Os jovens jornalistas deveriam ter mais cuidado com o que escrevem e se apoiar mais em exemplos históricos e menos nos desejos (respeitáveis) de uma “terceira via” de uma suposta direita democrática, que sequer tem clareza para mostrar seu rosto verdadeiro no cenário eleitoral. Desde a Revolução de 30, com a exceção do período Geisel de distensão lenta e gradual – no qual as disputas eleitorais foram polarizadas em torno do ritmo que seria dado ao processo de restauração da democracia liberal no Brasil – (desde a Revolução de 30) as polarizações eleitorais predominantes foram as disputas entre o Estado de Direito de uma democracia reformista e social, de um lado, e, de outro, uma direita golpista ou tendencialmente golpista, submetida à inequívoca liderança norte-americana, num continente que teoricamente estava exposto também ao processo revolucionário da era soviética. A emergência de uma extrema direita global, hoje no poder nos EUA, deu desenvoltura em nosso país, a uma extrema direita de corte fascista, que perdeu todas as cautelas e se apresentou “in natura”, como ela é: sem nenhuma dissimulação, apoiada por significativos grupos empresariais legais e ilegais, que só tem unidade num ponto axial: a defesa de um regime autoritário que promova a extinção da “velha” política democrática. A tese da “polarização” programática nas eleições presidenciais tem sido tratada, atualmente, com uma enorme irresponsabilidade pela maior parte da grande imprensa, o que é feito desde o surgimento da nossa extrema direita misógina, negacionista e necrófila, que inclusive se dá o direito de dizer – publicamente – que aceita e pretende acolher uma intervenção militar dos EUA no nosso território soberano. Um ato puro de traição nacional. A tal “polarização” é apresentada assim, com um contraste em que as diferenças entre os principais contendores se daria entre os “planos de Governo”, ou pela carência de respostas sobre como resolver os grandes problemas sociais e econômicos do país. Para uma boa parte dos jovens jornalistas, a polarização atual não é devida ao conflito entre a posição dos que defendem a ocupação estrangeira do nosso território, de um lado, e, de outro, os que defendem a nossa soberania nacional. A polarização “programática” que eles referem (na globalização de um mundo que é refém do protecionismo dos ricos) é, na verdade, sem substância e puramente formal, pois a aplicação de qualquer programa estaria em dependência de sermos uma nação soberana ou uma republica bananeira subjugada pelo Estado norte-americano, possibilidade que está no centro da disputa eleitoral! O que mostra a realidade política é que aquilo que efetivamente polariza, em nossos processos eleitorais atuais, é como tratar a questão da nação e da democracia. E que isso não pode ser falsificado “en passant” -como fazem os que mimetizam os mastodontes da grande imprensa – que fazem de conta que o bolsonarismo e a extrema direita, em geral, podem estar preocupados com algum programa, que implementariam se fossem eleitos. É absolutamente visível. para qualquer observador minimamente atento à história do regime democrático no Brasil, que a atual extrema direita brasileira pretende utilizar as eleições para – com as novas formas comunicacionais em rede e com relações políticas com as religiões do dinheiro – destruir a democracia, a liberdade de imprensa e as instituições republicanas da Carta de 88. E busca isso com atos de traição explícita ao país – para submeter completamente o Brasil aos interesses nacionais norte-americanos. O verdadeiro “programa” da extrema-direita é apenas servir Donald Trump e não o seu próprio país! A tese de que a polarização deve ser feita pelos comparativos entre “planos de governo” é totalmente ingênua ou simplesmente falsa A polarização real é outra: é se o Brasil vai resolver os seus problemas dentro do regime democrático com soberania ou se o seu destino vai ser entregue às mãos sujas do negacionismo, da violência miliciana e da colocação dos jornalistas nos “cercadinhos” e da liquidação da laicidade do Estado. O programa verdadeiro dos candidatos bolsonaristas está nos atos preparatórios para uma nova ditadura. Desta feita construída pela união perversa entre os anões morais do milicianismo com os estratos empresariais mais reativos à democracia e ao Estado de Direito. Este programa, se não fosse a recusa majoritária dos Comandantes Militares, já teria vingado na tentativa de golpe de 8 de janeiro, quando a extrema direita confessa assumiria o poder para – com fogos de artifício e uivos sinistros de ódio ao seu próprio povo – receber a marinha norte-americana na Baía da Guanabara.
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