Uma lavoura pode ter potencial produtivo e, ainda assim, encontrar obstáculos para chegar ao mercado com rentabilidade. Entre o plantio e a venda, há necessidade de capital de giro, armazenagem, transporte e gestão de riscos. A competitividade do agronegócio depende do funcionamento dessa estrutura, na qual as empresas cerealistas exercem papel estratégico.
Ao receber, conservar e comercializar grãos, o cerealista conecta a produção agrícola à indústria e aos compradores. Em muitas regiões, também participa do fornecimento de insumos e das condições comerciais que viabilizam a safra. É uma atividade que exige recursos e assume riscos vinculados ao desempenho do campo.
Por isso, enfrentar o endividamento do agro exige olhar para as relações entre produtores e empresas. A dificuldade de pagamento em um ponto pode restringir a liquidez dos demais. Nossa defesa é que as soluções de renegociação e retomada do crédito considerem essa realidade, com critérios claros e condições compatíveis com o ciclo dos negócios.
Há também uma agenda empresarial indispensável. Governança, sucessão e controles de gestão fortalecem as cerealistas e melhoram sua capacidade de buscar financiamento. Novas fontes de capital devem ser debatidas ao lado do crédito bancário, assim como investimentos em armazenagem e logística. O objetivo é reduzir perdas e custos e criar condições para que a eficiência se converta em renda.
Esses temas integram a proposta do 4º Congresso Cerealista Brasileiro, de 11 a 13 de novembro de 2026, no Costão do Santinho, em Florianópolis. Vamos reunir o setor para discutir financiamento, ambiente de negócios e o papel da originação de grãos na agregação de valor. A relação com as cadeias de alimentos, proteína animal e bioenergia amplia o horizonte dessa discussão.
Como presidente da ACEBRA, entendo que fortalecer o cerealista é uma agenda de desenvolvimento econômico. Empresas capazes de investir oferecem ao agricultor mais alternativas de comercialização e serviços. O país precisa reconhecer essa contribuição e construir condições para que a produção encontre, em toda a cadeia, capacidade financeira e empresarial para crescer. Esse equilíbrio sustenta a confiança necessária para novos investimentos.
Por: Jerônimo Goergen
Presidente da ACEBRA — Associação das Empresas Cerealistas do Brasil
