A Câmara de Vereadores de Livramento realizou, na manhã desta terça-feira, 8, a segunda etapa das oitivas do processo que apura a conduta da vereadora Eva Coelho (PL). A sessão ocorreu na sede do Legislativo Municipal e contou com o depoimento de três testemunhas convocadas pela comissão processante.
O processo está relacionado especificamente à atuação da vereadora no exercício do mandato e analisa os fatos apresentados na denúncia, incluindo a possibilidade de eventual quebra de decoro parlamentar. As oitivas integram a fase de instrução, quando são reunidos depoimentos e esclarecimentos que poderão subsidiar a análise da comissão.
Priscila Soares Cardoso
A primeira testemunha ouvida, às 8h, foi Priscila Soares Cardoso, chefe de gabinete da vereadora Juliana Lemos (PT) e presidente da Associação Santanense de Proteção aos Animais (ASPA).
Ao falar sobre o vídeo que integra o processo, Priscila afirmou que, como protetora de animais, o que mais lhe chamou a atenção foi o relato relacionado à separação de uma briga envolvendo cães, ocasião em que teria sido utilizada uma vassoura de forma violenta.
Ela explicou que não acompanhou a transmissão ao vivo e que tomou conhecimento do vídeo posteriormente, por meio de uma conhecida. Depois disso, relatou ter procurado o advogado da ASPA para confirmar a veracidade da situação.
Questionada pela comissão se havia ouvido manifestações da vereadora sobre o episódio além do conteúdo do vídeo, Priscila respondeu que sim, mencionando declarações feitas por Eva no plenário da Câmara.
A testemunha também afirmou que, embora estivesse à disposição do gabinete além do horário de trabalho, não utilizou a estrutura do gabinete para realizar a denúncia e que não contou com coordenação da vereadora Juliana para a iniciativa.
Sobre o processo, Priscila disse entender que houve quebra de decoro, por considerar que as declarações atribuídas à vereadora estariam em desacordo com a postura que espera de uma representante da sociedade.
Em relação aos laudos apresentados sobre a saúde do animal, afirmou ter conhecimento dos documentos, mas disse não ter analisado o conteúdo de forma aprofundada para poder confirmar as informações.
Durante os questionamentos da defesa, Priscila confirmou ainda que publicou o vídeo nas redes sociais da ASPA. Segundo ela, a publicação teve como objetivo divulgar os fatos e não incentivar ataques ou disseminação de ódio contra Eva. Relatou também que aquela não teria sido a primeira ocasião em que a entidade expôs pessoas que, na avaliação dela, estariam envolvidas em situações de maus-tratos contra animais.
Magda Rosane Fialho
A segunda testemunha, ouvida às 9h, foi Magda Rosane Fialho, vizinha de Eva Coelho há mais de 30 anos.
Magda contou que teve contato com o vídeo apenas dias depois dos fatos, em razão da repercussão do caso. Ao comentar o comportamento da vereadora no episódio, afirmou que Eva teria sido “infeliz” ao relatar o ocorrido, principalmente pela forma passional como teria se manifestado.
A testemunha destacou conhecer a relação de Eva com os animais. Segundo Magda, a vereadora cuida de diversos animais e, durante os mais de 30 anos em que são vizinhas, nunca teria presenciado Eva maltratá-los.
Magda afirmou ainda que, na sua percepção, “não era ela, ali”, referindo-se ao comportamento apresentado no episódio, e avaliou que Eva teria falado mais do que efetivamente fez.
A testemunha reconheceu que a vereadora costuma se expressar de maneira passional, mas considerou que, naquela situação, a reação teria sido mais exagerada. Para Magda, Eva errou, mas ela não considera necessariamente que a situação represente um erro no exercício do mandato.
Sandra Jaqueline Castilho
A terceira testemunha, Sandra Jaqueline Castilho, também vizinha de Eva, prestou depoimento às 10h.
Sandra relatou que assistiu ao vídeo posteriormente e também classificou a manifestação da vereadora como “infeliz”.
Ela contou que, no dia em que os fatos ocorreram, ouviu a movimentação provocada pelos cães e percebeu Eva tentando apartar a situação.
Durante o depoimento, Sandra mencionou ainda o receio que, segundo ela, Eva demonstrava diante da possibilidade de os animais atacarem seu irmão, Adão, que é paraplégico.
Na avaliação da testemunha, a atuação de Eva naquele momento teria evitado que os animais ou o próprio irmão fossem atingidos de maneira mais grave. Sandra afirmou acreditar que a vereadora agiu em uma situação de medo e tensão.
Ao final, destacou a relação de Eva com os animais e afirmou que ela é “muito carinhosa” com eles. Segundo Sandra, o episódio teria ocorrido em um momento de explosão, quando Eva teria buscado se defender e proteger o irmão.
Com a realização desta segunda etapa de oitivas, os depoimentos passam a integrar os elementos reunidos durante a fase de instrução do processo. A comissão processante deverá analisar as informações apresentadas ao longo do procedimento antes das próximas etapas previstas para a apuração.
