Antes do diploma, uma trajetória de persistência

No 8º semestre de Medicina Veterinária, Lidiane Sandim Rodrigues concilia a graduação com o trabalho e carrega para a futura profissão uma relação com os animais que começou ainda na infância

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Aos 23 anos, Lidiane Sandim Rodrigues ainda não recebeu o diploma de médica veterinária, mas já sabe o quanto foi necessário caminhar para chegar até o 8º semestre da graduação. Entre aulas, estudos, trabalho e responsabilidades fora da universidade, a formação que durante muito tempo foi um sonho agora começa a se aproximar da realidade.

Estudante de Medicina Veterinária e proprietária da Floricultura Floribella, Lidiane aprendeu cedo a dividir seu tempo entre diferentes responsabilidades. Ela define a própria trajetória até a faculdade com três palavras: esforço, trabalho e persistência.

A escolha pelo curso, porém, começou muito antes do vestibular. Filha de Cleusa Maria Sandim Rodrigues e Marco Aurélio Vargas Rodrigues, produtores rurais, ela cresceu próxima aos animais e teve contato desde a infância tanto com os de pequeno porte quanto com ruminantes e equinos.

Foi dessa convivência que nasceu o interesse pela Veterinária. Já dentro da universidade, entretanto, Lidiane descobriu uma profissão muito maior do que imaginava. “A gente entra imaginando que Medicina Veterinária é apenas cuidar de animais, mas, quando começa a vivenciar o curso, percebe a dimensão da profissão”, conta.

Ao longo da graduação, ela passou a compreender que a atuação do médico-veterinário também está diretamente ligada à saúde pública, à prevenção de doenças, à produção e segurança dos alimentos e ao bem-estar animal. Foi conhecendo essas diferentes responsabilidades que a certeza sobre a escolha profissional se fortaleceu. “O médico-veterinário tem o nobre dever de aliviar o sofrimento, salvar vidas e prevenir doenças, além de zelar diretamente pela saúde pública”, afirma.

Se chegar à universidade representou a realização de um sonho, permanecer nela trouxe outros desafios. Conciliar a graduação com o trabalho foi um dos principais. Vieram também o cansaço, as inseguranças e aqueles momentos em que a dúvida sobre conseguir chegar até o fim apareceu.

Lidiane encontrou na família uma das principais razões para continuar. Ela faz questão de reconhecer o incentivo dos pais durante a caminhada e os define como sua maior motivação.

Aprendi a ter paciência comigo mesma, a estudar mesmo quando estava cansada e, principalmente, a lembrar do motivo pelo qual comecei”, relata a estudante.

Dentro da universidade, professores, funcionários e colegas também ganharam importância. Para a estudante, foram principalmente as experiências práticas e o contato direto com os animais que transformaram conteúdos vistos em sala de aula em uma percepção mais concreta da responsabilidade que acompanha a profissão.

A prática também mostrou uma das partes mais difíceis da escolha que fez. Nem todos os pacientes podem ser salvos. Por trás de cada decisão existem estudo, técnica e raciocínio, mas há também uma carga emocional com a qual o profissional precisa aprender a lidar. “A cada paciente que acompanhamos, percebi um pouco mais do motivo pelo qual escolhi essa profissão. São momentos que fazem todo o esforço da faculdade valer a pena.”

Ainda há áreas para conhecer antes de decidir definitivamente qual especialidade seguirá depois da formatura, mas Lidiane já demonstra uma preferência: a Medicina Veterinária de grandes animais.

O interesse tem relação com a própria história. A convivência com o meio rural veio da infância e ganhou uma nova dimensão quando ela passou a estudar ruminantes durante a graduação. Hoje, o diagnóstico, a prática e a possibilidade de acompanhar a recuperação desses animais estão entre os aspectos que mais despertam sua atenção.

Ela prefere, no entanto, não limitar tão cedo as possibilidades. Quer aproveitar o restante da formação para conhecer outros caminhos antes de tomar uma decisão definitiva.

E o diploma, embora seja um dos grandes objetivos, não aparece como ponto final dessa história. Lidiane pretende continuar estudando, buscar uma especialização e construir uma carreira na qual consiga unir conhecimento, prática e cuidado. “Meu sonho não é apenas ter um diploma, mas me tornar uma veterinária da qual eu mesma possa me orgulhar”.

Neste Dia do Veterinário, Lidiane ainda observa a data como estudante. Em pouco tempo, espera celebrá-la do outro lado, exercendo a profissão que escolheu. Até lá, reconhece aqueles que dividem essa etapa com ela: os colegas de graduação, professores, a coordenadora do curso de Medicina Veterinária em Sant’Ana do Livramento, Patricia de Freitas Salla, e a Urcamp, instituição onde constrói sua formação.

Para quem chegou até aqui conciliando tantos papéis, talvez a proximidade da formatura tenha um significado ainda maior. O diploma que virá carregará o conhecimento adquirido na universidade, mas também tudo aquilo que não aparece no histórico acadêmico: as horas de trabalho, os dias de cansaço, o apoio da família e todas as vezes em que continuar foi uma escolha.

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