Por: Gilberto Jasper
Jornalista/gilbertojasper@gmail.com
A falta de dinheiro é a maior fonte de preocupação dos gaúchos. A conclusão é da pesquisa Raio X da Saúde Financeira dos Brasileiros, com este recorte voltado ao nosso Estado. O levantamento foi feito pela fintech Onze com a Icatu Seguros.
Os resultados, divulgados há poucos dias, são impactantes, mas não chegam a surpreender diante do que se vê e ouve nas ruas. A pesquisa revela que a maior parte dos entrevistados – 75% dos gaúchos – tem dependentes financeiros, mas quase metade – 48% – não possuem renda suficiente para os gastos do mês ou está endividada.
Além disso, 65% dos ouvidos não têm reserva de emergência. A preocupação com o estado mental deste contingente aumenta na medida em que 49% raramente conversam sobre dinheiro com os familiares.
A saúde ocupa o segundo lugar na pesquisa realizada no RS. Mas as finanças problemáticas afetam o bem-estar de 78% dos entrevistados. O ponto mais citado é a ansiedade, o que não surpreende, além dos problemas de relacionamento. Lembrando que muitas vezes, o dinheiro é causa direta para divórcios.
O endividamento generalizado da população é muito mais grave que parece. A facilidade na obtenção de empréstimos, através da oferta de alternativas como o crédito consignado – onde o débito é feito diretamente na folha de pagamento, agrava a situação.
A proliferação das BETs, que são os jogos de todo tipo, também afeta as finanças, graças à “venda” de sonhos de tornar-se milionário da noite para o dia. Além disso, a Caixa Federal contribui para a jogatina no país, oferecendo uma gama enorme de loterias diariamente.
O crediário torna-se uma armadilha insidiosa, onde a possibilidade de comprar oferece um longo prazo. “Se a prestação couber no orçamento, a gente compra”, repetem milhões de brasileiros. Esquecem, no entanto, que o acúmulo de prestações de pouco valor forma uma bola de neve que se transforma em um tsunami de dívidas impagáveis. Um dos impactos diretos se reflete nas vendas em geral que, no primeiro semestre, houve uma queda, em média, de 30% com tendência de aumento no segundo semestre.
Até o uso do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) tem sido liberado pelo governo federal para quitar dívidas. O que vai acontecer com o trabalhador quando ficar desempregado, dependente, apenas, do seguro-desemprego?
