diz outra coisa: a idade aumenta a probabilidade de que apareça a disfunção erétil, mas quase nunca é a causa. Por trás costuma haver algo concreto, que pode ser identificado e, na grande maioria dos casos, tratado.
Um problema frequente e pouco levado à consulta
A disfunção erétil é a dificuldade persistente para conseguir ou manter uma ereção suficiente para uma relação sexual satisfatória. É muito mais comum do que se imagina: os estudos populacionais mostram que cerca da metade dos homens entre 40 e 70 anos apresenta algum grau de dificuldade. No entanto, apenas uma minoria procura uma consulta. A vergonha, a ideia de que “logo vai passar” e a crença de que é normal com o passar dos anos fazem com que muitos convivam durante anos com um problema que afeta sua autoestima, seu relacionamento e sua qualidade de vida. Há, além disso, uma razão mais importante para não esperar, e ela tem a ver com o coração.
O que a ereção revela sobre a saúde
A ereção é, antes de tudo, um fenômeno vascular. Para que ocorra, as artérias do pênis devem se dilatar e encher de sangue os corpos cavernosos. Essas artérias são muito finas, bem mais que as coronárias que irrigam o coração. Por isso, quando os vasos sanguíneos começam a sofrer danos por aterosclerose, hipertensão, diabetes ou tabagismo, as primeiras a serem afetadas costumam ser as do pênis. Na prática, isso significa que a disfunção erétil pode aparecer vários anos antes de um infarto ou de um acidente vascular cerebral. Diversos estudos descrevem uma janela de aproximadamente dois a cinco anos. Visto assim, a dificuldade de ereção deixa de ser apenas um problema sexual e se transforma em uma oportunidade: um sinal precoce que permite investigar e corrigir fatores de risco antes que deem um aviso muito mais grave.
Outras causas que convém descartar
Além do componente vascular, há outras causas frequentes:
- O diabetes, que danifica vasos e nervos e às vezes é diagnosticado justamente a partir desse sintoma.
- A deficiência de testosterona, que costuma ser acompanhada de cansaço, menor desejo e aumento de gordura abdominal.
- Alguns medicamentos, como certos anti-hipertensivos e antidepressivos.
- O consumo de álcool e tabaco, a obesidade e o sedentarismo.
- Fatores emocionais como o estresse, a ansiedade de desempenho, a depressão ou os conflitos no relacionamento.
Com frequência, várias causas coexistem. Um problema que começou sendo físico pode gerar ansiedade, e essa ansiedade, por sua vez, piora a ereção. Por isso, a avaliação deve ser integral.
Quando procurar uma consulta?
Vale a pena marcar uma consulta se:
- As dificuldades se repetem há várias semanas ou meses.
- A ereção é menos firme ou dura menos que antes.
- Você precisa de mais estímulo que o habitual.
- As ereções matinais diminuíram ou desapareceram.
- O problema está afetando sua vida sexual ou seu relacionamento.
A consulta é especialmente importante se você também tem pressão alta, diabetes, colesterol elevado, sobrepeso, se fuma ou se há histórico de doença cardíaca na sua família.
O que acontece na consulta?
Muitos homens temem uma consulta desconfortável ou invasiva, e ela não é. Trata-se de uma conversa profissional e confidencial sobre o histórico clínico, os hábitos, os medicamentos e a vida sexual, acompanhada de um exame físico. Habitualmente, são solicitados exames de sangue para avaliar a glicemia, o perfil lipídico e os níveis hormonais e, conforme o caso, podem ser indicados exames complementares, como uma ultrassonografia Doppler peniana ou uma avaliação cardiovascular. O objetivo não é apenas melhorar a ereção, mas entender por que o problema apareceu e o que ele diz sobre a saúde geral.
“Saúdo todos os colegas de Livramento pelo seu dia. Que sigamos unidos pelo compromisso com a ciência, a prevenção e a qualidade de vida de nossos pacientes. A todos, meu respeito e reconhecimento.”
Texto escrito por Dr. Antonio Balatti · Sexólogo clínico – Médico clínico – Especialista em andrologia –
Texto escrito por: FamilleMed
Contato: (55) 3241-8000
@famillemed
Avenida Almirante Tamandaré, nº 2880

