A memória viva de um homem do campo

Aos 93 anos, Anatalicio Degues preserva lembranças de uma vida entre tropas, cavalos e a pecuária

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Nascido em setembro, mês em que o Rio Grande do Sul volta os olhos para suas raízes e tradições, Anatalicio Degues tem na própria história muitos dos elementos que ajudam a contar a vida do homem do campo. Aos 93 anos, o pecuarista guarda na memória lembranças de uma trajetória construída entre tropas, cavalos, rebanhos e longas jornadas de trabalho.

Sua relação com a pecuária começou ainda na juventude. Primeiro, na tosquia de ovelhas e no tropeio de rebanhos. Mais tarde, passou a arrendar terras e adquirir seus próprios animais, construindo aos poucos sua vida no meio rural.

Os tempos eram outros. Anatalicio lembra de uma rotina mais rústica, mas que também considera saudável. Com o passar das décadas, viu de perto as mudanças provocadas pela chegada da tecnologia ao campo e as transformações na maneira de trabalhar e produzir.

O cavalo, companheiro de tantos anos, esteve sempre presente. Era meio de transporte e também ferramenta indispensável para a lida diária. Entre tantas lembranças, algumas permanecem especialmente vivas: as noites e madrugadas de ronda das tropas, enfrentando o frio e as temperaturas geladas do campo.

As memórias também alcançam os antigos festejos de 20 de Setembro. Anatalicio recorda dos desfiles e das prendas montadas na garupa dos cavalos, cenas que fazem parte de uma época em que a tradição gaúcha estava profundamente ligada à vida cotidiana.

Para ele, preservar essa cultura é uma responsabilidade de todos. “Representa a cultura de um povo, que jamais deve morrer”, afirma. Na sua visão, as novas gerações precisam conhecer e manter os costumes e as raízes do povo gaúcho, mantendo acesa a chama do tradicionalismo.

Uma vida também feita de memórias

Ao longo de 93 anos, Anatalicio acompanhou muitas mudanças, mas algumas coisas permaneceram. O vínculo com o campo, o respeito pelos animais e o apreço pelas tradições seguem fazendo parte de sua vida.

É também um leitor fiel de A Plateia. Há aproximadamente 50 anos, acompanha o jornal e, até hoje, prefere a edição impressa. Entre as páginas, busca principalmente informações sobre a área rural, política e saúde.

Sua história é a de um homem que viveu o campo em diferentes tempos e que carrega consigo memórias de uma forma de vida que ajudou a construir a identidade da região. Um dos últimos tropeiros de sua geração ainda vivos, Anatalicio guarda não apenas lembranças, mas parte de uma história que merece ser conhecida e preservada.

E, ao falar sobre aquilo que considera essencial para o gaúcho, deixa uma última mensagem: “Sobretudo ao gaúcho, aconselho a fé em Deus em primeiro lugar.”

 

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